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Irã Classifica Sanções dos EUA como ‘Terrorismo de Estado’ e Demanda Intervenção da ONU

G1

O Irã elevou drasticamente o tom em sua resposta às novas sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, classificando-as como um ato de "terrorismo de Estado" e um "crime contra a humanidade". Em um comunicado contundente emitido nesta sexta-feira (28), o Ministério das Relações Exteriores iraniano não apenas prometeu uma reação firme, mas também instou a comunidade internacional, incluindo os órgãos da Organização das Nações Unidas (ONU), a se posicionar contra as medidas coercitivas do governo norte-americano.

A Condenação Iraniana e o Apelo à Governança Global

Teerã rotulou as restrições econômicas como "ilegais e repreensíveis", argumentando que a conduta de Washington compromete seriamente o Estado de Direito global. A chancelaria iraniana fez um apelo direto para que entidades como a ONU intervenham, exigindo uma posição clara em defesa da ordem jurídica internacional frente às ações unilaterais dos EUA. Essa postura reflete uma crescente exasperação do Irã com o que considera uma campanha de pressão econômica ilegítima.

O governo iraniano sublinha que a "guerra econômica" liderada pelos EUA não é apenas uma ferramenta política, mas uma estratégia "impiedosa" destinada a infligir sofrimento à população civil. O comunicado ressalta que as sanções representam um grave risco à saúde e aos meios de subsistência de milhões de iranianos, configurando um ataque que transcende a esfera política e adentra a humanitária. O país persa reitera sua determinação em mobilizar todos os recursos disponíveis para defender-se contra o que descreve como um "ataque militar e econômico combinado" por parte dos Estados Unidos e de Israel.

Repercussões Internas: Temor e Incerteza nas Ruas Iranianas

Apesar da retórica desafiadora do governo, o impacto das sanções já era perceptível nas ruas iranianas antes mesmo da oficialização das novas medidas. Na terça-feira (25), a capital Teerã registrou longas filas nos postos de gasolina, evidenciando o temor generalizado entre a população de que as restrições econômicas, projetadas para "asfixiar" o país, levariam a uma nova disparada nos preços dos combustíveis.

Em resposta à crescente ansiedade pública, Mohsen Haji-Mirzaei, chefe de gabinete do presidente iraniano, anunciou a revisão das cotas de combustível. Ele informou que as cotas seriam reduzidas mantendo o preço base, mas que o consumo excedente teria um custo mais elevado. Embora as autoridades iranianas tentem minimizar os efeitos, apontando a resiliência do país frente a décadas de sanções, a preocupação da população é palpável, como atestado por um corretor de imóveis à AFP, que confirmou o impacto das sanções na vida de todos, independentemente de sua condição econômica.

O Contexto da Guerra Econômica e a Resposta de Teerã

As medidas anunciadas esta semana pelo governo Trump são mais um capítulo em uma prolongada "guerra econômica" contra o Irã. O país já enfrentava uma inflação elevada e uma crise econômica que alimentou ondas de protestos em janeiro. Atualmente, as negociações de paz para o conflito que se estende por quase seis meses permanecem paralisadas, sem perspectiva de uma resolução imediata, agravando a instabilidade regional.

A estratégia dos EUA foi detalhada na segunda-feira (24) pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, que apresentou um plano para intensificar a pressão sobre Teerã, prometendo uma "asfixia econômica" e ameaçando impor consequências a qualquer nação que se recusasse a aderir à campanha americana. Paralelamente, o Irã mantém fechado o estratégico Estreito de Ormuz, enquanto os EUA sustentam um bloqueio naval contra a República Islâmica, escalando as tensões em um dos pontos mais críticos do transporte marítimo mundial.

Em um tom de desafio, o ministro da Economia iraniano, Ali Madanizadeh, afirmou que o país está há muito tempo preparado para novas sanções. Ele reiterou a crença de que os Estados Unidos "fracassaram em todas as ocasiões" em suas tentativas de pressão e parecem agora buscar uma "nova derrota", sinalizando que Teerã não pretende ceder facilmente à pressão externa.

A escalada verbal e as sanções econômicas aprofundam a crise entre Irã e Estados Unidos, com graves implicações para a população iraniana e a estabilidade global. A demanda iraniana por uma intervenção da ONU e a acusação de "terrorismo de Estado" evidenciam a seriedade da situação, enquanto a ausência de diálogo e as sanções contínuas sugerem que um caminho para a desescalada ainda está longe de ser encontrado.

Fonte: https://g1.globo.com

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