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Rússia Endurece Repressão: Político Opositor Condenado a Mais de 11 Anos por Criticar Guerra

G1

Em um movimento que sublinha a crescente intolerância do governo russo à dissidência, o político opositor Lev Shlosberg foi condenado a uma pena de 11 anos e um mês de prisão. A decisão, proferida nesta segunda-feira (17), surge às vésperas das eleições parlamentares de setembro e destaca a intensificação da campanha do Kremlin para silenciar vozes críticas à intervenção militar na Ucrânia, que se iniciou em fevereiro de 2022. Shlosberg, figura proeminente do partido Yabloko – a única legenda registrada na Rússia a se posicionar abertamente contra o conflito –, é o mais recente alvo dessa repressão.

A Sentença Contra a Dissidência e as Acusações

A condenação de Lev Shlosberg está diretamente ligada às suas declarações públicas e posicionamentos contrários à guerra. Segundo as autoridades russas, o político foi acusado de 'desacreditar' as Forças Armadas e de divulgar supostas informações falsas sobre os militares, em um processo julgado na cidade de Pskov, a noroeste de Moscou. As acusações tiveram como base um debate público no qual Shlosberg defendeu o fim do conflito na Ucrânia, bem como uma publicação em seu canal no Telegram. Nesta postagem, ele compartilhou a capa de um jornal britânico que associava o presidente Vladimir Putin à violência do conflito, uma acusação que Shlosberg veementemente nega.

Repressão Sistemática e a Exclusão Eleitoral do Yabloko

Paralelamente à condenação de Shlosberg, o partido Yabloko, do qual ele é vice-presidente, enfrentou outro revés significativo. A Suprema Corte da Rússia manteve a decisão de excluir a legenda das próximas eleições parlamentares, agendadas para 18 a 20 de setembro. O Yabloko, que havia recorrido da medida, teve seu pedido rejeitado, solidificando a marginalização da única força política que expressa abertamente críticas à política externa russa. Essa ação, somada à perseguição a seus membros, reforça a postura implacável do governo russo em não tolerar qualquer oposição pública ao conflito ucraniano, sufocando espaços para o debate democrático.

Histórico de Perseguição e o Status de 'Agente Estrangeiro'

A pena imposta a Shlosberg não é um incidente isolado em sua trajetória. Aos 63 anos, o ex-deputado da Assembleia Legislativa da região de Pskov, cargo que ocupou entre 2016 e 2021, enfrentou este como seu segundo julgamento em apenas dois anos. Além das acusações de 'desacreditar' as Forças Armadas, ele também recebeu o controverso status de 'agente estrangeiro', uma designação frequentemente utilizada pelo governo russo para estigmatizar indivíduos e organizações que considera influenciados por potências externas. Esta classificação impõe severas restrições e intensifica a fiscalização estatal, limitando a atuação de Shlosberg e de outros opositores. Ele foi colocado em prisão preventiva em dezembro de 2023 sob as novas acusações e permanece detido desde então, aguardando o desfecho de um sistema judicial cada vez mais alinhado aos interesses do Kremlin.

Repercussão e Vozes de Protesto Contra a Condenação

A sentença de Lev Shlosberg provocou fortes reações tanto na Rússia quanto internacionalmente. Em sua declaração final ao tribunal, proferida dias antes da condenação, Shlosberg refletiu sobre o caminho da Rússia, que em suas palavras, 'foi da esperança de liberdade à quase completa destruição dos direitos e das liberdades civis' ao longo de 30 anos. Ele previu que a verdade sobre o número de mortos na guerra chocaria o país. O partido Yabloko classificou a condenação como uma 'sentença bárbara', afirmando que Shlosberg foi punido por sua defesa da paz e por seu apelo a um cessar-fogo, e já anunciou que irá recorrer da decisão.

A organização Anistia Internacional também se manifestou, por meio de Marie Struthers, diretora para Europa Oriental e Ásia Central, que condenou o processo e a pena como uma represália direta à defesa pública da paz por Shlosberg. A entidade fez um apelo pela libertação imediata do político, pela anulação de sua condenação e pelo fim das leis que criminalizam manifestações pacíficas contra a guerra, bem como da perseguição a membros e apoiadores do Yabloko. Essas vozes destacam a preocupação global com a deterioração do estado de direito e das liberdades civis na Rússia.

Um Futuro Incerto para a Oposição Russa

A condenação de Lev Shlosberg e a exclusão do Yabloko das eleições são mais do que meros incidentes legais; são marcos na consolidação do poder estatal e no progressivo sufocamento de qualquer voz dissidente na Rússia. Esses eventos enviam um sinal claro de que a crítica à guerra na Ucrânia não será tolerada, mesmo por meios pacíficos e democráticos. À medida que o país se aproxima de um pleito sem verdadeira competição, o destino de figuras como Shlosberg e de partidos como o Yabloko ilustra o cenário de um ambiente político cada vez mais restritivo, onde o espaço para a oposição diminui drasticamente, e a esperança de liberdades civis se torna um eco distante.

Fonte: https://g1.globo.com

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