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Justiça do Alasca Rejeita Ação de Trump e Mantém Autonomia Eleitoral em Disputa Chave para o Senado

G1

Em um revés significativo para os esforços de ampliação da influência federal sobre eleições estaduais, uma juíza federal no Alasca indeferiu neste domingo (1º) uma ação movida pelo governo do ex-presidente Donald Trump. A medida buscava impedir o estado de certificar os resultados da eleição de meio de mandato, caso votos destinados a um candidato com o mesmo nome do senador republicano Dan Sullivan pudessem alterar o desfecho da disputa pelo Senado. A decisão ressalta a autonomia dos estados na administração de seus processos eleitorais, um princípio fundamental da Constituição dos Estados Unidos.

A corrida entre o atual senador Dan S. Sullivan e a ex-deputada federal democrata Mary Peltola é considerada crucial para definir o controle do Senado, tornando o escrutínio sobre a integridade e a lisura do processo ainda mais intenso. A intervenção da administração Trump, percebida por críticos como uma intromissão excessiva, adicionou uma camada de complexidade a um cenário eleitoral já incomum.

A Batalha Judicial e o Alcance da Supervisão Federal

A decisão da juíza federal Sharon Gleason, proferida em Anchorage, representou um obstáculo à postura crescentemente agressiva da administração Trump em matéria de supervisão eleitoral. O governo federal vinha pressionando os estados para a obtenção de dados de registro de eleitores e defendendo a necessidade de medidas mais rigorosas para garantir a confiança pública no sistema de votação. Críticos, incluindo autoridades eleitorais de ambos os partidos, viam essas iniciativas como uma extrapolação das prerrogativas federais, defendendo que a gestão eleitoral é, por designação constitucional, uma responsabilidade dos estados. O processo judicial visava especificamente o cenário no Alasca, onde a existência de dois candidatos com o nome 'Dan Sullivan' na cédula de votação gerou questionamentos por parte do governo Trump, que temia uma possível confusão eleitoral capaz de influenciar o resultado final.

A Estratégia de Nomes Semelhantes e as Acusações de Manipulação

Um ponto central da controvérsia que precede a eleição é uma alegada estratégia investigada e divulgada pelo *New York Times*. Segundo a reportagem, membros da campanha da democrata Mary Peltola teriam iniciado, meses antes da eleição de meio de mandato, uma busca por indivíduos chamados Dan Sullivan no Alasca, com o objetivo de persuadi-los a entrar na disputa pelo Senado. Essa iniciativa, baseada em entrevistas, mensagens de texto e documentos, supostamente envolveria a equipe de Peltola, advogados e funcionários do Comitê de Campanhas Democratas para o Senado (DSCC), órgão responsável pela estratégia do partido em disputas nacionais.

A investigação apontou que o grupo também teria considerado a formação de um novo partido político para atrair eleitores conservadores e, assim, fragmentar o apoio ao senador republicano. Elisa Rios, ex-gerente de campanha de Peltola que foi demitida em agosto, afirmou ao *New York Times* que a democrata estava ciente da iniciativa. Tanto o DSCC quanto a campanha de Peltola negaram veementemente qualquer envolvimento com a candidatura dos dois 'Sullivan', com o DSCC acusando os republicanos de apoiarem táticas similares em outras eleições.

O Cenário Eleitoral e os Dois Sullivans na Cédula

O peculiar sistema eleitoral do Alasca permitiu que dois candidatos com o nome 'Dan Sullivan' aparecessem na cédula da eleição geral. Nas primárias realizadas em agosto, Mary Peltola alcançou a primeira posição com 49,5% dos votos, enquanto o senador Dan S. Sullivan ficou em segundo, com 41,4%. Daniel J. Sullivan Jr., um professor aposentado que reside em uma pequena comunidade pesqueira, recebeu 2,5% dos votos, totalizando 4.107 sufrágios. As regras eleitorais do Alasca estipulam que os quatro candidatos mais votados nas primárias avançam para a eleição geral, explicando a presença de ambos os 'Sullivan' como concorrentes à mesma vaga.

Daniel J. Sullivan Jr. negou categoricamente, em entrevistas a veículos americanos, que sua entrada na disputa tivesse o objetivo de confundir eleitores ou de subtrair votos do senador republicano, reforçando a complexidade do cenário e a individualidade de sua candidatura.

Implicações e o Futuro da Contagem de Votos

A decisão da juíza federal tem implicações diretas para a certificação dos resultados no Alasca, garantindo que o processo ocorra sob a jurisdição estadual, livre da intervenção federal solicitada. Este desfecho reafirma a separação de poderes e a responsabilidade primária dos estados na condução de suas eleições, mesmo diante de disputas acaloradas e estratégias eleitorais incomuns.

A corrida pelo Senado no Alasca permanece como um dos focos de atenção nacional, não apenas por sua relevância para o equilíbrio de poder no Congresso, mas também por ter se tornado um palco para debates mais amplos sobre a integridade eleitoral, a supervisão governamental e as táticas de campanha em um ambiente político polarizado. O Alasca, com seu sistema eleitoral único e uma disputa singular, continuará a ser observado de perto até a certificação final dos votos.

Fonte: https://g1.globo.com

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