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Operação “Tomada de Contas” Desarticula Megascheme no TCE-MT com Prisões e Milionárias Apreensões

Redação

A Polícia Federal, em uma contundente ofensiva contra a corrupção, deflagrou a Operação "Tomada de Contas", revelando um intrincado esquema de desvio de recursos públicos que operava nas entranhas do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT). A ação culminou em prisões de alto escalão e na apreensão de um arsenal de dinheiro e bens de luxo, evidenciando a magnitude da fraude e o cerco das autoridades federais a práticas ilícitas em órgãos de controle.

A Deflagração e as Prisões de Alto Perfil

Comandada por ordem direta do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a Operação mobilizou mais de 180 policiais federais, que atuaram simultaneamente em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. A força-tarefa resultou na prisão preventiva de seis indivíduos-chave, entre eles o conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida, presidente afastado do TCE-MT, apontado pelas investigações como o principal articulador da complexa rede de desvios. Além das detenções, a Justiça determinou o afastamento de suas funções de outros três conselheiros ativos – Guilherme Maluf, José Carlos Novelli e Alisson Carvalho de Alencar – e atingiu ainda o conselheiro aposentado Valter Albano, reforçando o impacto direto na cúpula da instituição.

Vultosas Apreensões: Dinheiro em Múltiplas Moedas e um Acervo de Luxo

O balanço inicial da Operação "Tomada de Contas" é impressionante: um total de R$ 5.077.387,34 em espécie foi apreendido, distribuído em diversas moedas. Deste montante, R$ 4.360.607,00 estavam em reais, complementados por US$ 106.865,00 em dólares, € 19.870,00 em euros, £ 2.000,00 em libras esterlinas e $ 3.650,00 em pesos argentinos, com a Polícia Federal informando que a contagem de valores em contas da Caixa Econômica Federal ainda estava em andamento. Além do dinheiro, a PF confiscou um vasto patrimônio que incluía 31 veículos, 27 telefones celulares, 16 armas de fogo acompanhadas de impressionantes 6.512 munições, 167 relógios de luxo e 112 garrafas de vinho. Durante as diligências, as autoridades também registraram uma prisão em flagrante por posse irregular de armas e um termo circunstanciado de ocorrência (TCO) relacionado a drogas, evidenciando outras ilegalidades acessórias.

O Intrincado Modus Operandi do Esquema de Desvios

As investigações aprofundadas desvendaram que a organização criminosa operava através de uma engenhosa "folha paralela", utilizando ordens bancárias avulsas e canais originalmente destinados ao pagamento de fornecedores para driblar os sistemas de controle oficiais. Essa metodologia permitia a movimentação atípica de cifras milionárias; somente entre janeiro e outubro de um período sob investigação, o tribunal registrou uma movimentação irregular de R$ 75,85 milhões. Enquanto os registros oficiais, como o Portal da Transparência, indicavam remunerações modestas para os envolvidos, os extratos bancários revelaram créditos incompatíveis com a renda declarada. O caso de Sérgio Ricardo é emblemático, com mais de R$ 15 milhões em créditos e cerca de 150 saques em dinheiro vivo realizados nas próprias dependências da instituição, configurando uma sofisticada operação de lavagem de dinheiro e ocultação de bens que contava com operadores financeiros, articuladores e transportadores dedicados a converter recursos públicos em espécie e a dissimular sua origem ilícita.

Implicações Legais e o Futuro da Investigação

Os fatos apurados na Operação "Tomada de Contas" configuram uma série de crimes graves, incluindo delitos contra a administração pública, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. As penas somadas para essas infrações podem ultrapassar 12 anos de reclusão para os responsáveis. Com o cerco imposto pelo Superior Tribunal de Justiça e pela Polícia Federal, as apurações prosseguem com o objetivo de mapear e esgotar completamente o alcance e a profundidade do esquema de corrupção que se instalou na corte de contas mato-grossense, visando à responsabilização integral de todos os envolvidos e à recuperação dos valores desviados.

Fonte: https://jornaldematogrosso.com.br

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