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Rede Pró-Rússia Explora Violência Sexual e Imagens de Militares Ucranianas em Campanha de Desinformação

G1

Uma complexa e perturbadora rede de propaganda com viés pró-Rússia tem operado no Telegram e outras plataformas digitais, utilizando falsas alegações de violência sexual contra mulheres ucranianas, muitas delas militares, para atrair usuários a canais que promovem narrativas de guerra. A campanha não apenas distorce a realidade, mas também causa profundo sofrimento às vítimas cujas imagens são exploradas indevidamente. O Serviço Mundial da BBC revelou a extensão dessa tática, que manipula a atenção do público com promessas chocantes para disseminar conteúdo pró-invasão.

A Exploração de Imagens e o Impacto Pessoal

Keti Leshkasheli, médica georgiana que serviu como paramédica na Legião Internacional da Ucrânia, é um dos mais de 20 casos identificados de mulheres cujas imagens foram usadas como isca nessa campanha de desinformação. Ao retornar da linha de frente há cerca de três anos, Leshkasheli se viu alvo de publicações no Telegram que afirmavam falsamente que ela havia sido capturada e estuprada. Acompanhando as alegações, havia links para canais que prometiam mostrar “como estavam sendo punidas”, utilizando uma foto sua, tirada anos antes em uniforme militar em Avdiivka.

A experiência de Leshkasheli, que inclui ter sido condecorada pelo presidente Volodymyr Zelensky, ilustra a crueldade da estratégia. Ela expressou sua raiva e impotência diante dos “horrores” escritos sobre ela, evidenciando o profundo impacto psicológico nas vítimas. A BBC confirmou que sete das mulheres identificadas, muitas delas integrantes ou ex-integrantes do Exército ucraniano, foram diretamente afetadas por essa exploração indevida de suas imagens e reputações.

A Anatomia da Desinformação Sexualizada

Desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022, milhares de publicações em grupos e canais do Telegram, a plataforma de mensagens mais popular na Rússia e uma importante fonte de notícias na Ucrânia, prometeram mostrar imagens de prisioneiras de guerra ucranianas sendo estupradas e executadas. A estratégia segue uma fórmula consistente: utiliza fotos reais de mulheres, afirma falsamente que elas foram sequestradas e violentadas, e inclui um link que promete vídeos comprobatórios.

A tática é deliberadamente chocante, desenhada para atrair usuários com a promessa de conteúdo perturbador. As publicações frequentemente complementam as alegações com acusações de que as mulheres torturaram soldados russos ou defenderam a violência contra crianças russas, tudo isso acompanhado de insultos étnicos e de gênero. No entanto, o conteúdo prometido nunca se materializa; em vez disso, os links direcionam os usuários para canais privados do Telegram repletos de propaganda pró-guerra russa.

Essa campanha não se restringe ao Telegram, estendendo-se a plataformas como TikTok, YouTube e a rede social russa VKontakte, onde vídeos e posts também prometem o mesmo conteúdo explícito, direcionando o tráfego para os mesmos canais. Valentyna Shapovalova, pesquisadora especializada em desinformação de gênero, descreve essa prática como a “venda da promessa de violência sexualizada como entretenimento” para “atrair e monetizar” a atenção dos usuários. Ela ressalta que, independentemente de sua origem direta no Estado, tais publicações contribuem para os objetivos de guerra da Rússia, ao humilhar os ucranianos e “normalizar a violência sexual contra o 'inimigo'”.

A Estrutura e Alcance da Rede de Propaganda

Ao analisar padrões de frases e nomes falsos, a investigação da BBC identificou mais de 6,5 mil anúncios com alegações de violência sexual, publicados por cerca de 1,7 mil canais menores, que abrangem temas diversos como conteúdo adulto, material de guerra, finanças e memes. Juntas, essas publicações somam mais de 65 milhões de visualizações, demonstrando a vasta escala da operação.

A BBC mapeou uma rede de canais que se beneficia dessa campanha para atrair seguidores, com seis deles superando a marca de 1 milhão de inscritos. Três dos maiores canais analisados foram criados em um intervalo de 72 horas no início da invasão em grande escala, em fevereiro de 2022. O “Pryamoy Efir Novosti”, um dos canais associados a mais de mil dessas publicações enganosas, exemplifica a centralidade desses hubs na disseminação da desinformação.

Consequências e a Luta Contra a Desinformação

A rede de propaganda pró-Rússia, ao explorar a violência sexual de forma tão flagrante, não apenas inflige dor às vítimas diretas e seus familiares, mas também tenta desumanizar o adversário e justificar atrocidades perante uma audiência ampla. Essa tática representa uma forma insidiosa de guerra psicológica, buscando minar a moral, manipular a opinião pública e recrutar apoio para a agenda de guerra, usando a promessa de conteúdo perturbador como um chamariz. A proliferação dessas narrativas falsas destaca a urgente necessidade de maior vigilância e ferramentas eficazes para combater a desinformação em plataformas digitais e proteger as vítimas de tais campanhas nefastas.

Fonte: https://g1.globo.com

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