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Mercados Reagem a Distensão no Oriente Médio: Dólar Cede e Bolsa Busca Recuperação

© REUTERS/Bruno Domingos//Direitos reservados

Após um período de incertezas e aversão ao risco, os mercados internacionais respiraram com mais alívio nesta segunda-feira, culminando em uma valorização do real frente ao dólar, que encerrou o dia abaixo da marca de R$ 5. O fator decisivo para essa recuperação global foi o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o adiamento de uma ofensiva militar no Irã, o que minimizou as tensões geopolíticas e reverberou positivamente nos ativos financeiros ao redor do mundo. A bolsa brasileira, embora tenha fechado em leve baixa, demonstrou resiliência e buscou recuperação ao longo da tarde, refletindo o sentimento de menor preocupação.

Distensão Geopolítica Reduz Aversão ao Risco

A decisão de Washington de suspender um ataque militar planejado contra o Irã foi o catalisador para a melhoria do clima nos mercados globais. O presidente Donald Trump justificou a medida como uma oportunidade para que negociações diplomáticas com Teerã pudessem avançar, sinalizando uma preferência pela via do diálogo em detrimento da escalada militar. Essa postura contribuiu significativamente para diminuir a aversão ao risco, um sentimento que tem dominado as operações financeiras nos últimos dias devido à iminência de um conflito no Oriente Médio. A redução das tensões beneficiou diretamente as moedas de países emergentes, que registraram valorização frente ao dólar, como o peso mexicano, o peso chileno e o rand sul-africano, além do próprio real brasileiro. A perspectiva de menor instabilidade geopolítica aliviou também a pressão sobre os preços do petróleo e as preocupações com uma possível inflação global decorrente do conflito.

Impacto no Mercado de Câmbio e Ações

A tranquilidade externa refletiu-se diretamente no mercado cambial brasileiro. O dólar comercial encerrou o pregão negociado a R$ 4,998, registrando uma queda de 1,34% em relação ao fechamento anterior. A moeda americana, que abriu a sessão em R$ 5,04, firmou-se abaixo dos R$ 5 após a repercussão das declarações de Trump, revertendo a trajetória de alta que vinha mostrando. No acumulado de maio, a divisa ainda apresenta uma valorização de 0,92%, embora no balanço anual demonstre uma desvalorização de 8,93%.

No cenário acionário, o dia foi marcado por volatilidade, mas com uma recuperação notável. O índice Ibovespa, principal indicador da B3, fechou aos 176.975,82 pontos, com uma leve retração de 0,17%. Contudo, o índice chegou a cair 0,83% por volta das 15h30, demonstrando uma forte recuperação na parte final da sessão, impulsionada pela diminuição das tensões no Oriente Médio. Após um abril de recordes, o Ibovespa recua 5,52% em maio, mas mantém um ganho acumulado de 9,84% no ano. A saída de investidores estrangeiros da bolsa brasileira tem sido um fator de pressão, com uma retirada líquida de R$ 3,9 bilhões em maio até a metade do mês.

Fatores Internos e Perspectivas Nacionais

Além do ambiente externo mais benigno, o mercado doméstico também passou por ajustes que influenciaram o desempenho do real. Investidores promoveram readequações técnicas após a recente valorização do dólar no Brasil. A percepção de que a taxa de juros básica (Selic) pode permanecer elevada por mais tempo no país contribuiu para sustentar a moeda nacional. O Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras, elevou a projeção para a Selic no fim de 2026 para 13,25% ao ano, sinalizando um cenário de política monetária mais apertada.

Em segundo plano, os dados mais fracos da atividade econômica brasileira não foram suficientes para ofuscar o otimismo gerado pelos fatores externos e pela política monetária. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), frequentemente considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), registrou uma queda de 0,7% em março na comparação mensal, resultado aquém das expectativas do mercado.

Movimentação dos Preços do Petróleo

O mercado de petróleo, notoriamente sensível a eventos geopolíticos, também reagiu aos desdobramentos no Oriente Médio. Embora tenha continuado a se valorizar no exterior, o ritmo de alta foi contido após o anúncio de Trump. O barril do tipo Brent, referência internacional, encerrou o dia cotado a US$ 112,10, com um ganho de 2,6%. Já o barril WTI, negociado nos Estados Unidos, fechou a US$ 104,38, registrando um avanço de 3,33%. A desaceleração na valorização, apesar dos ganhos, ilustra a sensibilidade imediata do setor aos sinais de distensão ou escalada de conflitos na região.

A segunda-feira nos mercados financeiros globais foi um claro exemplo da interconexão entre geopolítica e economia. A decisão do presidente Trump de adiar uma ação militar no Irã funcionou como um alívio crucial, dissipando a aversão ao risco e permitindo que moedas emergentes, incluindo o real, recuperassem terreno frente ao dólar. Enquanto o cenário externo ditava o tom de recuperação para muitos ativos, fatores domésticos como as projeções para a taxa Selic também desempenharam um papel no fortalecimento da moeda brasileira. Este dia sublinha como as notícias internacionais, especialmente de potências globais, continuam a ser um motor primário para as flutuações e o sentimento geral dos investidores, superando, em certos momentos, até mesmo dados econômicos internos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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