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Conselho da Paz de Trump: Acordo com Hamas, Estrutura e as Controvérsias Globais

G1

O cenário da diplomacia internacional foi recentemente abalado pela notícia de um acordo entre o Hamas e o recém-criado Conselho da Paz, uma iniciativa do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Este órgão, que já gerava debate por sua estrutura e abrangência, anunciou que o grupo palestino teria concordado com o "desarmamento total" em troca de um plano gradual para a retirada completa das forças israelenses da Faixa de Gaza. A notícia, embora descrita pelo conselho como "histórica", aguarda uma manifestação oficial de Israel, que atualmente controla grande parte do território.

A Gênese e o Mandato do Conselho da Paz

A proposta para a formação do Conselho da Paz emergiu em setembro de 2025, como pilar de um plano de paz de 20 pontos elaborado pelo governo Trump, visando pôr fim a um conflito de dois anos entre Israel e Hamas e supervisionar a subsequente reconstrução de Gaza. A iniciativa ganhou endosso por meio de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, conferindo-lhe uma camada de legitimidade global. No entanto, a carta constitutiva do conselho gerou preocupações, uma vez que sua redação não faz menção explícita a Gaza ou aos territórios palestinos, levantando o temor de que sua atuação pudesse extrapolar o escopo inicial e, potencialmente, sobrepor-se às funções tradicionais das Nações Unidas. O lançamento formal ocorreu em janeiro de 2026, à margem do Fórum Econômico Mundial em Davos.

Estrutura de Liderança e Composição Executiva

Na sua configuração atual, Donald Trump ocupa a posição de presidente vitalício do Conselho da Paz, o que lhe confere vasta autoridade decisória sobre as atividades do órgão. A adesão permanente à instituição implica o pagamento de uma taxa substancial de US$ 1 bilhão. Além do conselho principal, a estrutura é complementada por dois conselhos executivos subordinados, projetados para otimizar a governança e a execução das metas. O primeiro, o "Founding Executive Board", concentra-se em questões de alto nível relacionadas a investimentos e diplomacia. Já o "Gaza Executive Board" tem a incumbência de supervisionar as operações em campo do Comitê Nacional para a Administração de Gaza, um grupo de tecnocratas encarregados da governança temporária e da reconstrução do território. A Casa Branca enfatizou que esses conselhos têm como objetivo assegurar "governança eficaz e a prestação de serviços de excelência que promovam a paz, estabilidade e prosperidade para o povo de Gaza".

Membros do Conselho Executivo Fundador

O "Conselho Executivo Fundador", presidido por Trump, é composto por nove membros chaves que liderarão Gaza na sua próxima fase de reconstrução. Entre os integrantes notáveis estão o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio; o enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff; Jared Kushner, genro de Trump; e o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair.

Adesões Internacionais e Discordâncias Notáveis

Dos sessenta países convidados pela Casa Branca para integrar o Conselho da Paz, mais de vinte aceitaram o convite. A lista de aderentes inclui importantes nações do Oriente Médio como Israel, Catar, Arábia Saudita, Turquia e Egito. Contudo, a iniciativa enfrentou ceticismo e recusa de potências globais. Nenhum dos principais aliados europeus dos Estados Unidos, como o Reino Unido e a França, aderiu, e vários expressaram preocupações sobre uma possível sobreposição de funções com a Organização das Nações Unidas. China e Rússia também declinaram o convite, apesar de um convite pessoal feito a Vladimir Putin. O Canadá, que havia sinalizado interesse, teve seu convite retirado sem explicação, em um contexto onde Ottawa não se dispunha a pagar a taxa de adesão de US$ 1 bilhão. O Brasil, igualmente convidado, condicionou sua participação à inclusão de representantes palestinos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista, reiterou que um conselho de paz para Gaza sem a voz palestina seria "muito estranho" e havia criticado anteriormente a proposta, afirmando que Trump "queria ser dono da ONU".

Detalhes do Acordo de Desarmamento e Iniciativas de Reconstrução

A reunião inaugural do Conselho, realizada em fevereiro, foi marcada pelo anúncio de Trump de que os Estados-membros haviam comprometido um total de US$ 7 bilhões para a reconstrução de Gaza, a ser implementada após o desarmamento completo do Hamas. Em abril, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, confirmou a cooperação de sua organização com o Conselho no que tange às questões de Gaza. Mais recentemente, funcionários do Conselho revelaram a intenção de estabelecer uma zona humanitária piloto para os palestinos na região, como parte dos esforços contínuos para mitigar o sofrimento e iniciar o caminho para a recuperação do território devastado.

Perspectivas e Desafios Futuros

O Conselho da Paz de Donald Trump surge como um ator com potencial para redefinir o cenário diplomático no Oriente Médio, especialmente após o anúncio de um acordo com o Hamas. No entanto, sua legitimidade, amplitude e eficácia continuam a ser pontos de interrogação, amplificados pela ausência de pronunciamento oficial de Israel e pelas reservas de importantes nações. A colaboração com a ONU, a injeção de recursos para a reconstrução e a proposta de uma zona humanitária sinalizam um esforço concentrado, mas o caminho para uma paz duradoura e uma reconstrução efetiva em Gaza permanece complexo, permeado por tensões políticas e desafios logísticos. O futuro do Conselho da Paz e seu impacto real no conflito israelo-palestino serão determinados pela capacidade de conciliar interesses divergentes e de implementar suas ambiciosas propostas no terreno.

Fonte: https://g1.globo.com

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