O cenário político de Mato Grosso nos últimos dois anos, compreendendo o período de 2024 e 2025, revelou uma concentração significativa de recursos do Fundo Partidário em algumas legendas. Dados compilados das prestações de contas à Justiça Eleitoral indicam que o Partido Liberal (PL), o Partido dos Trabalhadores (PT) e o União Brasil se destacaram como os principais beneficiários dessa verba pública, em um período marcado intensamente pelas eleições municipais de 2024, especialmente a disputa pela prefeitura de Cuiabá.
Liderança no Financiamento Partidário em Mato Grosso
As informações prestadas à Justiça Eleitoral demonstram que o PL liderou a arrecadação do Fundo Partidário no estado, com um montante de R$ 6.858.375,70 recebidos entre 2024 e 2025. Em seguida, o PT aparece como o segundo maior recebedor, com R$ 5.365.461,06 em receitas para o mesmo período. Completando o pódio, o União Brasil obteve R$ 3.947.964,80, consolidando estas três legendas no topo do ranking de financiamento partidário em Mato Grosso.
O Impacto das Eleições Municipais de 2024 na Movimentação de Recursos
A maior parte desses recursos foi movimentada em 2024, ano em que a política mato-grossense foi efervescente com as eleições municipais. A disputa pela prefeitura de Cuiabá exemplifica bem esse cenário, com PL, PT e União Brasil protagonizando a corrida eleitoral. Na ocasião, Abilio Brunini (PL) saiu vitorioso no segundo turno contra o deputado estadual Lúdio Cabral (PT), enquanto o deputado estadual Eduardo Botelho (União Brasil) ficou em terceiro lugar, não avançando para a fase decisiva. Além da capital, o PL também expandiu sua influência ao eleger prefeitos em várias cidades-chave do estado, fortalecendo sua posição política.
Diferença entre Fundos Públicos e Seus Propósitos
É fundamental distinguir o Fundo Partidário do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (Fundo Eleitoral). Enquanto o Fundo Eleitoral é exclusivamente destinado às campanhas políticas, o Fundo Partidário, cujos dados estão em análise, é uma verba pública direcionada ao custeio de despesas permanentes das legendas. Isso inclui a manutenção de sedes, folha de pagamento de funcionários, consultorias, comunicação, programas de formação política e outras atividades operacionais previstas na legislação eleitoral, conforme as regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Tanto o PL quanto o PT, historicamente, se posicionam entre os maiores beneficiários de ambas as fontes de financiamento público.
Detalhes das Despesas e Outros Partidos Beneficiados
As prestações de contas não apenas revelam a arrecadação, mas também os padrões de gastos. O PL, por exemplo, registrou pagamentos à Moumers e Moumers Consultoria Ltda., empresa ligada a Manoel Abilio Moumer Ribeiro, pai do prefeito Abilio Brunini. Esses repasses somaram R$ 161 mil no período, com R$ 77 mil em 2024 e R$ 84 mil em 2025.
O PT, com sua segunda colocação em arrecadação de Fundo Partidário, declarou despesas totais de R$ 5.190.523,85 em seus balanços financeiros de 2024 e 2025, movimentando um volume de recursos significativo próximo ao que foi recebido.
O União Brasil, na terceira posição, apresentou receitas de R$ 3.947.964,80 e despesas de R$ 4.045.135,55. A legenda teve uma atuação proeminente na eleição de Cuiabá ao apoiar a candidatura de Eduardo Botelho.
Na sequência do ranking de beneficiários do Fundo Partidário em Mato Grosso, o MDB recebeu R$ 3.053.990,29, com despesas declaradas de R$ 3.120.357,05. O PSD ocupou o quinto lugar, com R$ 2.254.624,40 em receitas e R$ 2.227.348,92 em gastos. O Republicanos, partido do governador Otaviano Pivetta, recebeu R$ 2.004.733,73 no biênio e informou despesas de R$ 1.787.724,89. Entre os gastos do Republicanos, destaca-se a remuneração de Eduardo dos Santos Manciolli, apontado como importante colaborador político de Pivetta, que acumulou pagamentos de R$ 250 mil ao longo do período analisado, incluindo uma remuneração mensal de R$ 10 mil.
Encerrando a lista dos partidos com maior movimentação financeira, o Progressistas (PP) registrou receitas de R$ 1.032.064,47 e despesas de R$ 1.030.690,49.
Balanço Geral da Movimentação Financeira Partidária
Ao somar os dados das sete principais legendas, a movimentação total de recursos do Fundo Partidário em Mato Grosso atingiu a expressiva marca de R$ 24,52 milhões em receitas e R$ 24,27 milhões em despesas nos dois últimos anos. Essa concentração de repasses e gastos, especialmente acentuada em 2024, reflete o calendário eleitoral e a intensificação das atividades administrativas e de suporte às campanhas, que embora financiadas pelo Fundo Eleitoral, demandam uma estrutura partidária robusta mantida pelo Fundo Partidário.
A análise das prestações de contas à Justiça Eleitoral oferece um panorama claro de como os recursos públicos são distribuídos e aplicados pelas maiores forças políticas de Mato Grosso. Os números reiteram a influência direta do ciclo eleitoral na dinâmica financeira dos partidos, com PL, PT e União Brasil consolidando suas posições não apenas nas urnas, mas também na gestão de importantes volumes do Fundo Partidário, essencial para a manutenção e operação de suas estruturas em todo o estado.