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Tarifas Norte-Americanas de 37,5% Atingem Bilhões em Exportações Brasileiras e Desafiam Comércio Bilateral

© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos enfrentam um momento de tensão com a imposição de novas tarifas norte-americanas. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) confirmou que a sobretaxa acumulada de 37,5% impactará diretamente US$ 6,6 bilhões em produtos brasileiros destinados ao mercado estadunidense. Essa medida representa um desafio significativo, afetando 16,5% do total das exportações do Brasil para o maior parceiro comercial do país, em um cenário de já desaceleração do comércio bilateral.

A Escalada Tarifária e o Custo para a Indústria Brasileira

A alíquota de 37,5% é o resultado da soma de duas medidas tarifárias distintas: uma tarifa adicional de 25%, anunciada anteriormente durante a administração do ex-presidente Donald Trump, e uma nova sobretaxa de 12,5%, divulgada recentemente. Quando ambas incidem sobre o mesmo produto, a carga tributária se eleva consideravelmente. Setores-chave da economia brasileira estão na linha de frente desse impacto, incluindo fabricantes de máquinas e equipamentos, a indústria madeireira com seus diferentes tipos de madeira, produtores de gorduras e óleos, o segmento de calçados, a indústria moveleira e o setor de confecções. Estima-se que quase 4 mil produtos brasileiros serão atingidos, conforme projeções da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o que levou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços a classificar a tarifa como 'indevida' e prometer uma reação.

Mecanismos Jurídicos Por Trás das Novas Barreiras Comerciais

A maior parte das recentes medidas tarifárias dos Estados Unidos foi implementada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 (Trade Act de 1974). Este dispositivo legal permite ao governo norte-americano investigar e retaliar práticas comerciais de outras nações consideradas desleais ou prejudiciais aos seus interesses. No caso específico do Brasil, duas investigações sob a Seção 301 foram abertas: uma direcionada especificamente ao país, que resultou na sobretaxa de 25% para determinados itens, e outra de alcance mais amplo, sobre políticas de combate ao trabalho forçado em cadeias de suprimentos globais, que impôs 12,5% a 41 economias, incluindo o Brasil.

Em contraste, a Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962 (Trade Expansion Act de 1962) possui um propósito diferente, focando na segurança nacional e permitindo restrições a importações que possam representar um risco. Diferentemente da Seção 301, que visa países ou práticas específicas, a Seção 232 geralmente se aplica a setores inteiros. É importante notar que produtos já sujeitos a tarifas da Seção 232, como aço e alumínio, não acumulam as novas sobretaxas impostas pela Seção 301. As novas medidas tarifárias entrarão em vigor a partir de julho de 2026, com exceções para mercadorias já embarcadas antes da data.

Panorama Geral da Distribuição das Exportações Brasileiras Atingidas

A análise do governo brasileiro revela que as novas medidas tarifárias alcançam, no total, 23,1% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Ao detalhar o cenário, observa-se que uma parcela considerável de 52,7%, equivalente a US$ 21,3 bilhões, permanece isenta das novas sobretaxas. Outros 24,2% (US$ 9,8 bilhões) já estavam sob tarifas setoriais existentes da Seção 232. A parcela mais impactada, de 16,5% (US$ 6,6 bilhões), será submetida à tarifa acumulada de 37,5%. Além disso, 4,7% (US$ 1,9 bilhão) terão uma taxação de 12,5%, e 1,9% (US$ 800 milhões) pagarão apenas a sobretaxa de 25%. Produtos como café, carnes, aeronaves, suco de laranja, frutas, ferro fundido, grande parte da celulose e diversos produtos químicos foram isentados das novas imposições.

Desaceleração do Comércio Bilateral e a Resposta Brasileira

A introdução dessas tarifas mais rígidas coincide com uma notável perda de ritmo no intercâmbio comercial entre os dois países. Após atingir um pico de US$ 40,4 bilhões em exportações para os EUA em 2024, as vendas brasileiras registraram declínio para US$ 37,7 bilhões em 2025 e continuaram em queda ao longo de 2026. No primeiro semestre do corrente ano, as exportações totalizaram US$ 17,4 bilhões, representando uma retração de 13% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Esse recuo foi particularmente acentuado em setores como petróleo bruto, com queda de 30,4%, e produtos semiacabados de ferro e aço, que registraram uma redução de 21,7%. Como consequência direta, a participação dos Estados Unidos no total das exportações brasileiras diminuiu de 12,1% para 9,4% entre os primeiros semestres. A postura do governo brasileiro, que classifica as tarifas como 'indevidas', indica que o cenário poderá motivar respostas diplomáticas e comerciais para proteger os interesses dos exportadores nacionais.

Em suma, as novas tarifas norte-americanas representam um obstáculo considerável para a balança comercial brasileira, exigindo das autoridades e dos setores produtivos uma análise aprofundada e a busca por estratégias de mitigação. A combinação de mecanismos legais complexos e um ambiente de comércio bilateral já em declínio aponta para a necessidade de atenção redobrada e possíveis negociações para reverter ou atenuar o impacto sobre a economia do Brasil.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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