Um terremoto de magnitude 7.4 abalou intensamente o oeste da Colômbia na última segunda-feira, provocando pânico generalizado e danos significativos, especialmente na região do Eixo Cafeeiro. Embora o epicentro tenha sido no município de San José del Palmar, departamento de Chocó, a cidade de Manizales, a aproximadamente 150 quilômetros de distância, sentiu a força do tremor de forma avassaladora, reacendendo memórias de eventos sísmicos passados e testando a infraestrutura local.
A Força do Tremor e o Histórico Sísmico da Região
O abalo sísmico, classificado como de alta magnitude, chocou a população e especialistas. A área do Eixo Cafeeiro, onde se situa Manizales, é conhecida por sua vulnerabilidade a fenômenos telúricos. Historicamente, a região enfrentou terremotos significativos em 1962, 1979 e 1999. Este último, ocorrido em 25 de janeiro de 1999, deixou marcas profundas na memória coletiva e impulsionou o desenvolvimento de rigorosos códigos de resistência sísmica e de construção em Manizales, uma medida crucial que, para muitos, evitou uma catástrofe ainda maior nesta recente ocasião.
Testemunho de um Sobrevivente: O Caos em Manizales
Luis Felipe Molina, jornalista e meteorologista que viveu a maior parte de sua vida em Manizales, ofereceu um relato vívido do momento do tremor. Ele, que tinha apenas seis anos durante o terremoto de 1999 e desenvolveu um profundo interesse pela ciência por trás desses eventos, descreveu a experiência atual como assustadora e sem precedentes em termos de força desde aquele ano. De seu apartamento no 17º andar, Molina testemunhou cenas de horror: 'Tudo no meu apartamento se mexia; pela janela, eu via os prédios ao meu redor balançarem de um lado para o outro. Tenho 450 livros e apenas alguns permaneceram de pé. Era possível ouvir vidros se quebrando, gritos'.
O jornalista, que estava na academia de seu prédio no início do tremor, correu para buscar refúgio em seu apartamento. Após a passagem do abalo principal, ele saiu para as ruas e se deparou com um cenário de pânico. A falta de energia elétrica e telefonia contribuiu para a incerteza e o medo de tremores secundários, levando a população a se aglomerar nas ruas em busca de segurança. Molina enfatizou a importância das normas de segurança: 'Juro a vocês que, se não fosse o código de segurança, esta cidade estaria em ruínas. Eu nunca tinha visto tanta força'.
Balanço Inicial e Desafios Pós-Sismo
O prefeito de Manizales, Jorge Eduardo Rojas, confirmou a gravidade da situação, classificando-a como 'muito trágica e muito difícil'. O balanço preliminar indicava o fechamento do aeroporto e da estrada que conecta Manizales à capital, Bogotá. Além disso, foram contabilizadas duas mortes, mais de 12 edifícios e 20 residências total ou parcialmente destruídos, vazamentos de gás e extensos danos na rede elétrica. A capacidade de resposta da cidade, embora mobilizada, estava sendo sobrecarregada pela dimensão da catástrofe.
Um dos símbolos mais icônicos de Manizales, a Catedral de Nossa Senhora do Rosário, construída na década de 1930, também sofreu danos. Embora não tenha desabado, uma de suas torres, a nordeste, foi visivelmente afetada, ecoando um incidente ocorrido em um terremoto em 1962, quando outra torre já havia caído. Apesar da idade e da ausência de resistência sísmica moderna, a estrutura da catedral se manteve de pé, um testemunho da resiliência da arquitetura local.
A Noite Pós-Terremoto e o Medo dos Tremores Secundários
A noite que se seguiu ao terremoto foi marcada pela apreensão. A população de Manizales enfrentava o desafio de lidar com a destruição e o trauma, com o medo constante de novos abalos secundários. Muitos, como Luis Felipe Molina, previam uma noite em claro, dominada pela preocupação. A magnitude do tremor e suas consequências deixaram uma marca indelével, reforçando a necessidade contínua de preparo e resiliência em uma região geologicamente tão ativa.
Fonte: https://g1.globo.com