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Tecnologia Nacional Impulsiona Monitoramento da Qualidade do Ar em Áreas Amazônicas

© Paulo Pinto/Agencia Brasil

Brasília, DF – Um marco significativo para a conservação ambiental na Amazônia será alcançado nesta segunda-feira (6) com o lançamento de um inovador sensor de baixo custo para medir a poluição do ar. Desenvolvido em parceria pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e pela Universidade Federal do Pará (UFPA), o equipamento será oficialmente apresentado durante o Acampamento Terra Livre (ATL), na capital federal. Este lançamento promete revolucionar a capacidade de monitoramento da qualidade do ar, especialmente em regiões historicamente desassistidas, como terras indígenas e comunidades tradicionais.

Expandindo o Alcance do Monitoramento Ambiental

A iniciativa surge em um contexto de crescente preocupação com a saúde respiratória e a degradação ambiental na Amazônia. Filipe Viegas Arruda, pesquisador do Ipam, destaca que o novo sensor é fundamental para expandir a abrangência da medição da qualidade do ar, um requisito previsto pela recente Política Nacional de Qualidade do Ar (Lei 14.850/2024). O objetivo primordial é estender o monitoramento para além dos centros urbanos, alcançando categorais fundiárias diversas, como comunidades tradicionais, unidades de conservação e propriedades rurais, garantindo uma cobertura mais completa e representativa da realidade amazônica.

Nascida na Amazônia, para a Amazônia: A Inovação Tecnológica

A tecnologia por trás do novo sensor nacional foi pensada para superar as limitações dos equipamentos importados que dominam o mercado atualmente. O pesquisador Arruda explica que os dispositivos existentes não apenas acarretam custos mais elevados e desafios de assistência técnica em regiões remotas, mas também são inadequados para o rigoroso ambiente amazônico. Problemas como a entrada de insetos (formigas, abelhas, aranhas) e a alta concentração de poeira comprometiam a funcionalidade e a vida útil dos equipamentos. O modelo desenvolvido pelo Ipam e UFPA incorpora um sistema de proteção interna que resolve essas vulnerabilidades, além de armazenar dados localmente em caso de perda de conexão com a internet e permitir a integração com dados de outros modelos, otimizando a operação em rede.

RedeAr: Uma Rede de Colaboração para a Saúde Pública

O primeiro lote de 60 sensores de tecnologia nacional será distribuído através da rede Conexão Povos da Floresta, uma aliança estratégica que congrega o Ipam, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e o Conselho Nacional de Saúde (CNS). A partir de setembro, essa iniciativa dará origem à RedeAr, uma rede colaborativa dedicada ao monitoramento da poluição, umidade e temperatura em comunidades tradicionais e áreas públicas da Amazônia Legal. Um diferencial crucial da RedeAr será a integração dos dados coletados com índices de atendimento de doenças respiratórias, fornecidos pela Secretaria Nacional de Saúde Indígena (Sesai) e pelo Telesaúde, permitindo uma análise mais completa sobre o impacto da qualidade do ar na saúde das populações locais.

A Urgência de Monitorar: Desmistificando o Ar Puro da Amazônia

A necessidade de um monitoramento robusto é sublinhada pela grave deficiência de dados atuais. Conforme o Relatório Anual de Acompanhamento da Qualidade do Ar 2025, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, das 570 estações de monitoramento existentes em todo o país, um número ínfimo de apenas 12 está localizado em Terras Indígenas. Essa lacuna é ainda mais preocupante diante do cenário climático. Uma nota técnica do Ipam de 2024 revelou que períodos de extremos climáticos, como secas severas e incêndios florestais intensificados, resultaram em impressionantes 138 dias de ar nocivo à saúde em diversos estados da Região Amazônica. “Muitas vezes se tem a falsa ideia de que os indígenas e as pessoas da Amazônia respiram ar puro. Não é isso que vem acontecendo”, alerta Filipe Viegas Arruda, chamando a atenção para uma realidade que clama por ação.

Visão de Futuro: Expansão, Conscientização e Prevenção

Com a integração dos novos equipamentos aos já existentes e futuras expansões, a RedeAr ambiciona alcançar a marca de 200 sensores instalados até o final do ano. Essa expansão vai além da simples coleta de dados; ela visa promover um engajamento significativo, impulsionando programas de educação ambiental e fortalecendo políticas essenciais de prevenção e combate a queimadas. O equipamento estará em exposição na tenda da Coiab durante a programação do Abril Indígena do Acampamento Terra Livre, que segue até o dia 11 de abril no Eixo Cultural Ibero-Americano, em Brasília, convidando o público a conhecer de perto essa ferramenta vital para o futuro da Amazônia e de seus povos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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