A Copa Libertadores Feminina de 2024 promete emoções e desafios para os representantes brasileiros, com a estreia histórica do Cruzeiro e a busca do Palmeiras pelo seu segundo título continental. Enquanto as Cabulosas entram em campo pela primeira vez na principal competição da América do Sul, as Palestrinas já garantiram seus primeiros pontos, ambas enfrentando as particularidades da altitude de Quito, no Equador, sede do torneio.
Cruzeiro Faz História com Estreia Inédita na Libertadores Feminina
O Cruzeiro, bicampeão da Libertadores na categoria masculina, marca sua entrada na versão feminina do torneio, tornando-se o 15º clube brasileiro a competir. A equipe mineira, que assegurou sua vaga como vice-campeã brasileira na temporada anterior, fará sua estreia nesta sexta-feira (16), às 21h (horário de Brasília), contra a LDU, time anfitrião, no Estádio Casa Blanca, em Quito. As Cabulosas integram o Grupo C, ao lado da equipe equatoriana, do Bolívar (Bolívia) e do Olimpia (Paraguai).
Desafios e Reforços Cruciais para as Estreantes
A jornada de estreia do Cruzeiro é marcada por uma série de desfalques importantes, principalmente devido a lesões de ligamento cruzado anterior (LCA) que afetaram jogadoras regularmente utilizadas pelo técnico Jonas Urias, como as zagueiras Tainara e Paloma Maciel, a meia Gaby Soares e as atacantes Ravenna e Millene. A lista de baixas se estendeu à goleira Cláudia, que sofreu uma lesão na coxa direita, exigindo a inclusão emergencial de Taluane, do América-MG, na lista definitiva da Conmebol, com Camila Rodrigues assumindo a provável titularidade.
Em contraste com as ausências, a equipe celeste celebra o retorno da atacante Letícia Ferreira, que se recuperou de uma cirurgia no ombro direito. A jogadora, que foi a artilheira cruzeirense na temporada passada com 27 gols, volta a ser uma peça fundamental no ataque da Raposa, adicionando poder de fogo essencial para a disputa continental.
A Representatividade Brasileira e o Sucesso no Torneio
A participação do Cruzeiro sublinha a crescente força do futebol feminino brasileiro na Libertadores. Com cinco times do país já tendo levantado a taça, o Brasil é um dos grandes expoentes da competição. O Corinthians se destaca como o maior vencedor, com seis títulos (um deles em parceria com o Audax), seguido por São José (três), Santos e Ferroviária (ambos com dois), e Palmeiras (um). Essa hegemonia demonstra a qualidade e a organização das equipes brasileiras no cenário continental.
A presença de clubes brasileiros na Libertadores Feminina é ampla e diversa, com o futebol paulista liderando com oito representantes ao longo das 18 edições. O Cruzeiro, por sua vez, é o pioneiro de Minas Gerais na competição. Além de São Paulo e Minas Gerais, outros seis estados já tiveram equipes disputando o título: Amazonas (Iranduba), Paraná (Foz Cataratas), Pernambuco (Vitória das Tabocas), Rio de Janeiro (CEPE/Duque de Caxias), Rio Grande do Sul (Internacional) e Santa Catarina (Avaí/Kindermann). Foz Cataratas (2012) e Iranduba (2018) chegaram perto da glória, conquistando o vice-campeonato em suas respectivas participações.
Palmeiras Inicia Jornada Pelo Bicampeonato com Vitória Apertada
O Palmeiras, campeão em 2022, iniciou sua campanha na Libertadores Feminina de 2024 com uma vitória mínima sobre o Universitario (Peru), por 1 a 0, na noite da última quinta-feira (15). O triunfo colocou as Palestrinas na liderança isolada do Grupo B com três pontos. O Verdão retorna ao Estádio Banco Guayaquil no domingo (18), às 17h, para enfrentar o Belgrano (Argentina), que empatou em 1 a 1 com o Dragonas (Equador) na primeira rodada, deixando ambos com um ponto.
Estratégia da Comissão Técnica e o Impacto da Altitude
A técnica Rosana Augusto adotou uma estratégia cautelosa, poupando algumas de suas principais jogadoras que estiveram a serviço da seleção brasileira, como a lateral Raíssa Bahia e as atacantes Bia Zaneratto e Taina Maranhão, que iniciaram a partida no banco de reservas. O Palmeiras já enfrentava desfalques significativos com a ausência da goleira Kate Tapia, por questões disciplinares, e da lateral Ana Guzmán, que rompeu o LCA do joelho direito em um amistoso pela Colômbia, adicionando desafios à montagem do elenco.
Apesar do controle do jogo, as Palestrinas desperdiçaram diversas oportunidades de ampliar a vantagem. O gol solitário da partida veio aos 15 minutos, dos pés de Brena, que aproveitou o rebote de uma defesa da goleira Mia Shalit após um chute de Emily Assis. Um segundo gol, de Diany, foi anulado após revisão do VAR por impedimento na jogada que o originou. O ritmo do confronto diminuiu consideravelmente na reta final do primeiro tempo, influenciado pela altitude de 2.850 metros de Quito, chegando a exigir atendimento médico com cilindros de oxigênio para a lateral Milagros Rolón, do Universitario.
O segundo tempo manteve o cenário de oportunidades perdidas pelo time brasileiro, muitas delas frustradas por boas intervenções da goleira Shalit. A zagueira Pati Maldaner ainda cobrou um pênalti na trave esquerda e, nos acréscimos, um chute de fora da área da volante Duda Santos também acertou a trave, preservando o placar apertado até o final do jogo.
Com a rodada inicial da Libertadores Feminina em andamento, os clubes brasileiros demonstram suas ambições. O Cruzeiro, em sua estreia, busca consolidar seu espaço na elite continental, enquanto o Palmeiras avança com foco no bicampeonato, superando obstáculos como a altitude e desfalques. Os próximos jogos prometem definir os rumos de ambos os times na fase de grupos, com a torcida brasileira acompanhando de perto cada lance desta importante disputa.