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Veredito Iminente: Julgamento do Caso Henry Borel Chega à Décima Etapa com Debates Decisivos

© Tomaz Silva/Agência Brasil

O décimo e crucial dia do julgamento do Caso Henry Borel, um dos mais extensos na história do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, foi marcado por intensos debates entre as bancadas de acusação e defesa nesta quarta-feira (3). Este embate final precede a retirada dos jurados para deliberar sobre o veredito, aguardado com grande expectativa.

Os réus, o vereador cassado Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, e Monique Medeiros Costa e Silva, ex-companheira dele e mãe de Henry, acompanharam as exposições. A sessão, iniciada pouco antes das 10h30, estendeu-se por aproximadamente dez horas, e a decisão final dos jurados é projetada para ser anunciada na virada de quarta para quinta-feira (4). O casal é acusado pela morte do menino Henry, então com 4 anos, ocorrida em 8 de março de 2021, com laudo cadavérico oficial apontando laceração hepática de ação contundente como a causa.

Ministério Público Traça Perfil de Agressor e Alega Conivência Materna

A fase de debates foi inaugurada pelo promotor de Justiça Fabio Vieira dos Santos, do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que lidera a acusação. Ele direcionou a atenção dos jurados para o que descreveu como o perfil “psicopata” de Jairinho, enfatizando sua predileção por agredir crianças. Testemunhos de duas ex-namoradas, prestados na última quinta-feira, reforçaram essas denúncias de agressão contra outros menores. Segundo o MPRJ, a morte de Henry teria sido consequência de agressões de Jairinho, enquanto Monique Medeiros é apontada como omissa, contribuindo para o desfecho fatal.

Na estratégia da acusação, uma parte significativa do tempo de fala foi dedicada a Monique. O promotor argumentou que ela manteve o relacionamento com Jairo mesmo após ele demonstrar comportamento ciumento e agressivo, contrariando sua própria declaração de que nunca o viu como uma ameaça. A ausência de dependência econômica ou filhos com Jairinho, segundo o MPRJ, indicava que ela teria meios para romper a relação. Um episódio crucial relembrado foi o momento em que Henry confidenciou à mãe ter levado uma “banda” de Jairinho. O advogado Cristiano Medina da Rocha, assistente de acusação representando Leniel Borel, pai de Henry, refutou a insinuação da defesa de Jairinho de que a morte do menino poderia ter sido resultado de procedimentos de ressuscitação no hospital, assegurando que as médicas empregaram todos os esforços para salvar a criança.

As Estratégias das Defesas em Contraponto às Acusações

Em resposta às severas acusações, as defesas de Monique Medeiros e Dr. Jairinho apresentaram suas próprias teses, buscando descredibilizar a narrativa do Ministério Público e introduzir dúvidas nos jurados.

A Versão da Defesa de Monique Medeiros Contesta Conhecimento de Agressões

O advogado de Monique Medeiros, Hugo Novais, sustentou que sua cliente não tinha conhecimento das agressões de Jairinho contra Henry. Ele argumentou que Monique não teve “condições e tempo” para identificar quaisquer sinais de perigo por parte do filho. A advogada Florence Rosa Faria dos Santos rebateu a ideia de que Monique mantinha a relação por uma “vida de luxo”, questionando a aquisição de um Ecosport financiado como indicativo de tal estilo de vida.

Florence também levantou a hipótese de que a babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira, teria omitido de Monique um suposto episódio de agressões de Jairinho a Henry em 2 de fevereiro, criticando a versão contrária apresentada pelo delegado Henrique Damasceno. A advogada reforçou sua argumentação mencionando que a babá teria comentado com o namorado ter ouvido o menino chorando no quarto e confirmou ter recebido R$ 100 de Jairinho, valor que ela própria considerou como uma forma de “ficar calada”, para Monique, isso seria evidência da ignorância da mãe sobre as agressões.

Dr. Jairinho Aponta Hipóteses Alternativas e “Plano de Vingança”

Por sua vez, a defesa de Dr. Jairinho, representada pelo advogado Fabiano Lopes, apresentou uma teoria alternativa para a causa da morte de Henry. Lopes sugeriu que o menino poderia ter sofrido alguma lesão quando estava com o pai, Leniel Borel, antes de ser entregue para passar a noite de 7 de março com Monique e Jairinho. Uma das suspeitas levantadas foi um acidente de carro, que teria causado a laceração hepática que levou à morte, caracterizando, em sua visão, uma “bomba relógio” passada para Monique.

A banca de Jairinho foi além, levantando a suspeita de uma articulação entre o pai de Henry e o Instituto Médico Legal (IML) para produzir um laudo que incriminasse Jairinho. Fabiano Lopes chegou a classificar essa suposta coordenação como um “plano de vingança” contra o vereador cassado, adicionando uma camada de complexidade e intriga à argumentação defensiva.

A Deliberação Final e o Peso da Decisão

Com o encerramento dos debates, a palavra final agora repousa sobre os jurados, que terão a tarefa de sopesar as extensas provas, os depoimentos emocionantes e os argumentos técnicos e emocionais apresentados por acusação e defesa ao longo de dez dias de julgamento. A complexidade do caso, a gravidade das acusações e o clamor público que o cerca tornam a decisão iminente um marco para a justiça brasileira.

A sociedade aguarda ansiosamente o veredito que definirá o destino de Jairo Souza Santos Júnior e Monique Medeiros Costa e Silva, e que, para muitos, representará um passo crucial na busca por justiça para Henry Borel.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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