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Houthis Elevam Alerta Após Ataque Mortal em Riade e Advertem Contra Aeroportos Sauditas

G1

A tensão no Oriente Médio atingiu um novo patamar após o grupo Houthi, do Iêmen, emitir um veemente alerta para possíveis novos ataques a aeroportos na Arábia Saudita. A advertência, divulgada neste domingo (11) por meio de redes sociais, surge um dia depois de um incidente devastador no Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade, que resultou na morte de 12 pessoas e deixou mais de 300 feridos. Este cenário de escalada marca um momento crítico no conflito iemenita, com repercussões diretas para a segurança aérea regional e a comunidade internacional.

Advertência Explícita: Houthis Declaram Espaço Aéreo Saudita Zona de Risco

O comunicado dos Houthis direciona-se a companhias aéreas, viajantes e funcionários, instando-os a se manterem afastados dos aeroportos e do espaço aéreo saudita. O grupo, alinhado ao Irã, declarou abertamente que essas infraestruturas são agora consideradas “vulneráveis a ataques” e “alvo de operações” de suas forças, com a única exceção dos aeroportos das cidades sagradas de Meca e Medina. A mensagem enfatiza a seriedade da ameaça e responsabiliza o reino saudita por quaisquer falhas nas interceptações de seus mísseis e drones.

Mohammed al-Bukhaiti, uma proeminente autoridade do grupo rebelde, afirmou ao jornal americano The New York Times que a ofensiva do último sábado foi uma resposta direta aos bombardeios conduzidos pela Arábia Saudita em território iemenita. Este posicionamento reforça a tese de retaliação e a determinação dos Houthis em manter a pressão militar sobre seu adversário regional, reeditando um aviso anterior de que apenas voos humanitários previamente autorizados seriam seguros no espaço aéreo saudita.

O Ataque em Riade: Um dos Mais Mortais da Década

O incidente de sábado, ocorrido por volta das 15h, horário local, sem qualquer aviso do sistema de alerta de ameaças da Arábia Saudita, foi o mais letal do tipo no reino em mais de dez anos. Testemunhas descreveram o caos no Aeroporto Rei Khalid, com explosões e múltiplas pessoas feridas no chão, levando à mobilização de dezenas de ambulâncias. A gravidade da situação forçou a suspensão temporária de todas as operações aeroportuárias, com o site Flightradar24 mostrando voos sendo desviados ou cancelados e a presença de apenas um helicóptero sobrevoando o local.

Este não foi um evento isolado; o Aeroporto Rei Khalid já havia sido alvo de um ataque na quinta-feira anterior (8), quando uma aeronave comercial da Saudi Arabian Airlines sofreu danos consideráveis. A sequência de investidas ressalta a capacidade dos Houthis de atingir alvos estratégicos no coração da Arábia Saudita, demonstrando uma escalada perigosa na estratégia do grupo rebelde.

Repercussões Internacionais e Alertas de Viagem

A onda de ataques provocou uma reação imediata e generalizada da comunidade internacional. Companhias aéreas como Kuwait Airways, Etihad Airways e Qatar Airways rapidamente anunciaram o cancelamento ou suspensão de voos para a capital saudita, algumas estendendo as medidas até o dia seguinte. Embaixadas de países como Estados Unidos, Reino Unido, Espanha e Alemanha emitiram alertas de segurança, orientando seus cidadãos a evitar o aeroporto de Riade.

Em algumas recomendações, a embaixada espanhola foi além, aconselhando evitar deslocamentos não essenciais, enquanto a Alemanha sugeriu que seus cidadãos não utilizassem o terminal até novo aviso. Os Estados Unidos, por sua vez, impuseram restrições a funcionários do governo trabalhando na Arábia Saudita, exigindo autorização especial para o uso do aeroporto. O Canadá também se manifestou, alertando que as operações na região estavam sendo afetadas pela atividade militar, evidenciando a crescente preocupação global com a instabilidade na área.

O Cenário do Conflito Iemenita e a Posição dos EUA

Os ataques aos aeroportos ocorrem em um contexto de intensificação do conflito civil no Iêmen, que opõe os Houthis, apoiados pelo Irã, às forças do governo iemenita, que contam com o suporte da Arábia Saudita. No início de outubro, uma ofensiva terrestre das forças pró-governo contra os Houthis desencadeou uma série de retaliações por parte do grupo rebelde, que intensificou seus ataques com mísseis contra o território saudita, enquanto Riade respondia com bombardeios aéreos em posições Houthis no Iêmen.

Simultaneamente, os Houthis apertaram o cerco à cidade de Taiz, a terceira maior do Iêmen, ao passo que forças sauditas e iemenitas anunciaram a retomada do controle do estratégico estreito de Bab el-Mandeb, uma via marítima vital. Diante da escalada, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que seu governo avaliava a possibilidade de participar dos bombardeios sauditas contra os Houthis. "Talvez. Vamos analisar. Acabamos de saber do ataque mais recente, então vamos tomar uma decisão. Agimos muito rapidamente", disse Trump, sinalizando uma possível ampliação da participação norte-americana no conflito.

Perspectivas de Instabilidade na Região

A grave advertência dos Houthis, somada à série de ataques a infraestruturas civis críticas, como aeroportos, sublinha a deterioração da segurança na península arábica e a imprevisibilidade do conflito iemenita. As ações dos rebeldes não apenas ampliam o raio de alcance da guerra, mas também criam um ambiente de insegurança para o transporte aéreo internacional, com potenciais impactos econômicos e humanitários significativos. A situação exige uma vigilância contínua e uma análise cuidadosa das próximas movimentações de todos os atores envolvidos, especialmente às vésperas de importantes conferências internacionais.

Fonte: https://g1.globo.com

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