A Rússia anunciou os resultados finais de suas eleições legislativas recentes, que confirmaram uma vitória avassaladora para o partido Rússia Unida, do presidente Vladimir Putin. O pleito, realizado em um contexto de intensa polarização política e conflito armado, não apenas consolidou o poder do Kremlin na câmara baixa do Parlamento, a Duma, mas também marcou a significativa eleição de 46 soldados e veteranos da guerra na Ucrânia para cargos de deputados.
A Comissão Eleitoral Central divulgou que o partido governista assegurou um número recorde de cadeiras, refletindo um cenário político onde a oposição genuína encontra barreiras substanciais, e as denúncias de fraude eleitoral persistem.
O Domínio do Rússia Unida na Duma
O partido Rússia Unida garantiu 349 das 450 cadeiras da Duma, a câmara baixa do Parlamento russo. Este resultado representa um feito inédito para a legenda desde a ascensão de Vladimir Putin ao poder, em 1999. O desempenho anterior mais forte do partido havia sido registrado nas eleições de 2016, quando conquistou 343 cadeiras, evidenciando uma contínua e crescente hegemonia política no país.
Eleições em Cenário de Conflito e Restrições Políticas
As eleições, que ocorreram entre 18 e 20 de setembro, estenderam-se também aos territórios da Ucrânia que estão sob controle e foram anexados pela Rússia. O processo eleitoral foi caracterizado por um ambiente político restritivo, onde apenas partidos que manifestam apoio, em diferentes graus, ao presidente Putin e à continuidade do conflito na Ucrânia foram permitidos a participar. Notavelmente, o partido Yabloko, o único abertamente contrário à guerra, foi excluído do pleito, limitando a diversidade de escolhas para o eleitorado.
Denúncias de Irregularidades e Fraudes Generalizadas
Em meio ao processo eleitoral, o jornal investigativo no exílio Novaya Gazeta Europa, banido na Rússia e considerado uma 'organização indesejável', trouxe à tona sérias alegações de fraudes generalizadas. A publicação, que entrevistou observadores, candidatos e membros de partidos, reportou uma série de irregularidades, incluindo pressões sobre os eleitores, problemas com as cédulas de votação, anomalias durante a apuração dos votos e restrições ao acesso de observadores independentes em diversas etapas do processo.
A Nova Composição Partidária e a Influência dos Veteranos de Guerra
Além do Rússia Unida, outros partidos também conquistaram representação na Duma, embora em menor escala. De acordo com os resultados oficiais, o Partido Comunista da Federação Russa (KPRF) obteve 37 cadeiras, o Partido Liberal Democrático da Rússia (LDPR) assegurou 23, o partido Novo Povo ficou com 19, o Rússia Justa conquistou 17, e o partido Rodina ('Pátria') elegeu um deputado. Adicionalmente, quatro cadeiras serão ocupadas por deputados independentes.
Um aspecto notável destas eleições foi a expressiva presença de indivíduos com histórico militar no front ucraniano. A Comissão Eleitoral confirmou que 46 dos deputados eleitos, representando mais de 10% do total, são 'participantes ou ex-combatentes' da ofensiva em larga escala contra a Ucrânia. Destes, a vasta maioria, 41, são membros do partido Rússia Unida, indicando uma forte integração de militares e veteranos na estrutura política do partido governista.
Conclusão e Implicações Futuras
A vitória esmagadora do Rússia Unida nas eleições legislativas russas reforça o controle do Kremlin sobre o aparato político do país, garantindo um Parlamento alinhado com as políticas do governo e com a narrativa oficial sobre a guerra na Ucrânia. O resultado sublinha a contínua centralização do poder em torno de Vladimir Putin, em um momento em que a Rússia enfrenta sanções internacionais e críticas crescentes sobre seu sistema democrático. A presença significativa de veteranos de guerra na Duma também sinaliza uma nova dimensão na representação política, possivelmente influenciando futuras decisões e debates legislativos no país.
Fonte: https://g1.globo.com