Uma complexa operação de repatriação teve início neste domingo (10) no porto de Granadilla, em Tenerife, nas Ilhas Canárias, para os cerca de 150 ocupantes do cruzeiro MV Hondius. A embarcação, que partiu da Argentina em 1º de abril, foi atingida por um surto de hantavírus, levando as autoridades espanholas e internacionais a coordenarem o retorno dos passageiros e parte da tripulação aos seus países de origem. O processo, que envolve rigorosos protocolos de saúde e segurança, deve ser concluído até esta segunda-feira (11), marcando o fim de uma situação delicada que mobilizou esforços globais.
Desdobramento da Repatriação: Logística e Protocolos de Saúde
O desembarque dos passageiros do MV Hondius foi meticulosamente planejado. Em pequenos grupos, e vestidos com trajes de proteção azuis, os indivíduos deixavam o navio e eram transportados por lanchas até o porto. A partir de Granadilla, ônibus vermelhos da Unidade Militar de Emergência (UME) aguardavam para conduzi-los ao aeroporto de Tenerife Sul, localizado a cerca de 10 minutos do porto. Nesses veículos, uma barreira de proteção isolava a área do motorista dos passageiros, reforçando as medidas preventivas.
No aeroporto, a chegada dos primeiros repatriados, incluindo 14 espanhóis, deu-se por volta das 8h30 GMT. Antes de embarcar em voos para Madri, os passageiros passaram por um procedimento de troca dos trajes de proteção e desinfecção. Uma vez na capital espanhola, eles seriam encaminhados para quarentena em um hospital militar, garantindo a contenção de qualquer risco potencial. Este rigoroso protocolo está sendo estendido a todos os demais passageiros e membros da tripulação, independentemente de sua nacionalidade, assegurando que o processo transcorra com "todas as garantias de saúde pública", conforme declarado pelo governo espanhol.
Hantavírus: Contexto do Surto e Esclarecimentos da OMS
O surto de hantavírus a bordo do MV Hondius resultou em seis casos confirmados entre oito suspeitos, com a lamentável perda de três passageiros, incluindo um casal holandês e uma passageira alemã. Equipes médicas embarcaram no cruzeiro, que chegou a Tenerife durante a madrugada, para avaliar os passageiros, que, em sua maioria, permanecem assintomáticos, o que é um ponto crucial para a gestão da crise.
Apesar da gravidade do surto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) fez questão de tranquilizar a população. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, presente em Tenerife para acompanhar a operação, reforçou: “Preciso que me escutem com clareza: isto não é outra covid. O risco atual para a saúde pública derivado do hantavírus continua sendo baixo”. Ele elogiou a coordenação da Espanha e a presença da União Europeia, destacando a eficiência da resposta. O hantavírus é uma doença rara, sem vacina ou tratamento específico, o que sublinha a importância das medidas de isolamento e monitoramento adotadas.
Mobilização Internacional e Apoio Político
A operação em Tenerife é um exemplo de cooperação internacional. A ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, informou que voos para os Países Baixos, Canadá, Turquia, França, Reino Unido, Irlanda e Estados Unidos estavam previstos para este domingo, com o último voo, para a Austrália, programado para segunda-feira. A diretora da Proteção Civil da Espanha, Virginia Barcones, expressou confiança de que o navio partirá rumo aos Países Baixos, sua base, ainda na segunda-feira, com apenas parte da tripulação.
Inicialmente, houve resistência por parte das autoridades regionais das Ilhas Canárias quanto à atracação direta do navio. No entanto, a decisão final permitiu que a embarcação permanecesse ancorada no porto de Granadilla, sem atracar no cais. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, em evento na Andaluzia, agradeceu às Ilhas Canárias, afirmando que a Espanha, mais uma vez, respondeu a uma crise com exemplaridade. Até mesmo o Pontífice, em declaração na Praça de São Pedro, expressou sua gratidão às Ilhas Canárias por permitirem o acolhimento do cruzeiro, em um gesto que sublinha a relevância humanitária da operação.
Conclusão da Operação e Perspectivas Futuras
À medida que a operação de repatriação se aproxima de sua conclusão, o foco permanece na saúde e segurança de todos os envolvidos. A agilidade na resposta espanhola, aliada à cooperação de diversas nações e ao respaldo da OMS, tem sido fundamental para gerenciar este surto. Embora o hantavírus apresente desafios por sua natureza rara e a ausência de tratamento específico, a pronta ação e os rigorosos protocolos estabelecidos minimizam os riscos para a saúde pública global. A experiência do MV Hondius serve como um lembrete da constante necessidade de vigilância sanitária e da importância da colaboração internacional frente a emergências de saúde em um mundo cada vez mais conectado.