A União Europeia inaugura nesta sexta-feira (10) uma era de modernização em seu controle de fronteiras, com a entrada em vigor de um novo sistema de registro de entradas e saídas. A partir de agora, o tradicional carimbo no passaporte será substituído por um processo totalmente digital, impactando diretamente milhões de viajantes de fora do bloco que se dirigem aos países do Espaço Schengen. Esta mudança visa aprimorar a segurança e a eficiência, prometendo um futuro de viagens mais ágeis, apesar de exigir uma adaptação inicial por parte dos passageiros e das infraestruturas aeroportuárias.
O Novo Procedimento Digital: Adeus ao Carimbo Físico
Com a implementação do Sistema de Entrada/Saída (EES), o procedimento para não-cidadãos da União Europeia que desembarcam em solo europeu passa por uma transformação significativa. O viajante precisará interagir com totens de autoatendimento, onde digitalizará seu passaporte e fornecerá dados biométricos essenciais. Isso inclui a coleta de impressões digitais e a captura de uma imagem facial, informações que serão associadas ao documento. Somente após esta etapa digital, o passageiro seguirá para a interação com os agentes de imigração, que terão acesso imediato aos dados registrados.
Este novo método elimina a necessidade de carimbos físicos, um marco na desburocratização dos registros de entrada e saída. Embora possa gerar filas e atrasos nos primeiros dias de operação devido à novidade do processo, a expectativa é que a tecnologia otimize o fluxo de passageiros a longo prazo.
Segurança e Eficiência: Os Pilares da Transformação
A transição para o formato digital não é apenas uma mudança burocrática, mas uma estratégia para fortalecer a segurança nas fronteiras e aumentar a fluidez do tráfego. Segundo Anita Mendiratta, da Organização Mundial do Turismo, embora o tempo gasto inicialmente possa ser maior, os benefícios serão percebidos a longo prazo. Ela ressalta que o sistema contribuirá para acelerar as viagens, pois os dados biométricos e do passaporte ficam gravados por um período de anos no sistema, simplificando futuras entradas.
A segurança é outro pilar fundamental do EES. Ao exigir dados biométricos, o sistema garante com maior precisão que a identidade do viajante corresponde à do documento apresentado. Essa verificação robusta é crucial para combater fraudes documentais e fortalecer o controle sobre quem entra e sai do bloco, elevando o nível de segurança para todos os membros.
Abrangência e Desafios Iniciais da Implementação
O novo Sistema de Entrada/Saída se aplica a cidadãos de países de fora da União Europeia que visitam qualquer um dos 29 países que compõem o Espaço Schengen. As únicas exceções são a Irlanda e o Chipre, que não estão incluídos nesta fase de implementação. Esta abrangência significa que a maioria dos viajantes internacionais que buscam destinos populares como França, Alemanha, Itália e Espanha será afetada pelas novas regras.
A implementação do EES não é totalmente inédita; ela começou de forma gradual e testada em outubro de 2025. Naquela época, alguns aeroportos, como o de Lisboa, registraram longas horas de espera, servindo como um aprendizado para a União Europeia ajustar e otimizar o sistema para sua entrada em vigor plena.
Não Confunda: EES é Diferente do ETIAS
É fundamental distinguir o recém-implementado Sistema de Entrada/Saída (EES) de outro sistema futuro, o ETIAS (Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagem). Enquanto o EES é focado no registro de dados biométricos e documentais na chegada e partida, o ETIAS é uma autorização eletrônica de viagem prévia, similar ao ESTA dos Estados Unidos. O ETIAS exigirá que viajantes de países isentos de visto solicitem uma autorização online antes de viajar para a Europa, e sua implementação está prevista apenas para o final de 2026. São sistemas complementares, mas com finalidades e cronogramas distintos.
Um Passo Crucial para o Futuro das Viagens
Em síntese, o novo Sistema de Entrada/Saída representa um passo significativo da União Europeia em direção à modernização e à segurança de suas fronteiras. Ao abraçar a tecnologia digital e a biometria, o bloco busca não apenas agilizar o fluxo de milhões de viajantes anualmente, mas também reforçar a integridade de seus limites territoriais. Embora a fase inicial possa apresentar desafios, o EES promete transformar a experiência de viagem para melhor, tornando-a mais eficiente e segura para todos os envolvidos.
Fonte: https://g1.globo.com