Autoridades bolivianas efetuaram uma significativa apreensão de <b>189 quilos de ouro</b> em um jatinho particular no Aeroporto Internacional Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra. A carga, avaliada em mais de R$ 120 milhões, tinha como destino final Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A aeronave é de propriedade do empresário brasileiro Valdir José Zorzo, fundador do Grupo Dallas, sediado em Mato Grosso do Sul. O caso, revelado nesta terça-feira (28) pela aduana boliviana, levanta questões sobre o tráfico internacional de metais preciosos e a responsabilidade de terceiros em operações ilícitas.
A Descoberta da Carga Clandestina
A ação que culminou na apreensão do ouro ocorreu em 22 de julho. Fiscais da Administração Aduaneira do aeroporto identificaram passageiros de um jatinho que transportavam o metal precioso em quatro malas. Durante a inspeção detalhada, a equipe constatou a ausência de autorização formal para a exportação, infringindo as normas do Sistema Único de Modernização Aduaneira (SUMA) da Bolívia. Um técnico do Sistema Nacional de Informações sobre Comercialização e Exportações Minerais (Senarecom) corroborou que o formulário de exportação apresentado pelos suspeitos era inválido, configurando a ilegalidade da operação.
Um homem foi preso no local ao tentar embarcar no avião com as malas repletas de ouro. Após a descoberta, a Força Especial de Combate ao Crime (FELCC) da Bolívia foi acionada, e o caso foi encaminhado à Navegação Aérea e Aeroportos Bolivianos (Naabol), resultando na apreensão da substancial quantidade de ouro. As autoridades ainda não divulgaram detalhes sobre a identidade dos envolvidos ou para qual unidade policial os detidos foram levados.
O Proprietário da Aeronave e o Posicionamento do Grupo Dallas
A aeronave, de prefixo PS-ZRZ, é registrada em nome do empresário Valdir José Zorzo, proprietário do Grupo Dallas. Em nota oficial, a empresa esclareceu que o jatinho é de propriedade particular do empresário, destinado a uso próprio, e que não opera serviços de fretamento comercial. O Grupo Dallas enfatizou que Zorzo não estava a bordo da aeronave no momento da apreensão e não autorizou qualquer tipo de voo ou prática em desacordo com as leis vigentes. A empresa repudiou veementemente qualquer prática ilícita e afirmou que está colaborando ativamente com as investigações, tanto no Brasil quanto no exterior.
Em relação à situação do jatinho, o Grupo Dallas negou que a aeronave tenha sido apreendida, afirmando que ela se encontra em território brasileiro e não está sujeita a qualquer medida judicial de retenção. O empresário, segundo a nota, tomou conhecimento dos fatos por meio da imprensa e determinou uma apuração interna imediata, com a preservação de todos os registros pertinentes para auxiliar as autoridades competentes. Essa declaração contraria informações iniciais que indicavam a retenção da aeronave na Bolívia para perícia antes de seu retorno.
O Desenrolar da Investigação e os Pontos em Aberto
Com um homem já detido e a carga milionária confiscada, as investigações prosseguem na Bolívia para desvendar a rede por trás dessa tentativa de exportação ilegal. A origem do ouro, bem como a identidade completa dos envolvidos e os mandantes da operação, permanece sob sigilo das autoridades bolivianas. O caso sublinha a constante vigilância necessária nas fronteiras e aeroportos para coibir o tráfico de recursos naturais, frequentemente associado a atividades criminosas complexas e de grande escala.
A cooperação entre as autoridades bolivianas e brasileiras será crucial para esclarecer todos os fatos. O Grupo Dallas reiterou sua disposição em colaborar, aguardando o momento oportuno para novas declarações, em respeito ao sigilo das investigações em curso. A apreensão representa um golpe significativo contra o comércio ilegal de ouro na região, mas a complexidade do esquema sugere que muitos detalhes ainda precisam ser elucidados.
Fonte: https://g1.globo.com