O vice-ministro das Relações Exteriores da Coreia do Norte, Kim Son Gyong, marcou presença na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova York, no dia 28 de setembro de 2026, com uma aparição que combinou forte simbolismo e declarações geopolíticas incisivas. Durante seu discurso, o diplomata exibiu um broche com os rostos dos antigos líderes do país, seu pai e avô, enquanto reafirmava a inabalável posição de Pyongyang como potência nuclear, um status que, segundo ele, é irreversível e fundamental para a soberania nacional.
Simbolismo da Liderança Dinástica em Destaque
A vestimenta do vice-ministro Kim Son Gyong incluiu um notável broche que carregava as imagens de Kim Jong Il, pai do atual líder Kim Jong Un, e de Kim Il Sung, avô do governante vigente. Estes dois ex-mandatários são reverenciados na Coreia do Norte como "líderes eternos". O uso de tais adereços transcende o mero ornamento, constituindo uma parte quase obrigatória do traje oficial de autoridades e representantes do regime, servindo como um constante lembrete da continuidade e da veneração à dinastia Kim, que governa o país ininterruptamente desde sua fundação em 1948. Kim Il Sung liderou a Coreia do Norte até seu falecimento em 1994, sendo sucedido por seu filho, Kim Jong Il. Após a morte deste último em 2011, seu filho, Kim Jong Un, assumiu o comando, consolidando a terceira geração de uma linhagem política singular.
Pyongyang Reafirma Inflexível Posição Nuclear
Em sua intervenção perante a comunidade internacional, o vice-ministro norte-coreano não hesitou em reiterar que o status nuclear de seu país é "permanente" e absolutamente inquestionável. Kim Son Gyong enfatizou que o arsenal atômico de Pyongyang é uma necessidade intrínseca para a salvaguarda da soberania e da segurança nacional. Ele deixou claro que a Coreia do Norte manterá e fortalecerá sua capacidade de dissuasão como uma medida indispensável diante de quaisquer ameaças externas, sublinhando a determinação do regime em não ceder à pressão internacional sobre seu programa de armas atômicas.
Alertas Sobre a Escalada de Tensão Regional
No decorrer de sua fala, o representante norte-coreano dirigiu críticas contundentes aos Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul, acusando-os de intensificar as tensões na Península Coreana. Ele apontou os exercícios militares conjuntos, como o "Freedom Shield" e o "Freedom Edge", realizados pelos três países, como exemplos de ações que simulariam cenários de guerra contra a Coreia do Norte. O diplomata alegou que Washington estaria orquestrando a transformação da aliança trilateral entre os Estados Unidos, Tóquio e Seul em um bloco com características "mais ofensivas e agressivas", incluindo um preocupante componente nuclear.
Críticas Direcionadas ao Rearmamento Japonês
O vice-ministro dedicou uma parte significativa de sua manifestação a expressar desaprovação ao Japão. Kim Son Gyong criticou o aumento dos gastos militares japoneses e o desenvolvimento de armas de longo alcance pelo país. Segundo o representante, Tóquio estaria aproveitando o contexto internacional atual para acelerar seu processo de rearmamento, promovendo mudanças na estrutura militar japonesa e revisando suas políticas de defesa, movimentos que Pyongyang considera desestabilizadores para a região.
Apesar das severas críticas aos seus vizinhos e aos Estados Unidos, Kim Son Gyong concluiu afirmando que a ausência de um conflito armado na Península Coreana se deve, paradoxalmente, à capacidade militar da Coreia do Norte. Em sua visão, essa força bélica teria estabelecido um equilíbrio de poder que, por si só, é suficiente para prevenir um ataque. Essa declaração encapsula a postura desafiadora de Pyongyang, que se projeta como um pilar de estabilidade regional, mesmo em meio a crescentes tensões e condenações internacionais ao seu programa nuclear e de mísseis.
Fonte: https://g1.globo.com