PUBLICIDADE

Nobel da Paz Narges Mohammadi é Transferida para Hospital em Teerã em Meio a Crise de Saúde

G1

A renomada ativista iraniana e laureada com o Prêmio Nobel da Paz, Narges Mohammadi, foi finalmente transferida para um hospital em Teerã. A mudança ocorre após mais de uma semana de sua internação inicial e dias de apelos crescentes de sua família e fundação, que descreveram seu estado de saúde como crítico. Este desenvolvimento, embora ofereça um alívio temporário, reacende o debate global sobre as condições dos prisioneiros políticos no Irã e a necessidade urgente de cuidados especializados para a ativista.

A Transferência Condicional e as Exigências da Família

A transferência de Mohammadi, detida na prisão de Zanjan desde dezembro, foi formalizada após a Organização de Medicina Legal – um conselho de médicos legistas indicados pelo governo – emitir uma decisão oficial. Conforme revelado pelo advogado de Mohammadi, Mostafa Nili, as múltiplas doenças da ativista exigem tratamento contínuo fora da prisão, sob a supervisão de sua própria equipe médica. Antes de sua chegada a Teerã, Mohammadi havia sido levada para um hospital local em 1º de maio, após sofrer duas perdas de consciência.

Apesar da medida, a fundação de Mohammadi esclareceu que a ativista obteve uma suspensão condicional da pena de prisão sob fiança, cuja duração exata não foi informada. Para a fundação, essa suspensão é insuficiente, e o clamor é por "cuidados permanentes e especializados". A nota divulgada reforça a necessidade de garantir que ela jamais retorne ao cárcere para cumprir os 18 anos restantes de sua sentença, exigindo sua liberdade incondicional e a retirada de todas as acusações.

Detalhes Preocupantes do Histórico de Saúde no Cárcere

A saúde de Narges Mohammadi tem sido motivo de grande apreensão. Sua família reportou um deterioramento significativo de sua condição na prisão, agravado por um ataque cardíaco sofrido em março. Além disso, a ativista convive com um coágulo sanguíneo no pulmão desde antes de sua prisão, necessitando de anticoagulantes e monitoramento constante. Há também alegações de que ela foi "brutalmente espancada" durante sua detenção inicial na cidade de Mashhad, evento que deu início à sua atual prisão.

Seu irmão, Hamidreza Mohammadi, que reside em Oslo, Noruega, descreveu o quadro anterior à transferência, revelando que a pressão arterial de Narges oscilava entre níveis extremamente baixos e altos enquanto estava na unidade de terapia intensiva cardíaca em Zanjan. Ela recebia oxigênio para respirar e, em determinado momento, não conseguia falar. Hamidreza também mencionou que médicos legistas haviam recomendado anteriormente sua transferência para Teerã, mas a decisão foi barrada, e ele responsabilizou a agência de inteligência do Irã pelo bloqueio.

Pressão Internacional e o Silêncio Oficial

A ativista de direitos humanos e defensora dos direitos das mulheres, de 53 anos, foi agraciada com o Prêmio Nobel da Paz em 2023 enquanto estava detida, um reconhecimento global de sua incansável luta. O Comitê Nobel, ciente de sua situação médica crítica, já havia solicitado publicamente às autoridades iranianas que a transferissem imediatamente para sua equipe médica dedicada em Teerã, alertando que "sem esse tratamento, sua vida continua em risco".

Apesar do alívio temporário da família pela transferência, a falta de comentários imediatos das autoridades iranianas sobre a situação de Mohammadi ou sobre as exigências de sua libertação incondicional mantém a tensão. A comunidade internacional, junto aos defensores dos direitos humanos, permanece vigilante, esperando que a notoriedade de Mohammadi como laureada com o Nobel possa finalmente garantir sua segurança, seu acesso a tratamento adequado e sua liberdade plena.

A transferência de Narges Mohammadi para um hospital em Teerã, embora um passo positivo em meio à sua deterioração de saúde, sublinha a urgência de sua situação. A batalha agora se move para a garantia de sua liberdade incondicional e o acesso irrestrito a cuidados médicos especializados, longe das restrições carcerárias que agravaram sua condição. O mundo observa, com a esperança de que a justiça e a humanidade prevaleçam para uma das vozes mais proeminentes da luta por direitos no Irã.

Fonte: https://g1.globo.com

Leia mais

PUBLICIDADE