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Mercado Navega Cautela: Dólar Estabiliza no Dia, Mas Cede na Semana, Ibovespa Cai

© Valter Campanato/Agência Brasil

O cenário financeiro global e doméstico encerrou a semana dividido entre a prudência diante de novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos e a escalada de tensões no Oriente Médio. Nesta sexta-feira (24), o dólar negociou praticamente estável em relação ao real, mas registrou uma queda acumulada nos últimos cinco dias. Paralelamente, a bolsa de valores brasileira fechou em baixa significativa, influenciada pela valorização do petróleo, que recuou diante das expectativas de retomada de negociações entre Washington e Teerã.

Dólar em Estabilidade Diária, Mas Desvalorização Semanal Marcante

A moeda norte-americana encerrou o pregão de sexta-feira cotada a R$ 5,081, apresentando uma variação mínima de -0,06% no dia. Apesar da relativa estabilidade ao longo do dia, com oscilações que levaram a cotação a abrir em R$ 5,09 e atingir a mínima de R$ 5,04, o dólar acumulou uma desvalorização de 0,58% ao longo da semana, refletindo um fluxo mais favorável ao real em médio prazo.

A performance da moeda foi fortemente influenciada por fatores externos, como a entrada em vigor das novas tarifas dos Estados Unidos, que afetam uma gama de produtos de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil, com alíquotas entre 10% e 12,5%. Adicionalmente, o mercado monitorou de perto as notícias sobre uma possível reaproximação diplomática entre os EUA e o Irã, com mediação do Paquistão e apoio da China, o que injetou um certo alívio nas tensões geopolíticas e impactou a precificação dos ativos.

O real brasileiro demonstrou resiliência, superando o desempenho de outras moedas de economias emergentes na semana. Esse movimento foi impulsionado tanto pela condição do Brasil como exportador líquido de petróleo quanto pela atratividade do elevado diferencial entre as taxas de juros domésticas e as praticadas nos Estados Unidos, que continua a atrair capital financeiro para o país. Em contrapartida, o índice DXY, que acompanha o dólar frente a uma cesta de moedas fortes, permaneceu praticamente inalterado.

Ibovespa Cede à Pressão Setorial e Cenário Externo

No mercado de ações, o Ibovespa registrou uma queda de 1,52%, encerrando o pregão aos 174.041 pontos, sua mínima do dia. Apesar da desvalorização na sexta-feira, o principal índice da bolsa brasileira conseguiu acumular uma modesta alta de 0,19% na semana, indicando um desempenho misto para os investidores ao longo dos cinco dias úteis.

A retração do índice foi multifacetada. A queda nos preços do petróleo impulsionou a venda de ações de petroleiras, com investidores buscando realizar lucros recentes. Empresas do setor de mineração também sofreram, seguindo o recuo do minério de ferro. Além disso, os grandes bancos foram impactados por uma redução no fluxo de capital estrangeiro direcionado a mercados emergentes. Embora as novas tarifas dos EUA sobre o Brasil tenham sido um ponto de atenção, o mercado já avaliava que grande parte do impacto dessas medidas havia sido precificada nas semanas anteriores ao anúncio formal.

Petróleo Recua Após Picos, Mas Riscos Persistem

O mercado de petróleo, que havia visto os preços ultrapassarem a marca de US$ 100 por barril na quinta-feira pela primeira vez em meses, devolveu parte desses ganhos na sexta-feira. O barril do tipo Brent, referência internacional, fechou em US$ 96,78, com uma queda de 3,88%, enquanto o WTI, do Texas, recuou 3,12% para US$ 89,31. No entanto, apesar da correção diária, ambos os tipos de petróleo registraram ganhos significativos na semana, com o Brent subindo quase 10% e o WTI 8%.

A reversão dos preços foi majoritariamente atribuída às notícias de uma articulação diplomática liderada pela China, em conjunto com o Paquistão, para reabrir as negociações entre Estados Unidos e Irã. Essa iniciativa elevou as expectativas de uma diminuição das tensões no Oriente Médio, impactando diretamente o prêmio de risco no preço da commodity.

Apesar da correção pontual, o mercado mantém-se vigilante quanto aos riscos persistentes para a oferta global de petróleo. Os confrontos entre Estados Unidos e Irã continuam latentes, o tráfego no estratégico Estreito de Ormuz opera com capacidade reduzida, e os ataques dos Houthis no Mar Vermelho ainda representam uma ameaça constante às principais rotas marítimas de transporte de energia, sugerindo que a volatilidade pode continuar a ser uma característica do setor.

O encerramento da semana reflete um ambiente de incertezas e adaptações. Enquanto o real demonstra força relativa impulsionado por fatores macroeconômicos internos, o mercado acionário local e as commodities globais permanecem sob a influência direta das dinâmicas geopolíticas e das políticas comerciais internacionais, sinalizando a complexidade do cenário para os próximos períodos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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