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Julgamento de PMs Acusados da Morte de Vinicius Gritzbach Começa em Guarulhos com Defesa Alegando Manipulação

© Paulo Pinto/Agência Brasil

Sob um rigoroso esquema de segurança, teve início hoje (22) no Fórum Criminal de Guarulhos o aguardado julgamento de três policiais militares, acusados de envolvimento no assassinato do empresário e delator Vinicius Gritzbach. O caso, que já se destaca pela complexidade, ganha contornos ainda mais dramáticos com a defesa dos réus alegando que a investigação foi profundamente manipulada, buscando encobrir os verdadeiros responsáveis pelo crime.

Contexto do Julgamento e os Réus no Banco

O processo envolve o tenente Fernando Genauro da Silva, o cabo Denis Antônio Martins e o soldado Ruan Silva Rodrigues, todos atualmente presos. Além da execução de Gritzbach, eles também são acusados pela morte de Celso Novais, um motorista de aplicativo que passava pelo local e foi atingido por balas perdidas, bem como pelo ferimento de outras duas pessoas por estilhaços. A condução do julgamento está a cargo do juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo, figura conhecida por sua atuação em casos de grande repercussão, como o Massacre do Carandiru. A magnitude do evento demandou medidas de segurança excepcionais, incluindo a suspensão das demais audiências no Fórum de Guarulhos e o estabelecimento de um perímetro de segurança com bloqueio de ruas.

O assassinato de Vinicius Gritzbach ocorreu em 8 de novembro de 2024, no Terminal 2 do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Gritzbach, réu por homicídio e com envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), havia assinado um acordo de delação premiada com o Ministério Público. Em sua colaboração, ele teria revelado nomes de integrantes do PCC e denunciado policiais por corrupção, contexto que adiciona uma camada de complexidade e motivações ao seu trágico fim.

A Tese da Defesa: Investigação Contaminada e Inocência Declarada

Antes do início da sessão, os advogados dos réus se manifestaram à imprensa, sustentando a inocência de seus clientes e a existência de uma suposta manipulação na investigação. Segundo Cláudio Dalledone, advogado de Ruan, a intenção é “desmascarar essa opinião publicada que perdurou”, apresentando aos jurados evidências de que os réus são vítimas de uma trama. Mauro Ribeiro, que defende Genauro, reforçou que a defesa provará que os acusados não estavam em Guarulhos no dia do crime e não possuem qualquer ligação com o mandante ou com os policiais civis delatados por Gritzbach.

A estratégia jurídica centra-se na alegação de que a “banda podre da Polícia Civil”, investigada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), teria extorquido Vinicius Gritzbach e possuiria a motivação e o interesse para executá-lo. Conforme os advogados, essa facção policial, em vez de investigar, teria construído uma acusação falsa para acobertar os verdadeiros mandantes e executores, arrastando os policiais militares para o banco dos réus. Renan Canto, que defende os três, comparou o caso ao de Marielle Franco, onde, segundo ele, a manipulação policial também foi um fator, e enfatizou que seus clientes não possuem antecedentes criminais.

O Clamor por Justiça e o Papel do Júri Popular

A dor dos familiares das vítimas também marca o início do julgamento. Aparecida Camilo, 65 anos, mãe do motorista de aplicativo Celso Novais, expressou sua esperança por justiça, descrevendo o filho como um homem trabalhador, um bom pai e marido, cuja vida foi tirada inocentemente. Seu depoimento emocionado ressalta a dimensão humana e as consequências trágicas dos crimes em julgamento.

O júri popular, um pilar da Justiça brasileira para crimes dolosos contra a vida, terá a responsabilidade de discernir a verdade. O processo se inicia com a seleção dos sete jurados, cidadãos comuns, que terão a tarefa de decidir sobre a culpa ou inocência dos réus. A previsão é de que o julgamento se estenda por cerca de cinco dias, durante os quais serão ouvidas as testemunhas arroladas tanto pela acusação, liderada pelo Ministério Público, quanto pela defesa. A decisão final dos jurados será crucial para determinar o desfecho deste complexo e controverso caso.

Perspectivas para o Veredito Final

Com a apresentação das provas e testemunhos, o plenário do Tribunal de Júri de Guarulhos será palco de um embate jurídico intenso. De um lado, a acusação buscará comprovar o envolvimento dos policiais nos crimes; do outro, a defesa se empenhará em desconstruir as evidências, apontando para uma conspiração e a inocência dos réus. A sociedade aguarda ansiosamente o desfecho deste caso, que coloca em xeque a credibilidade de instituições e a busca pela verdade em um contexto permeado por acusações de corrupção e violência.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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