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Além de Ormuz: O Estreito de Bab el-Mandeb, o Novo Epicentro de Tensão Global com Risco de Bloqueio

G1

Em um cenário global já abalado pela instabilidade geopolítica e pela crise energética no Oriente Médio, um segundo ponto estratégico vital para o fluxo de petróleo e comércio mundial emerge como um novo foco de preocupação: o Estreito de Bab el-Mandeb. Localizado entre o Iêmen, Djibuti e Eritreia, esta passagem marítima está agora sob a mira de ameaças de bloqueio por parte de forças apoiadas pelo Irã, adicionando uma camada perigosa à já precária situação da economia global, que atualmente lida com a interrupção no Estreito de Ormuz.

A escalada das tensões na região levanta o alerta para o impacto potencial sobre os mercados globais de energia e as cadeias de suprimentos, caso mais uma rota marítima crucial seja comprometida. Enquanto o mundo observa de perto os desdobramentos, a possibilidade de um bloqueio no Bab el-Mandeb ameaça agravar uma crise econômica já em curso, com repercussões que se estenderiam muito além das fronteiras do Oriente Médio.

O Estreito de Bab el-Mandeb: Uma Passagem Vital para o Comércio Global

Situado na entrada do Mar Vermelho, o Estreito de Bab el-Mandeb representa um gargalo marítimo indispensável para o tráfego de navios que se dirigem ao Canal de Suez. Por esta estreita faixa de água, flui aproximadamente 12% de todo o petróleo comercializado por via marítima no mundo, tornando-o um elo insubstituível na logística global de energia. Recentemente, sua importância cresceu ainda mais ao servir como uma rota alternativa para o escoamento de petróleo do Oriente Médio, em resposta às dificuldades enfrentadas no Estreito de Ormuz.

Não é à toa que Bab el-Mandeb, em árabe, significa 'o portão das lágrimas' ou 'o portão da dor'. O nome é uma referência aos perigos históricos – desde desafiadoras correntes e ventos até a pirataria e conflitos – que há milênios assombram os navegadores que o atravessam, conectando o Oceano Índico ao Mar Vermelho. Apesar do avanço tecnológico, alguns desses perigos persistem até os dias atuais, com a instabilidade política na região continuamente ameaçando a segurança da navegação.

Escalada das Ameaças e a Atuação dos Houthis

As recentes advertências de um possível bloqueio do Estreito de Bab el-Mandeb partiram do Irã, que, através de sua agência semioficial Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, indicou a prontidão dos houthis, grupo armado do Iêmen apoiado por Teerã. Uma fonte militar iraniana declarou à agência que os houthis, parte das 'forças de resistência', estariam 'totalmente preparados' para controlar o estreito, caso seja necessário 'punir ainda mais o inimigo', sugerindo que fechar a rota seria uma 'tarefa fácil' para eles.

Essa retórica beligerante foi precedida por uma advertência explícita também publicada pela Tasnim, que alertava os Estados Unidos a considerarem as consequências de suas ações no Estreito de Ormuz, para evitar a 'adição de outro estreito aos seus problemas'. As tensões foram exacerbadas no sábado (28/03), quando os houthis lançaram um ataque de mísseis contra Israel, o primeiro desde o início do conflito na região, buscando atingir 'alvos militares israelenses sensíveis', embora Israel tenha confirmado a interceptação do projétil.

Líderes houthis têm reforçado as ameaças. Abdul Malik Al-Houthi já havia declarado que o grupo responderia militarmente a ataques dos EUA e de Israel. De forma anônima, outro dirigente houthi confirmou à Reuters que estão 'militarmente prontos' para atacar Bab el-Mandeb em apoio a Teerã, afirmando que a decisão sobre o momento da ação caberá à liderança, que monitora os desenvolvimentos. Diante dessas declarações, os Estados Unidos emitiram um alerta sobre a possibilidade de ataques do grupo terrorista houthi na região, ressaltando que, embora não tenham atacado navios comerciais desde o cessar-fogo entre Israel e Gaza em outubro de 2025, a ameaça persiste para ativos americanos, incluindo embarcações comerciais.

Impacto Econômico e o Duplo Desafio nos Estreitos

A ameaça de um bloqueio no Estreito de Bab el-Mandeb surge em um momento de extrema fragilidade para os mercados globais, já pressionados pela situação crítica no Estreito de Ormuz. Esta outra rota vital, por onde transita cerca de 20% do petróleo consumido mundialmente, tem enfrentado interrupções que dificultam a passagem de navios. O impacto de Ormuz já se fez sentir nos preços do petróleo Brent, que saltaram de cerca de US$ 70 por barril antes da crise para mais de US$ 100, afetando o comércio global de uma vasta gama de produtos, desde bens de consumo a matérias-primas agrícolas.

A interrupção do transporte marítimo em Bab el-Mandeb, um cenário que já se concretizou entre 2023 e 2025 com ataques houthis a navios comerciais em resposta à guerra em Gaza, forçando muitas empresas a desviar suas rotas pelo sul da África até um cessar-fogo mediado pelos EUA, agravaria exponencialmente a crise atual. Um eventual bloqueio hoje poderia elevar ainda mais os preços do petróleo e intensificar o impacto econômico do conflito na região, gerando um efeito dominó sobre a inflação global e a estabilidade das cadeias de suprimentos, que já operam sob estresse considerável.

A perspectiva de dois dos mais importantes estreitos do mundo estarem sob ameaça ou interrupção simultânea representa um desafio sem precedentes para a segurança energética e o comércio internacional. A comunidade global observa com apreensão a evolução da situação, ciente de que qualquer escalada no Bab el-Mandeb terá consequências profundas e generalizadas, exacerbando a já complexa dinâmica econômica e geopolítica mundial.

Fonte: https://g1.globo.com

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