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Vereador Daniel Monteiro Defende Soberania Legislativa Contra ‘Ativismo Judicial’ em Cuiabá

Redação

Em meio a discussões sobre a reforma do regimento interno da Câmara Municipal de Cuiabá, o vereador <b>Daniel Monteiro</b> (Republicanos) posicionou-se firmemente contra o que classifica como interferência externa nos assuntos internos do parlamento. O debate, que ganha contornos de um confronto de princípios, gira em torno da autonomia do Poder Legislativo frente a recentes entendimentos judiciais, principalmente os que vêm do Supremo Tribunal Federal (STF).

Monteiro, com base em sua convicção sobre a separação dos Poderes, advoga pela exclusividade dos vereadores na resolução de questões administrativas da Casa. Sua manifestação é um alerta contra o que considera uma extrapolação de atribuições, defendendo que a própria legislatura deve ser a guardiã de suas regras e procedimentos, sem a necessidade de intervenções externas.

A Reforma Regimental e os Pontos de Controvérsia

A proposta de reforma do regimento da Câmara de Cuiabá traz duas alterações principais que acendem o debate. A primeira visa mudar a data da votação para a Mesa Diretora de agosto para novembro. A segunda e mais controversa é a permissão para que o presidente da Casa possa se reeleger na mesma legislatura, tema que tem gerado discussões acaloradas em diversas esferas políticas.

Estas propostas não surgem em um vácuo. Elas são impulsionadas por recentes decisões do STF, como a que cancelou a eleição antecipada da Mesa Diretora na Câmara de Várzea Grande, determinando uma nova votação em outubro. Esse precedente reforça a percepção de uma crescente judicialização de questões internas do Legislativo, motivando a defesa de Monteiro pela autogestão dos processos parlamentares.

Crítica ao 'Ativismo Judicial' e a Responsabilidade Legislativa

O vereador Monteiro não poupou críticas ao que ele define como 'ativismo judicial', especialmente quando o Judiciário adentra atribuições de outro Poder para determinar ritos e calendários eleitorais internos. Segundo ele, tal ação extrapola a fundamental divisão de Poderes, elemento essencial da democracia brasileira. Contudo, Monteiro faz uma ressalva importante: ele atribui ao próprio Poder Legislativo uma parcela significativa da culpa por esse fenômeno.

Para ilustrar seu argumento, o parlamentar traçou um paralelo com a trajetória do Congresso Nacional nos últimos 20 anos. Ele recordou como partidos com baixa representação, ao perderem discussões legítimas no plenário, recorriam sistematicamente às cortes superiores, transformando a arena jurídica em uma extensão da disputa política. Essa prática, segundo Monteiro, fragiliza a capacidade do Legislativo de resolver suas próprias questões e abre as portas para a intervenção judicial.

Um Pacto pela Maturidade Política e o Respeito ao Regimento Interno

A solução, na visão de Daniel Monteiro, passa por um pacto de 'maturidade política' entre os parlamentares. Ele defende que os vereadores devem aceitar os resultados legítimos do plenário, mesmo em caso de derrota, e evitar a judicialização de questões puramente administrativas. Para Monteiro, a Casa deve ser composta por 'adultos na sala' que respeitam o que está 'positivado dentro do nosso regimento interno', sem recorrer a instâncias superiores como um 'papai supremo' ou 'papai judiciário'.

Essa postura, segundo o vereador, visa a fortalecer a independência e a autonomia do Legislativo, garantindo que as decisões sobre sua administração interna sejam tomadas por seus próprios membros, refletindo a vontade da maioria parlamentar sem a necessidade de arbitragens externas.

A Dimensão da Proposta e o Cenário Político Atual

Apesar da veemência em sua defesa da soberania, Monteiro minimiza o peso político da proposta de reforma regimental, classificando-a como uma 'questão muito pequena e puramente administrativa'. Ele argumenta que a alteração do calendário ou a possibilidade de reeleição não trarão benefícios significativos a vereadores específicos, como <b>Paula Calil</b> (PL) ou <b>Ilde Taques</b> (PSB), mas sim deveriam ser motivadas pela conveniência interna dos próprios vereadores, e não por imposição ou sugestão judicial.

Questionado sobre a viabilidade política da proposta de alteração do regimento no atual cenário, o vereador foi categórico ao afirmar que não acredita em um 'clima' favorável para seu avanço neste momento. No entanto, fez questão de vir a público para defender sua convicção e manter a coerência com seus princípios, reforçando a importância de distinguir debates administrativos locais de discussões sobre a inconstitucionalidade de leis municipais.

Conclui-se, pela fala de Monteiro, que a Câmara não está legislando de forma inadequada sobre áreas finalísticas como saúde ou educação, mas sim tratando de uma regra interna que define a data de escolha de seu próprio presidente. A mensagem é clara: as questões de governo interno da Casa Legislativa devem permanecer sob a égide dos próprios parlamentares.

Fonte: https://jornaldematogrosso.com.br

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