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IPCA-15 Desacelera em Maio, Impulsionado por Alimentos e Habitação Apesar da Queda nos Transportes

© Valter Campanato/Agência Brasil

A prévia da inflação brasileira registrou uma desaceleração em maio, conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador marcou uma variação de 0,62% no mês, apresentando um recuo de 0,27 ponto percentual em relação à taxa de 0,89% observada em abril. Apesar da moderação mensal, a inflação acumulada ainda demonstra elevação, refletindo a persistência de pressões em setores-chave da economia.

Panorama Geral da Inflação e Acumulados

Apesar da variação de 0,62% em maio, o IPCA-15 acumula uma alta de 3,02% no ano, um índice superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. No recorte dos últimos 12 meses, a inflação se estabeleceu em 4,64%, superando a taxa de 4,37% observada nos doze meses imediatamente anteriores. Essa trajetória ascendente nos períodos mais longos contrasta com a desaceleração pontual de maio, indicando um cenário de custos em patamares elevados para o consumidor brasileiro.

Os Motores da Variação: Destaques por Grupos de Produtos e Serviços

A análise detalhada dos nove grupos que compõem o IPCA-15 revela as diferentes dinâmicas de preços. Os setores de Alimentação e Bebidas, Habitação, e Saúde e Cuidados Pessoais exerceram a maior pressão positiva sobre o índice de maio. Em contrapartida, o grupo de Transportes registrou uma variação negativa, contribuindo para a desaceleração geral. As demais categorias apresentaram oscilações mais contidas, variando entre -0,33% e 0,50%.

Alimentação e Bebidas: O Principal Impulso Inflacionário

Com a maior variação entre todos os grupos, Alimentação e Bebidas subiu 1,38% em maio. Este segmento foi influenciado tanto pelo consumo dentro quanto fora do domicílio. A alimentação consumida em casa, embora tenha desacelerado ligeiramente de 1,77% em abril para 1,73% em maio, ainda registrou aumentos significativos em itens essenciais como batata-inglesa (26,29%), tomate (12,97%), leite longa vida (6,07%) e carnes (1,98%). Contribuições para a desaceleração neste subgrupo vieram de quedas pontuais na maçã (-2,32%) e no café moído (-2,09%). A alimentação fora do domicílio também mostrou menor ritmo de alta, com 0,51% em maio, após 0,7% em abril, devido a variações mais brandas em refeições (0,57%) e lanches (0,37%) em comparação com o mês anterior.

Impactos em Habitação e Saúde Pessoal

Habitação: Energia Elétrica Lidera Aumento

O grupo Habitação apresentou uma alta de 1,03%, sendo a energia elétrica residencial o principal fator individual de impacto, com um acréscimo de 2,16%. O aumento é atribuído à implementação da bandeira tarifária amarela em maio, que adiciona R$1,885 a cada 100 kWh consumidos, elevando os custos para os consumidores.

Saúde e Cuidados Pessoais: Custos Crescentes

Com uma variação de 1,05%, o setor de Saúde e Cuidados Pessoais teve seu resultado influenciado pelo aumento nos preços de produtos de higiene pessoal (1,60%) e farmacêuticos (1,25%), além dos planos de saúde (0,5%). A categoria foi particularmente pressionada pela autorização de reajuste de até 3,81% nos preços dos medicamentos, em vigor desde 1º de abril.

Transportes: Alívio nos Combustíveis, Elevação em Passagens Aéreas

Em contraste com os demais grupos, Transportes registrou uma queda de 0,33%. Essa variação negativa foi majoritariamente impulsionada pela desaceleração significativa dos combustíveis, que passaram de uma alta de 6,06% em abril para uma queda de 1,47% em maio. Houve decréscimos notáveis nos preços do etanol (-2,73%), óleo diesel (-2,04%) e gasolina (-1,32%). No entanto, nem todos os itens do grupo seguiram essa tendência de baixa: o gás veicular registrou alta de 2,12%, e as passagens aéreas subiram 3,25% após um recuo acentuado no mês anterior. Adicionalmente, o ônibus urbano apresentou uma redução de 0,56%, impulsionada por políticas de gratuidade ou redução tarifária em domingos e feriados em diversas capitais brasileiras.

Metodologia da Pesquisa e Abrangência Nacional

A coleta dos preços que compuseram o IPCA-15 de maio foi realizada entre os dias 16 de abril e 15 de maio, com a comparação feita em relação aos preços vigentes de 18 de março a 15 de abril. Este indicador abrange famílias com rendimento mensal de 1 a 40 salários-mínimos e sua apuração se estende pelas principais regiões metropolitanas do país, incluindo Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e o município de Goiânia, garantindo uma representatividade das tendências de preços ao consumidor em grande parte do território nacional.

Perspectivas para a Inflação

Apesar da desaceleração mensal da prévia da inflação em maio, o cenário geral continua a demandar atenção. A persistência de aumentos significativos em bens e serviços essenciais como alimentação, habitação e saúde sinaliza que as famílias brasileiras ainda enfrentam pressões sobre o poder de compra. A mitigação nos preços dos combustíveis trouxe algum alívio ao grupo de transportes, mas a inflação acumulada e as tendências de alta em outros segmentos cruciais indicam que a vigilância sobre os indicadores de custo de vida permanece fundamental para a estabilidade econômica e o bem-estar dos consumidores.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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