A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (26) a Operação Compliance Zero, uma vasta ação nas ruas do Rio de Janeiro com o objetivo de investigar possíveis crimes financeiros e desvios de recursos públicos. O foco da apuração são as aplicações de verbas do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência) que totalizam bilhões de reais, direcionadas a fundos de investimento do Banco Master.
Investigação Central: Aplicações Milionárias sob Suspeita
A fase atual da Operação Compliance Zero concentra-se em aportes financeiros realizados pelo Rioprevidência no montante de R$ 2,01 bilhões, iniciados a partir de 2024. Esses recursos foram aplicados em fundos gerenciados pelo Banco Master, uma instituição que posteriormente seria alvo de suspeitas de fraudes financeiras e que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. Ao todo, a Polícia Federal estima que cerca de R$ 3 bilhões transferidos pelo Rioprevidência estão sob escrutínio nesta e em outras frentes de investigação.
Um Desdobramento da Operação Barco de Papel
A Operação Compliance Zero não é um evento isolado, mas sim um desdobramento direto da Operação Barco de Papel, que já havia revelado irregularidades em aplicações previdenciárias. A Barco de Papel, em sua fase inicial, identificou a transferência de R$ 970 milhões em Letras Financeiras, também emitidas pelo Banco Master, entre os anos de 2023 e 2024. A nova ação da PF aprofunda e amplia o leque de apurações sobre as operações financeiras envolvendo o fundo de previdência estadual e a instituição bancária.
Contexto Político e Repercussões Administrativas
As aplicações financeiras agora sob investigação foram realizadas durante o período em que a Rioprevidência estava sob a gestão do então governador Cláudio Castro. Castro, que renunciou ao mandato este ano, encontra-se atualmente inelegível. Este cenário se insere em um contexto de questionamentos e ações anteriores relacionadas ao fundo previdenciário, incluindo a exoneração do presidente do Rioprevidência e a intervenção do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). O órgão ministerial, em esforços prévios, acionou a Justiça buscando reaver aproximadamente R$ 1 bilhão e exigiu explicações detalhadas sobre os investimentos e operações de crédito consignado vinculadas ao fundo, sinalizando a complexidade e a amplitude das investigações que cercam a gestão dos recursos previdenciários do estado.
A Operação Compliance Zero reforça o compromisso das autoridades com a transparência e a correta aplicação dos recursos destinados à previdência dos servidores fluminenses. A investigação prossegue visando a completa elucidação dos fatos e a responsabilização dos envolvidos, marcando mais um capítulo na luta contra a corrupção e desvios que impactam diretamente o erário público e o futuro dos aposentados e pensionistas do Rio de Janeiro.