Um devastador terremoto de magnitude 7,4, o mais potente a atingir a Colômbia neste século, sacudiu a região cafeteira do país na manhã de segunda-feira, 10 de agosto de 2026, deixando um rastro de destruição e luto. Com um balanço atualizado de 216 mortos e milhares de feridos e desabrigados, as equipes de emergência trabalham incansavelmente. Contudo, em meio ao cenário de devastação, a noite de terça-feira trouxe um raio de esperança com o resgate milagroso de uma mulher que passou mais de 35 horas presa sob os escombros, reacendendo a fé na capacidade de superação humana.
A Devastação e o Balanço Inicial do Desastre
O tremor, cujo epicentro foi localizado próximo a San José del Palmar, em Chocó, impactou severamente diversas cidades, com Pereira e Cali sendo as mais atingidas. Ruas foram transformadas em cenários de guerra, repletas de vidros estilhaçados, pedaços de muros e cabos elétricos pendurados. Inicialmente, o número de mortos ultrapassava 250, mas revisões posteriores das autoridades de Valle del Cauca e da prefeitura de Cali ajustaram o trágico total para 216. A infraestrutura sofreu danos massivos, com quadras inteiras reduzidas a ruínas e a maioria dos mais de 480 mil habitantes de Pereira ficando sem energia elétrica. A magnitude da catástrofe evoca a dolorosa memória do terremoto de 1999, que ceifou a vida de quase 1.200 pessoas na mesma zona cafeeira.
Resgates Heróicos e a Corrente de Solidariedade
Apesar da exaustão e da corrida contra o relógio, socorristas e voluntários colombianos não medem esforços na busca por sobreviventes. A terça-feira à noite marcou um momento de júbilo quando Daniela Largo, de 32 anos, foi resgatada com vida dos escombros de um hotel em Pereira, após mais de 35 horas de cativeiro. Sua mãe, Sandra Milena Pérez, relatou a AFP a reviravolta emocionante: "No momento em que estávamos perdendo as esperanças, recebemos uma ligação", após um vizinho ouvir os gritos de socorro de Daniela. O resgate foi acompanhado por aplausos e gritos de alegria, simbolizando a tenacidade da vida diante da destruição.
Além do resgate de Daniela, equipes trabalham com guindastes, cães farejadores e máquinas pesadas, enquanto milhares de voluntários formam correntes humanas, removendo detritos manualmente, com picaretas e pás. O engajamento da população é notável, com pessoas cavando com as próprias mãos e parando para escutar qualquer sinal de vida. O simples assobio de resposta de um sobrevivente, como relatou o voluntário Andrés Felipe Mejía, é o que impulsiona as brigadas, levando a resgates como o de um homem e seu neto bebê, embora a mãe da criança ainda estivesse presa.
Relatos de Sobrevivência e o Medo dos Tremores Secundários
As histórias de sobrevivência e perda se multiplicam. Beatriz Arcos, presa por quase uma hora sob o que restou de seu apartamento em Cali, descreveu a rapidez do evento e a dor física e emocional, com seu marido e mãe feridos. Muitos, como ela, esperam resgatar o mínimo de seus pertences e documentos. O medo dos tremores secundários é constante, levando milhares de famílias a dormir ao relento em parques, longe de estruturas que podem ruir. Daniel Hernández, tatuador e voluntário, descreveu a experiência como "coisa de filme… meio de terror porque está tudo escuro, mas também é muito bonito ver como as pessoas se unem", destacando a dualidade entre o horror e a solidariedade. John Tabasco, garçom de 23 anos, expressou a dor de perder tudo, mas a gratidão por estar vivo com sua esposa e filho de sete meses, relembrando "momentos de medo, pânico, psicose".
Desafios Humanitários e a Resposta Governamental
A situação humanitária nas cidades afetadas é crítica. Várias instalações hospitalares foram danificadas, forçando o atendimento de pacientes na calçada. Escolas públicas permaneceram fechadas, e abrigos improvisados foram montados em parques. Supermercados enfrentam a escassez de água e alimentos, um reflexo das dificuldades logísticas e da extensão da destruição. Em meio à adversidade, o presidente Abelardo de la Espriella, que havia tomado posse em 7 de agosto, agiu rapidamente. Ele declarou estado de emergência no país e visitou as áreas mais atingidas, anunciando medidas de apoio aos desabrigados, incluindo subsídios de moradia. A mobilização da sociedade civil é igualmente vital, com milhares de pessoas levando água, comida e suprimentos aos bairros afetados, e longas filas se formando nos centros de doação de sangue.
O terremoto na Colômbia se revela não apenas uma catástrofe natural de grande proporção, mas também um palco para a resiliência humana e a solidariedade. Enquanto as equipes de resgate continuam sua busca incansável, a recuperação será um processo longo e desafiador. Contudo, o milagre de cada vida resgatada e a união da população acendem uma chama de esperança de que, dos escombros, a Colômbia possa se reerguer, mais forte e unida.
Fonte: https://g1.globo.com