O Brasil atinge um marco significativo na inclusão digital, com a proporção de usuários de internet ultrapassando a barreira dos 90% da população com 10 anos ou mais. Este avanço, revelado por dados recentes do IBGE, solidifica a presença da web no cotidiano dos brasileiros. Contudo, a pesquisa também ilumina contrastes importantes, indicando que, apesar da vasta digitalização, milhões de pessoas ainda não possuem telefone celular para uso pessoal, e uma tendência preocupante de queda na posse entre crianças começa a emergir.
Acesso à Internet no Brasil Atinge Marco Histórico
Pela primeira vez na história, o uso da internet no país atingiu 90,5% da população com 10 anos ou mais em 2025. Este dado representa cerca de 168,7 milhões de brasileiros conectados nos três meses anteriores à pesquisa. A trajetória de crescimento é notável, partindo de 66% em 2016 e alcançando 79,4% em 2019, evidenciando uma rápida expansão da conectividade ao longo da última década.
A principal porta de entrada para o universo online é o telefone celular, utilizado por 98,7% dos usuários. Outros dispositivos também contribuem significativamente para o acesso, como a televisão (57,8%), o microcomputador (33,4%) e os tablets (9,2%), demonstrando a diversificação dos meios pelos quais os brasileiros interagem com a rede.
Transformação Digital: Usos e Novas Tendências Online
A forma como os brasileiros utilizam a internet reflete uma sociedade cada vez mais digital. A comunicação pessoal se mantém no topo das atividades, com 95,3% dos usuários empregando chamadas de voz ou vídeo e 90,2% trocando mensagens de texto, áudio e imagem por aplicativos. Além disso, o entretenimento ocupa um lugar de destaque, com 89,3% assistindo a vídeos, séries e filmes, 84,9% acessando redes sociais e 83,7% ouvindo música, rádio ou podcast.
A pesquisa do IBGE também aponta uma importante evolução no comportamento do consumidor. Pela primeira vez na série histórica, mais da metade dos usuários (52,7%) declarou realizar compras ou encomendar bens e serviços pela internet, consolidando o comércio eletrônico como uma prática comum. O acesso a serviços financeiros (74,2%) e a leitura de notícias, jornais e revistas online (69,0%) complementam o cenário de um uso multifacetado da rede.
O Desafio da Conectividade: Milhões Sem Acesso a Celulares
Apesar do avanço geral no acesso à internet, persiste um contingente considerável de brasileiros que não possuem telefone celular para uso pessoal. Estima-se que, em 2025, 19,1 milhões de pessoas com 10 anos ou mais — equivalente a 10,2% da faixa etária — se encontravam nessa situação. Embora esse percentual represente uma melhoria em relação aos 18,7% registrados em 2019, ele sublinha a existência de uma lacuna significativa na inclusão digital via dispositivos móveis.
Os motivos para a ausência de um aparelho móvel são diversos. A falta de conhecimento sobre como usar o celular foi a razão mais citada (31,1%), seguida pela percepção de não necessidade (21,1%) e pelo alto custo do aparelho (14,9%). Preocupações com privacidade ou segurança (11,8%), o hábito de usar o celular de outra pessoa (10,1%), o custo elevado do serviço (1,9%) e a indisponibilidade do serviço em suas localidades (0,4%) completam o panorama das barreiras à posse de um telefone móvel pessoal.
Queda na Posse de Celulares Entre Crianças Levanta Novas Preocupações
Um dado inédito e notável na pesquisa revela uma inversão na tendência de posse de celulares entre crianças de 10 a 13 anos. Pela primeira vez desde o início da série histórica em 2016, a proporção de jovens nessa faixa etária com aparelho próprio registrou uma queda, atingindo 55,2% em 2025 – uma redução de 1,5 ponto percentual em comparação com o ano anterior.
A principal justificativa para essa retração é a crescente preocupação dos responsáveis com a privacidade e a segurança digital das crianças, apontada por 32% dos guardiões. Esse percentual teve um aumento expressivo de 7,8 pontos percentuais em relação a 2024 e quase dobrou desde 2022, indicando uma conscientização crescente sobre os riscos associados ao uso precoce e desacompanhado de dispositivos móveis por crianças.
Os dados do IBGE pintam um quadro complexo e em constante evolução da conectividade no Brasil. Se, por um lado, a internet se consolida como uma ferramenta ubíqua, acessada por uma vasta maioria para comunicação, entretenimento e serviços, por outro, os desafios da inclusão digital persistem. A permanência de milhões sem acesso a um celular pessoal e a recente queda na posse entre crianças, impulsionada por preocupações com segurança, ressaltam a necessidade de políticas públicas e iniciativas sociais que enderecem não apenas o acesso, mas também a capacitação e o uso responsável da tecnologia, garantindo que o avanço digital seja equitativo e seguro para todos.