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A Virada no Caso Henry: Como Mensagens da Babá Exporam Anos de Agressões

© Tomaz Silva/Agência Brasil

O segundo dia do julgamento da morte do pequeno Henry Borel, ocorrida em março de 2021, trouxe à tona detalhes cruciais que mudaram o rumo da investigação. O delegado Edson Henrique Damasceno, então titular da delegacia responsável pelo caso, revelou nesta terça-feira (26) que a análise de capturas de tela de mensagens do celular da babá da criança foi determinante para desmascarar o que ele descreveu como uma 'farsa' por trás do falecimento do menino. Segundo Damasceno, sem essas evidências digitais, a verdade poderia ter permanecido oculta.

Da Versão do Acidente às Lesões Incompatíveis

Inicialmente, a morte de Henry, de apenas 4 anos, foi reportada à 16ª Delegacia Policial, na Barra da Tijuca, como um acidente doméstico. No entanto, o delegado Damasceno, ao ter acesso às primeiras informações do laudo cadavérico, percebeu que a extensão e gravidade das lesões apontavam para uma realidade distinta. O corpo de Henry apresentava ferimentos sérios em órgãos como rim, pulmão, cabeça e fígado, além de equimoses (manchas roxas), evidências incompatíveis com uma simples queda.

O então casal, Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, e Monique Medeiros, padrasto e mãe da criança e acusados pela morte, mantinha a versão de um acidente por queda da cama e afirmava ter uma relação familiar harmoniosa. Contudo, uma reprodução simulada realizada na residência do casal demonstrou que as lesões de Henry eram inconsistentes com a narrativa apresentada, confirmando a convicção de que o menino foi vítima de agressões que culminaram em sua morte, conforme atestado por um laudo assinado por oito peritos.

As Revelações dos Prints do Celular da Babá

A virada decisiva na investigação ocorreu com o acesso aos 'prints' de mensagens extraídas do celular de Thayná de Oliveira Ferreira, babá de Henry. As conversas de Thayná com Monique e com seu namorado revelaram um histórico de violência de Jairinho contra a criança, contrariando o depoimento inicial da babá. Essas mensagens demonstraram que o menino sofria agressões na residência do casal, expondo a fragilidade das declarações anteriores.

Um dos diálogos mais perturbadores entre a babá e a mãe descreve um episódio em que Henry foi trancado em um quarto com Jairinho e, ao sair, mancava e reclamava de dor na cabeça. A babá chegou a pedir para Monique retornar para casa, mas a mãe só o fez cerca de duas horas e meia depois, pois estava em um salão de beleza. Em 13 de fevereiro, antes da morte, Henry foi levado a um hospital por Monique com queixas de dores e mancar, sendo novamente atribuído a uma queda da cama, a mesma versão fornecida para o dia de sua morte.

O Papel de Monique Medeiros e a Manipulação de Evidências

Para o delegado, as mensagens foram uma confirmação irrefutável de que Monique Medeiros tinha plena ciência das agressões sofridas pelo filho. Longe de uma posição de submissão, outros diálogos indicaram que Monique confrontava Jairinho, inclusive ameaçando prejudicá-lo caso não recebesse seus pagamentos. Essa constatação desfez a imagem de uma mulher coagida, revelando seu envolvimento ativo na dinâmica familiar.

Além disso, as investigações apontaram que pessoas próximas a Henry, incluindo a babá, a avó e a empregada doméstica, teriam sido 'treinadas para mentir' por um escritório de advocacia que inicialmente defendeu o casal. Monique, inclusive, teria orientado a babá a apagar mensagens do celular. Para recuperar os conteúdos deletados, a perícia utilizou o software israelense Cellebrite, uma ferramenta exclusiva de autoridades capaz de restaurar dados apagados de aplicativos como o WhatsApp, crucial para a elucidação do caso.

O Julgamento em Andamento e a Busca por Justiça

Durante o depoimento detalhado no Tribunal do Júri, Dr. Jairinho manteve uma expressão séria, conversando ocasionalmente com seus advogados. Monique, por sua vez, foi vista em diversos momentos com a cabeça baixa, apoiada pelas mãos, enquanto a magnitude das provas era apresentada. O testemunho do delegado Edson Henrique Damasceno, com as evidências digitais do celular da babá, representa um pilar fundamental na acusação contra Jairinho e Monique, que buscam responsabilização pela trágica morte de Henry Borel. A sociedade acompanha atenta o desdobramento deste que se tornou um dos casos de maior repercussão no país, na expectativa de que a justiça seja plenamente cumprida.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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