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Reforma Tributária: Imposto Seletivo Projeta Arrecadação de R$ 41,9 Bilhões e Desafia Setores Produtivos

© Valter Campanato/Agência Brasil

O Imposto Seletivo (IS), popularmente conhecido como "imposto do pecado", é uma das inovações da reforma tributária brasileira, e suas projeções financeiras já despontam como um pilar importante para as contas públicas. A estimativa é que o tributo gere uma arrecadação de R$ 41,9 bilhões apenas em 2027, conforme detalhado no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) enviado ao Congresso Nacional. Instituído para incidir sobre produtos e atividades consideradas prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, o IS busca equilibrar a função arrecadatória com um papel regulatório, mirando desestimular o consumo de itens específicos.

O Imposto Seletivo e Seus Alvos

A aplicação do Imposto Seletivo recairá sobre uma gama diversificada de bens e serviços. A lista preliminar inclui cigarros e outros produtos de tabaco, bebidas alcoólicas, bem como refrigerantes e demais bebidas açucaradas. Além desses, veículos com características específicas e níveis de emissão de poluentes serão taxados, juntamente com a extração de bens minerais. O setor de entretenimento digital e apostas também entra no radar, englobando loterias, apostas esportivas e jogos de fantasy sports. A cobrança do imposto está prevista para iniciar em 2027, mas sua regulamentação detalhada ainda aguarda aprovação do Congresso, com uma proposta específica do governo ainda a ser enviada.

Inicialmente, a estratégia do Ministério da Fazenda é manter uma carga tributária similar à atualmente aplicada a muitos desses produtos durante o período de transição. Contudo, em uma etapa posterior, as alíquotas poderão ser ajustadas para amplificar o efeito regulatório, visando efetivamente reduzir o consumo dos bens classificados como nocivos.

Projeções Financeiras e a Nova Estrutura Tributária

O montante de R$ 41,9 bilhões estimado para o Imposto Seletivo em 2027 reflete o esforço de preservar a carga tributária incidente sobre setores já taxados pelo Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), conforme explicou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em coletiva sobre o PLOA. A introdução do IS é particularmente notável para o segmento de apostas e bets, que até então não estava sujeito ao IPI. Para este setor, o governo busca uma alíquota que não seja tão baixa a ponto de ser ineficaz, nem tão alta que estimule a migração para a ilegalidade.

O Imposto Seletivo é parte integrante do novo sistema de tributação sobre o consumo, aprovado pelo Congresso em 2023, que prevê uma transição gradual até 2033. A partir de 2027, o IS coexistirá com a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que substituirá o PIS, Cofins e parte do IPI. Somados, o IS e a CBS são projetados para gerar R$ 677,9 bilhões em arrecadação no próximo ano (R$ 41,9 bilhões do IS mais R$ 636 bilhões da CBS), um valor crucial para o equilíbrio das contas públicas durante a complexa fase de implementação do novo modelo tributário.

Impactos Sociais e a Justificativa da Saúde Pública

Uma das principais justificativas do governo para a implementação do Imposto Seletivo está nos custos sociais e econômicos gerados pelo consumo dos produtos taxados. Dados do Ministério da Saúde, fundamentados em estudos como o da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), revelam que o consumo de álcool, por exemplo, gerou R$ 18,8 bilhões em custos em 2019, com R$ 1,1 bilhão correspondendo a despesas federais diretas no SUS com hospitalizações e procedimentos ambulatoriais.

O tabagismo apresenta um impacto ainda maior, com doenças relacionadas ao consumo de cigarros gerando um custo anual estimado em R$ 153,5 bilhões, incluindo despesas diretas e perdas de produtividade. Desses, R$ 86,3 bilhões são custos indiretos. Em contrapartida, a arrecadação anual de tributos federais sobre cigarros soma cerca de R$ 8 bilhões. Adicionalmente, o consumo de bebidas ultraprocessadas, como refrigerantes, é estimado em R$ 3 bilhões em custos para o SUS com doenças relacionadas, reforçando a visão governamental de que o IS é uma ferramenta para mitigar essas externalidades negativas.

O Debate com o Setor Produtivo: Preocupações e Perspectivas

Apesar das justificativas governamentais, os produtores dos segmentos que serão atingidos pelo Imposto Seletivo expressam preocupações significativas. Setores como o de cigarros e bebidas alcoólicas argumentam que seus produtos já enfrentam uma carga tributária elevada no Brasil. Representantes da indústria alertam que aumentos adicionais podem levar à redução das margens de lucro e à inevitável elevação dos preços ao consumidor final. Temores de demissões em massa e um estímulo ao crescimento do mercado ilegal, caso a tributação seja considerada excessiva, também são pontos levantados.

O governo, por sua vez, mantém a posição de que o Imposto Seletivo possui um duplo propósito: além de contribuir para a arrecadação, ele cumpre uma função regulatória essencial. Essa função visa exatamente desestimular o consumo de produtos com impactos negativos comprovados sobre a saúde pública e o meio ambiente, buscando um equilíbrio entre a necessidade fiscal e os objetivos de bem-estar social.

Conclusão: Entre a Arrecadação e a Regulação

O Imposto Seletivo configura-se como um elemento central na nova arquitetura tributária brasileira, com projeções de arrecadação robustas para 2027 e um propósito claro de influenciar hábitos de consumo. Sua implementação representa um passo audacioso na busca por um sistema mais moderno e eficiente, mas também um desafio para o governo conciliar as necessidades fiscais com as preocupações da indústria. À medida que o debate sobre sua regulamentação prossegue no Congresso, a sociedade e os setores afetados permanecem atentos aos desdobramentos de um imposto que promete impactar tanto as finanças públicas quanto o dia a dia dos brasileiros.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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