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MPRJ Denuncia Oito Pessoas por Lavagem de Dinheiro do Jogo do Bicho via Apostas Online

© Fernando Frazão/Agência Brasil

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou uma importante operação contra o crime organizado, denunciando oito indivíduos por envolvimento em um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro. A investigação revelou que fundos oriundos da contravenção do jogo do bicho eram ilicitamente inseridos na economia formal por meio de empresas de apostas esportivas online, as chamadas 'bets'. A ação do MPRJ, através de seu Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), visa desarticular uma rede que teria dissimulado e ocultado mais de R$ 5,2 milhões.

Detalhamento da Investigação e dos Envolvidos

As diligências, conduzidas pelo Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos (NCC) do Gaeco, culminaram na identificação e denúncia de Flavio da Silva Santos, Vinicius Pereira Drumond, Alexandre Vinicius da Costa Guedes, Jorge Roberto de Oliveira Figueiredo, João Eric Lourenço da Silva, Ana Paula Batista Vitorino, João Victor de Araujo Souza e Lucas Pastore Laporte de Souza. Segundo as apurações, o grupo foi responsável por ocultar e dissimular a origem de, no mínimo, R$ 5,2 milhões em transações financeiras, conferindo-lhes uma aparência de legalidade por meio de operações complexas envolvendo o mercado de apostas.

Operação Multiestadual e Medidas Judiciais

Em desdobramento à investigação, a Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI) do MPRJ cumpriu uma série de mandados de busca e apreensão. As ações foram realizadas em diversos endereços no Rio de Janeiro, incluindo bairros como Barra da Tijuca, Freguesia, Botafogo e Centro, além de abranger os estados do Paraná e de Goiás. Para as operações fora do território fluminense, o MPRJ contou com o apoio essencial dos Ministérios Públicos de Paraná e Goiás. Simultaneamente, a Justiça, a pedido do MPRJ, determinou a suspensão imediata das atividades e o bloqueio dos Cadastros Nacionais de Pessoas Jurídicas (CNPJs) das empresas JRF Eagle Participações e Invectry Participações, apontadas como parte integrante do esquema. A denúncia foi formalmente acatada pela 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Rio, marcando o início da fase processual contra os envolvidos.

A Estrutura do Esquema de Lavagem

O mecanismo de lavagem de dinheiro, conforme detalhado na denúncia, consistia em introduzir recursos gerados pela contravenção do jogo do bicho no fluxo econômico legal. Para isso, o grupo utilizava a casa de apostas 'Rio Jogos', que é operada pela Lema Administração e Participações S/A. A operação se valia da estrutura de diferentes empresas, incluindo as já mencionadas JRF Eagle Participações e Invectry Participações, além de empregar pessoas conhecidas como 'laranjas' para dificultar o rastreamento da origem ilícita do capital. O rastreamento financeiro minucioso revelou transações cruciais em 6 de maio de 2024: a Lema recebeu dois aportes de R$ 2,5 milhões cada, sendo um proveniente de João Eric Lourenço da Silva e outro da Apoio Consultoria Financeira, esta de titularidade dos denunciados Ana Paula Batista Vitorino e João Victor de Araujo Souza. No mesmo dia, a Lema realizou uma transferência de R$ 5,2 milhões à Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), justificada como pagamento da outorga para a exploração de apostas de cota fixa, consolidando assim a 'legalização' dos valores ilícitos.

Esta operação do Ministério Público do Rio de Janeiro reforça o compromisso das autoridades em combater as ramificações do crime organizado, especialmente aquelas que se valem de inovações tecnológicas e novos mercados, como o das apostas online, para branquear dinheiro de atividades ilícitas. A ação evidencia a complexidade das investigações financeiras necessárias para desvendar essas redes e levar os responsáveis à Justiça, protegendo a integridade do sistema financeiro e a ordem pública.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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