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Casal Acusado de Abusos em ‘Mansão dos Horrores’: Mais de 14 Crianças por Barriga de Aluguel Vítimas na Califórnia

G1

Um caso chocante veio à tona na Califórnia, envolvendo um casal acusado de uma série de crimes graves, incluindo abuso infantil contra mais de 14 crianças nascidas por meio de barrigas de aluguel e coação de testemunhas. Guojun Xuan, de 66 anos, e Silvia Zhang, de 39, foram detidos em sua opulenta mansão na cidade de Arcadia, que o promotor distrital de Los Angeles, Nathan J. Hochman, descreveu como uma verdadeira 'casa dos horrores'. A gravidade das alegações é sublinhada pela tenra idade de algumas vítimas, com bebês de apenas dois meses entre os supostamente agredidos, o que levou Hochman a declarar o número de crianças envolvidas como 'sem precedentes'.

A Descoberta na Mansão de Arcadia

A investigação que culminou na prisão de Xuan e Zhang, na terça-feira (6/10), revelou um ambiente perturbador dentro de sua residência. As autoridades, ao fazerem uma busca no local, descobriram três cômodos distintos denominados 'centros de aprendizagem', onde diversas babás supervisionavam as crianças. A mansão estava equipada com impressionantes 32 câmeras com sensores de movimento, que, segundo a acusação, eram utilizadas pelo casal para monitorar e controlar a disciplina imposta aos menores. Imagens de segurança teriam capturado cenas das babás agredindo as crianças com palmadas, tapas e golpes, evidenciando um padrão de maus-tratos generalizado.

O Envolvimento com Gestação por Substituição e a Rede de Enganação

O casal não apenas vivia com um grande número de crianças, mas também operava sua própria empresa de gestação por substituição. As acusações apontam que Xuan e Zhang teriam enganado pelo menos duas mulheres para se tornarem mães substitutas, alegando que Silvia Zhang tinha dificuldades para conceber. Os investigadores suspeitam que as mães substitutas, provenientes de várias partes do país, não tinham conhecimento de que estavam gestando embriões diferentes para o mesmo casal simultaneamente. Um documento interno de Silvia Zhang, datado de maio de 2025, registrava a existência de 21 crianças, incluindo as nascidas por barriga de aluguel, o que demonstra a complexidade e a escala do esquema.

Início da Investigação e a Figura da Babá Acusada

O ponto de partida da investigação se deu em maio de 2025, quando Silvia Zhang levou um menino de dois meses a um hospital com uma lesão na cabeça, alegando que o bebê havia caído da cama. A equipe médica, desconfiada, alertou as autoridades. Uma das babás, Chunmei Li, de 58 anos, foi especificamente acusada de agredir o bebê de dois meses que sofreu a lesão na cabeça, dois dias antes de ser hospitalizado. Li já tinha um histórico preocupante, com uma acusação anterior de abuso infantil em condições que poderiam ter causado lesões corporais graves ou até a morte da criança. O promotor Hochman revelou que Chunmei Li estava foragida e tinha um mandado de prisão em aberto contra ela.

A Defesa do Casal e as Consequências Legais

Apesar das acusações esmagadoras, Guojun Xuan e Silvia Zhang declararam-se inocentes perante a Justiça de Pasadena. O advogado do casal, Mitchell Krems, classificou a acusação como uma 'descaracterização' baseada nas evidências que analisou, e argumentou que seu cliente estaria sendo 'atacado por exercer seu direito constitucional de ter uma família numerosa'. Em julho de 2025, as autoridades agiram, colocando 21 crianças, com idades entre dois meses e 13 anos, sob custódia do Estado. Dessas, 15 foram retiradas diretamente da mansão e outras seis, que viviam em outros locais, também foram acolhidas. A advogada Melissa Brisman, representando duas das mães substitutas, elogiou as ações, destacando a importância de responsabilizar aqueles que abusam do sistema de gestação por substituição.

Caso sejam considerados culpados das múltiplas acusações, os réus enfrentarão penas severas. Guojun Xuan poderá ser condenado a até 17 anos e quatro meses de prisão estadual, enquanto Silvia Zhang pode pegar até 11 anos e oito meses. Chunmei Li, a babá acusada, enfrenta uma pena potencial de até 12 anos de reclusão. O caso continua a se desenrolar, levantando sérias questões sobre a segurança de crianças em situações de gestação por substituição e a vigilância necessária para prevenir abusos.

Fonte: https://g1.globo.com

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