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Alemanha Acusa Kiev de Orquestrar Sabotagem nos Gasodutos Nord Stream

G1

O Ministério Público Federal da Alemanha fez uma acusação formal e inédita nesta quinta-feira (2), apontando diretamente para autoridades estatais ucranianas como mandantes da sabotagem dos gasodutos Nord Stream, ocorrida em setembro de 2022. Os dutos submarinos, cruciais para o fornecimento de gás russo à Europa, foram alvos de explosões que causaram vazamentos massivos, marcando um ponto de inflexão na segurança energética do continente em meio à guerra na Ucrânia.

Esta é a primeira vez que a investigação alemã associa as explosões, inicialmente suspeitas de sabotagem, a um governo estrangeiro. A acusação formaliza a suspeita de que a interrupção permanente do fluxo de gás e a privação de receitas para o esforço de guerra russo eram os principais objetivos do ataque.

A Acusação Formal e os Motivos Alegados

Os promotores federais alemães afirmam ter evidências de que um cidadão ucraniano, supostamente ligado às explosões dos Nord Stream 1 e 2, “agiu a mando de autoridades estatais ucranianas”. A intenção seria impedir que a Rússia continuasse a monetizar o comércio de gás natural, um financiamento vital para suas operações militares. O suspeito foi formalmente acusado pela Justiça alemã de cumplicidade em crime de guerra, interrupção de serviços públicos, provocação de explosão e destruição de infraestrutura.

Até o momento, o governo de Volodymyr Zelensky não se pronunciou publicamente sobre as graves alegações feitas pelo Ministério Público alemão, mantendo silêncio sobre o envolvimento de suas autoridades.

A Operação Submarina e o Principal Suspeito

A investigação alemã detalha a participação de um ucraniano, identificado apenas como Serhii K., que teria liderado uma equipe especializada. Segundo os promotores, ele entrou na Alemanha utilizando um passaporte ucraniano falsificado e, em seguida, alugou um iate com documentos de identidade igualmente falsos. A embarcação foi utilizada para transportar grandes volumes de explosivos de alta potência, apropriados para uso militar.

O grupo de Serhii K., composto por mergulhadores profissionais e um especialista em explosivos, navegou por águas internacionais até uma localidade próxima à ilha dinamarquesa de Bornholm. Lá, os explosivos foram fixados nos gasodutos submarinos, culminando nas detonações que causaram os vazamentos no final de setembro de 2022.

Implicações e Jurisdição Alemã

Serhii K. foi detido na Itália em agosto de 2023 e subsequently transferido para a Alemanha em novembro do mesmo ano, onde permanece sob custódia, embora negue veementemente qualquer envolvimento com as explosões. A decisão dos tribunais alemães de assumir a jurisdição sobre o caso fundamenta-se no fato de que os gasodutos danificados terminam em Lubmin, no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, e sua destruição teve um impacto direto e significativo na segurança energética e interna da Alemanha.

Os gasodutos Nord Stream 1 e 2, construídos sob o Mar Báltico, eram as principais artérias para o transporte de gás natural da Rússia para a Alemanha, de onde era distribuído para outros países europeus. O ataque não apenas interrompeu o fluxo de gás russo para a Europa, mas também acelerou uma profunda transformação no consumo e na busca por novas fontes de energia pelos países da União Europeia.

Cenário Pós-Sabotagem e o Futuro da Investigação

A formalização desta acusação pelo Ministério Público alemão eleva a complexidade do cenário geopolítico da guerra na Ucrânia, adicionando uma dimensão de envolvimento estatal em um ato de sabotagem de infraestrutura crítica. A investigação prossegue, e o desdobramento deste caso terá implicações significativas para as relações internacionais e a busca por responsabilidades em um dos atos mais misteriosos e impactantes da recente história europeia. A Europa continua a reconfigurar sua matriz energética, agora sob a sombra de uma vulnerabilidade estratégica exposta.

Fonte: https://g1.globo.com

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