O Irã intensificou de forma notável o ritmo de construção em uma suposta área nuclear subterrânea, localizada na montanha Pickaxe, nas proximidades da instalação nuclear de Natanz. Essa descoberta, baseada em uma análise detalhada de imagens de satélite por especialistas dos Estados Unidos, sinaliza uma escalada na atividade iraniana em um local que há muito é objeto de escrutínio internacional. A instalação, profundamente enterrada, levanta sérias preocupações de inteligência ocidental sobre sua finalidade, particularmente a suspeita de ser um centro clandestino para enriquecimento de urânio.
Evidências de Aceleração e Análise de Satélite
Conforme um relatório do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), com sede em Washington, imagens de satélite coletadas ao longo de seis anos, com a mais recente datando de 9 de agosto, revelam um aumento sem precedentes na atividade na montanha Pickaxe. Os analistas observaram que as entradas da montanha apresentaram mais movimento neste ano do que em qualquer outro período registrado. As evidências concretas incluem a elevação e o reforço significativos dos acessos aos portais, o asfaltamento da rede viária interna, o fortalecimento das áreas adjacentes de acesso e a remoção e nivelamento de grandes volumes de material de escavação, indicando um esforço contínuo e em larga escala na infraestrutura subterrânea.
O Sigilo em Torno da Instalação Subterrânea
A localização estratégica da montanha Pickaxe, na região central do Irã, e a natureza subterrânea da construção sugerem uma tentativa de blindar as operações de olhares externos. Serviços de inteligência ocidentais têm manifestado suspeitas de que o local seja uma instalação de enriquecimento de urânio oculta. Embora a inteligência israelense supostamente afirme que o Irã transferiu centrífugas para a montanha, os analistas do CSIS declararam que não podem nem refutar nem corroborar essa alegação. Essa falta de transparência é exacerbada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o órgão nuclear da ONU, que solicitou informações e acesso ao local, mas, segundo o CSIS, não obteve resposta do Irã.
Tensões Geopolíticas e Ameaças Militares dos EUA
O avanço da construção na montanha Pickaxe ocorre em meio a um clima de intensa hostilidade entre os Estados Unidos e o Irã. Em 21 de julho, o presidente dos EUA, Donald Trump, havia ameaçado lançar um ataque militar contra a montanha Pickaxe, como parte de sua campanha declarada para desmantelar o programa nuclear iraniano, afirmando que a área seria "atacada muito em breve, e com muita força". Apesar da veemência da declaração, a ameaça não foi concretizada até o momento. A complexidade de uma possível ação militar é elevada, já que analistas apontam que a fortificação, enterrada em uma montanha de granito, seria extremamente difícil de destruir, mesmo com as munições não nucleares mais potentes dos EUA.
Contexto de Escalada na Relação EUA-Irã
O desenvolvimento na montanha Pickaxe não pode ser isolado do cenário mais amplo de conflito aberto entre Estados Unidos e Irã, que já se estende por seis meses. Teerã tem executado ataques recentes contra alvos americanos no Oriente Médio, alegando retaliação aos bombardeios das forças americanas contra petroleiros iranianos. Essa dinâmica de agressões e represálias sublinha a instabilidade da região e o risco inerente à continuidade das atividades nucleares iranianas sem supervisão. A combinação de um programa nuclear avançando sob sigilo e a escalada militar mútua representa um desafio complexo para a segurança global e os esforços de não proliferação.
A contínua e acelerada construção na montanha Pickaxe, aliada à persistente recusa do Irã em cooperar com os inspetores da AIEA e o pano de fundo de crescentes tensões com os Estados Unidos, reforça a gravidade da situação. A capacidade de Teerã de desenvolver e proteger uma infraestrutura nuclear subterrânea e opaca mantém a comunidade internacional em alerta máximo, com implicações profundas para a estabilidade regional e o futuro do regime de não proliferação nuclear.
Fonte: https://g1.globo.com