Em um significativo desdobramento, o governo do Nepal reverteu sua decisão inicial de conduzir sozinho as operações de socorro e passou a aceitar o auxílio da comunidade internacional. A mudança ocorre horas após as autoridades terem declarado autossuficiência, evidenciando a crescente dimensão da tragédia desencadeada pelo colapso de uma geleira na região do Himalaia. As inundações subsequentes devastaram vastas áreas, deixando um rastro de destruição e um número alarmante de desaparecidos.
Crise Humanitária e Esforços de Resgate Ampliados
A gravidade da situação é sublinhada pelo alto número de pessoas ainda desaparecidas. Estima-se que cerca de 3 mil indivíduos, entre moradores locais, turistas, peregrinos e trabalhadores de projetos hidrelétricos, continuem sem paradeiro confirmado. Desses, 2.426 foram registrados em território nepalês, enquanto outros 556 desaparecidos são reportados no lado chinês da fronteira. A escala dessa perda potencial pressionou o governo a expandir a resposta, solicitando e aceitando o apoio externo para acelerar as operações de busca e salvamento.
Equipes especializadas da Índia já estão ativamente envolvidas nas buscas, concentrando-se em áreas de difícil acesso e na localização de sobreviventes isolados. Paralelamente, um contingente de resgate da China é aguardado, reforçando os esforços em uma corrida contra o tempo. Um dos focos primordiais é o resgate de aproximadamente 100 pessoas que teriam ficado presas dentro de um túnel de uma usina hidrelétrica, uma das muitas infraestruturas severamente impactadas.
O Cenário da Destruição e o Crescente Balanço de Vítimas
O desastre teve início na quarta-feira (26) com o colapso de uma geleira que liberou uma torrente de gelo, rochas, lama e detritos. Essa massa colossal desceu sobre os rios que serpenteiam a fronteira entre Nepal e China, arrasando vilarejos, pontes, estradas e infraestruturas essenciais como escolas, hospitais e usinas hidrelétricas. A força da enchente transformou paisagens em zonas de escombros, isolando comunidades inteiras e dificultando o acesso das equipes de socorro.
O balanço de mortos segue em ascensão. O mais recente relatório, divulgado neste sábado (29), confirmou 675 óbitos apenas no Nepal. Somando as sete mortes registradas na China, o número total de vítimas fatais da tragédia atinge 682. Autoridades nepalesas alertam que essa contagem é provisória, pois a descoberta contínua de corpos nas áreas devastadas sugere que o número final deverá ser ainda maior à medida que as buscas progridem e mais escombros são removidos.
Desafios Logísticos e a Urgência da Reconstrução
A situação no terreno é de intensa espera e resgate. Na cidade de Bidur, a apenas duas horas da capital Katmandu, centenas de moradores aguardam aeronaves para serem levados de volta às suas comunidades atingidas. Uma base militar foi adaptada para funcionar como centro de atendimento e triagem para os sobreviventes resgatados por via aérea. A escassez de helicópteros disponíveis tem forçado uma priorização da remoção de pessoas ainda isoladas, enquanto inúmeras famílias buscam desesperadamente informações sobre seus entes queridos desaparecidos. Em paralelo, esforços estão sendo feitos para reabrir algumas estradas, possibilitando o resgate terrestre e a distribuição de auxílio.
Diante da magnitude da destruição, o governo nepalês já projeta um cenário de reconstrução monumental. O ministro das Relações Exteriores, Shisir Khanal, enfatizou que, embora a prioridade máxima seja salvar vidas, o país dependerá fundamentalmente do apoio internacional para restaurar as áreas devastadas. As estimativas preliminares do ministro das Finanças apontam que o custo da reconstrução pode variar entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões, um valor que sublinha a severidade do impacto econômico e social. A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho estima que cerca de 93 mil pessoas foram diretamente afetadas por este desastre sem precedentes.
Fonte: https://g1.globo.com