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Colômbia Rumo ao Segundo Turno: Direita Lidera em Disputa Acirrada pela Presidência

G1

A corrida presidencial na Colômbia confirmou seu destino para um segundo turno, após nenhum dos candidatos alcançar a maioria absoluta de votos no pleito realizado no último domingo, dia 31. Com 98% das urnas apuradas, o candidato de direita, Abelardo de la Espriella, emergiu na liderança, conquistando 43,7% dos sufrágios. Ele enfrentará o esquerdista Ivan Cepeda, que obteve 40,90% do total de votos, em uma disputa que promete ser polarizada e de margem apertada.

A Disputa no Primeiro Turno e os Protagonistas

Embora Ivan Cepeda aparecesse à frente em pesquisas anteriores, foi De la Espriella quem consolidou a maior parcela dos votos válidos no primeiro turno. A performance de ambos os candidatos, que já eram apontados como favoritos, levou a nação a um novo confronto eleitoral. De la Espriella, representante da direita, e Cepeda, alinhado à esquerda governista, agora se preparam para uma campanha final focada nas profundas divisões políticas do país.

Segurança Pública: O Eixo da Campanha Eleitoral

O tema da segurança pública dominou o debate eleitoral e é a principal preocupação de 40% da população colombiana, segundo pesquisa do instituto Invamer. Este cenário impulsionou a ascensão de Abelardo de la Espriella, que propõe uma ofensiva militar contundente e a construção de dez megaprisões para combater o crime. De la Espriella, admirador de figuras como Donald Trump e Nayib Bukele, é categórico ao afirmar que seu governo não negociará processos de paz com criminosos, prometendo ações enérgicas para eliminá-los, conforme a lei.

Por outro lado, Ivan Cepeda busca resolver a questão da criminalidade por meio do diálogo. Ele destaca sua experiência nas negociações de paz que culminaram no acordo com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em 2016, que levou ao desarmamento da guerrilha. Contudo, apesar do acordo, grupos dissidentes das Farc persistem e são responsáveis por parte da violência no país, disputando controle territorial e lucros de atividades como narcotráfico e mineração ilegal. Críticos da direita argumentam que a política de 'paz total' falhou, permitindo que organizações armadas se fortalecessem durante as negociações.

Visões de Governo: Economia e Reformas Sociais

Ivan Cepeda defende a continuidade das políticas sociais implementadas pelo atual governo de Gustavo Petro, que, apesar de ter herdado uma economia fragilizada pela pandemia, conseguiu aumentar o salário mínimo nominal em 75% e reduzir o desemprego. No entanto, essas medidas levaram a um aumento do déficit fiscal, gerando preocupações sobre a sustentabilidade do financiamento de programas sociais, e algumas propostas de Petro foram barradas pelo Congresso. Curiosamente, a economia e o desemprego aparecem apenas em quarto lugar nas preocupações dos eleitores, segundo a pesquisa Invamer, demonstrando que a segurança é a questão mais premente.

O foco de De la Espriella, por sua vez, está mais centrado na ordem e segurança, com menos ênfase explícita em programas sociais nos moldes da gestão atual. Suas propostas econômicas tendem a se alinhar com a livre iniciativa, mas seu discurso rigoroso sobre a criminalidade pode sinalizar uma menor tolerância a gastos públicos em áreas não diretamente ligadas à repressão.

Riscos à Democracia: Alertas de Analistas

A polarização da campanha também levantou preocupações sobre o impacto das propostas dos candidatos nas instituições democráticas do país. O economista e analista político Jorge Restrepo, da Universidade Javeriana de Bogotá, alertou em entrevista à RFI que ambos os lados, tanto a esquerda quanto a ultradireita, utilizam discursos que podem apresentar riscos ao sistema democrático colombiano. Ele cita como exemplo as declarações de Abelardo de la Espriella, que questiona garantias judiciais, direitos humanos e a livre iniciativa ao propor uma repressão agressiva ao crime, sugerindo que tais posturas 'podem esconder traços de autoritarismo'.

No que tange a Ivan Cepeda, Restrepo expressa preocupação com sua proposta de convocar uma Assembleia Constituinte para alterar a Constituição, caso o Congresso rejeite reformas sociais de seu governo. O analista interpreta essa medida como uma tentativa de 'impor-se com uma nova Constituição' se um dos poderes não aceitar as reformas, o que, para ele, também sinaliza um desequilíbrio potencial na divisão de poderes.

O Desafio da Governabilidade no Próximo Mandato

Independentemente de quem vença o segundo turno, o próximo presidente colombiano enfrentará um cenário político desafiador. As eleições legislativas de março já demonstraram que o Congresso continuará fragmentado, replicando a situação vivenciada durante o governo Petro. Embora o Pacto Histórico, partido de Petro e Cepeda, tenha se mantido como a maior força política, ele está longe de possuir maioria própria. Simultaneamente, o Centro Democrático, legenda de direita, expandiu sua representação, indicando um equilíbrio de forças que exigirá grande capacidade de articulação política para governar e implementar as propostas apresentadas.

Fonte: https://g1.globo.com

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