Autoridades mexicanas e cubanas estão imersas em uma intensa operação de busca por dois veleiros que desapareceram no Mar do Caribe. As embarcações, que transportavam ajuda humanitária vital para Cuba como parte da flotilha “Nuestra América”, tinham nove tripulantes de diversas nacionalidades a bordo. O desaparecimento, que já se estende por vários dias, provocou preocupação generalizada e uma mobilização internacional para localizar as embarcações e seus ocupantes.
A Missão Humanitária Interrompida
Os dois veleiros partiram de Isla Mujeres, no estado de Quintana Roo, México, em 20 de março, com destino a Havana. Sua chegada à capital cubana era inicialmente prevista para entre terça e quarta-feira daquela semana. Contudo, a ausência de comunicação ou confirmação de desembarque no prazo estabelecido desencadeou o alerta. O comboio, organizado por voluntários, visava fornecer alimentos e outros suprimentos essenciais, atenuando as dificuldades enfrentadas pela população cubana.
Apesar do atraso, os organizadores do comboio expressaram confiança, ressaltando que os capitães e suas equipes são navegadores experientes e que ambas as embarcações estavam equipadas com sistemas de segurança e sinalização adequados. Uma nova estimativa de chegada, baseada na velocidade informada às autoridades marítimas cubanas, apontava para a noite de sexta-feira, 27 de março, ou o meio-dia de sábado, 28 de março, mas sem sucesso.
Mobilização Abrangente de Busca e Resgate
Em resposta ao desaparecimento, a Marinha mexicana ativou um robusto protocolo de busca e resgate já na quinta-feira. A operação envolve a utilização de aeronaves Persuader, que sobrevoam a rota estimada entre Isla Mujeres e Havana, considerando não apenas o trajeto planejado, mas também possíveis desvios e as condições meteorológicas adversas na região. Além disso, comandos navais e postos de busca e resgate estão em estado de prontidão ao longo da área costeira e marítima.
A dimensão da busca transcende as fronteiras mexicanas. A Marinha mantém contato direto com agências e centros de resgate em Cuba, Estados Unidos, Polônia e França. Há também uma comunicação ativa com as missões diplomáticas dos países de origem dos tripulantes, visando uma colaboração e troca de informações em tempo real. Paralelamente, foi emitido um apelo à comunidade marítima civil e comercial do Caribe e do Golfo do México, solicitando que qualquer avistamento ou informação sobre os veleiros seja imediatamente reportada às autoridades navais.
Repercussão Oficial e o Cenário de Crise em Cuba
O desaparecimento dos barcos gerou uma onda de preocupação no mais alto escalão. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, manifestou-se na plataforma X, expressando sua especial inquietude com a situação e afirmando que o país está empenhado em “buscar e resgatar esses irmãos de armas”. A ajuda humanitária transportada pela flotilha era destinada, em parte, ao Centro de Cardiologia Pediátrica William Soler, em Havana, um símbolo da urgência da missão.
O contexto da missão é aprofundado pela severa crise econômica e energética que Cuba enfrenta. Desde janeiro, a ilha caribenha lida com um embargo de petróleo imposto pelos Estados Unidos, que tem agravado significativamente a escassez de combustível. A situação foi ainda mais complexa pela interrupção do fornecimento de petróleo da Venezuela, que tem sido ligada a tensões geopolíticas na região. Diante deste cenário, a Organização das Nações Unidas (ONU) está em negociações com Washington para permitir a entrada de combustível para fins exclusivamente humanitários. Em resposta à crise, o presidente Díaz-Canel já havia implementado medidas emergenciais, incluindo um rigoroso racionamento de combustível.
As buscas pelos dois veleiros e seus tripulantes prosseguem com intensidade, enquanto a esperança de encontrá-los em segurança se mantém, mesmo diante do mistério que paira sobre seu paradeiro no vasto e imprevisível Mar do Caribe. A importância da ajuda que transportavam ressalta a urgência de uma resolução positiva para este incidente que mobiliza esforços e atenções em escala internacional.
Fonte: https://g1.globo.com