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Trump Endurece Retórica Contra Irã, Projeta Avanço Militar e Minimiza Alta do Petróleo em Pronunciamento Nacional

© REUTERS/Kevin Lamarque/Proibida reprodução

Em seu primeiro pronunciamento nacional desde o início do conflito com o Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dirigiu-se à nação nesta quarta-feira (1º) para apresentar um panorama otimista da operação militar, que já dura 32 dias. Com uma retórica beligerante, o líder norte-americano afirmou que as forças dos EUA estão alcançando seus objetivos estratégicos, prometeu intensificar os ataques e, ao mesmo tempo, minimizou as preocupações com o recente aumento nos preços globais do petróleo.

Afirmações de Vitória e Ameaça de Escalada Militar Contra o Irã

Durante a declaração de aproximadamente 20 minutos, Trump celebrou supostas vitórias no campo de batalha, assegurando que as capacidades de defesa do regime iraniano estão sendo sistematicamente desmanteladas e que os principais objetivos do conflito estariam próximos de serem atingidos. Ele prometeu uma intensificação dos ataques nas próximas semanas, mencionando a possibilidade de 'levá-los de volta à idade da pedra' com 'extrema força'. Apesar da ameaça, o presidente não descartou a continuidade das negociações.

A narrativa presidencial incluiu a alegação de que, embora a mudança de regime nunca tenha sido um objetivo declarado, ela se concretizou em função da morte de praticamente todos os líderes originais iranianos. Segundo Trump, o novo grupo que assumiu o poder seria 'menos radical e mais razoável'. Contudo, alertou que, na ausência de um acordo iminente, os EUA possuem alvos estratégicos definidos, citando usinas de geração de energia como possíveis focos, ressalvando que ataques a infraestruturas petrolíferas foram evitados para não eliminar chances de sobrevivência ou reconstrução do país persa.

Sem apresentar evidências conclusivas, Trump reiterou ter 'destruído e esmagado' forças militares iranianas, incluindo a Marinha e a Força Aérea do país, em diversas ocasiões ao longo de seu discurso.

A Questão do Estreito de Ormuz e a Posição Americana sobre o Petróleo

Um ponto de tensão abordado no pronunciamento foi o Estreito de Ormuz, uma rota marítima vital por onde transitavam até 20% das exportações mundiais de petróleo. Apesar das declarações sobre a 'devastação' do Irã, Trump não ofereceu explicações claras sobre o porquê o acesso ao estreito continua controlado e restrito pelos iranianos, impactando os preços internacionais dos combustíveis.

O presidente minimizou a relevância do estreito para os EUA, afirmando que o país 'importa quase nenhum petróleo' por essa via e não o fará no futuro. Ele transferiu a responsabilidade pela segurança da passagem aos países que dependem do petróleo comercializado ali, declarando que, embora os EUA possam 'ajudar', essas nações devem 'liderar a proteção do petróleo do qual dependem tanto'.

Sobre o aumento dos preços da gasolina nos EUA, Trump classificou a situação como 'de curto prazo', atribuindo-a diretamente a 'ataques terroristas insanos' do regime iraniano contra petroleiros comerciais em países vizinhos. Ele usou esse argumento para reforçar a ideia de que o Irã 'jamais pode ser confiável com armas nucleares'.

Reforço de Alianças e a Justificativa da Duração do Conflito

O presidente aproveitou o momento para agradecer e citar os países aliados no Oriente Médio, incluindo Israel, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein. Essas nações, que sediam bases militares americanas, têm sido alvo de retaliação iraniana em resposta aos ataques dos EUA e Israel na região.

Para justificar a continuidade da operação militar, que se estende por pouco mais de um mês, Trump traçou paralelos com outros conflitos históricos nos quais os EUA estiveram envolvidos ao longo do último século. Ele comparou os 32 dias atuais a longos períodos de engajamento em guerras como a Primeira Guerra Mundial, a Segunda Guerra Mundial, a Guerra da Coreia, a Guerra do Vietnã e a Guerra do Iraque, descrevendo a atual campanha como um 'investimento real no futuro de seus filhos e netos' após a 'devastação' do Irã, que deixou de ser uma 'ameaça relevante'.

Omissões e o Cenário Político Interno em Meio à Crise

Um aspecto notável do pronunciamento foi o silêncio de Trump sobre as centenas de manifestações que mobilizaram milhões de norte-americanos em cidades como Nova York, Dallas, Filadélfia e Washington, no último fim de semana. Os protestos, que ocorreram inclusive em dezenas de pequenas e médias cidades, expressaram forte crítica ao envolvimento do governo na guerra e às políticas de deportação de imigrantes.

De acordo com a imprensa norte-americana, esses protestos representam a terceira onda de grandes manifestações em poucos meses, e o presidente enfrenta sua pior avaliação desde o início do segundo mandato, há pouco mais de um ano, com sua aprovação girando em torno de um terço da população, conforme levantamentos de institutos de pesquisa de opinião. Essa omissão em seu discurso nacional destacou uma dissonância entre a retórica oficial e o crescente descontentamento popular em relação às suas políticas interna e externa.

O pronunciamento de Donald Trump, portanto, delineou uma postura intransigente frente ao Irã, pautada por alegações de sucesso militar e uma perspectiva otimista quanto ao desenrolar do conflito e seus impactos econômicos. Contudo, a ausência de referências às massivas manifestações internas e à sua própria queda de popularidade sugere uma tentativa de projetar uma imagem de controle e sucesso que contrasta com o complexo cenário político e social nos Estados Unidos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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