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Guerra de Drones Intensifica-se: Rússia Acusa Ucrânia de Vítimas Civis em Meio a Ciclo de Ataques Mútuos

G1

A guerra entre Rússia e Ucrânia alcançou um novo patamar de tensão neste fim de semana, com Moscou acusando Kiev de uma série de ataques com drones que resultaram na morte de pelo menos seis civis em território russo. Este episódio surge em um momento de desgaste significativo para os líderes de ambos os países, em meio a um conflito prolongado onde a linha entre alvos militares e infraestrutura civil se torna cada vez mais difusa, e a população arca com o custo mais alto dessa escalada.

Vítimas Civis e Alvos Econômicos na Rússia

Autoridades russas relataram uma intensa onda de ataques com drones, atribuídos à Ucrânia, durante a noite de sexta-feira (21) e a madrugada de sábado (22). Esses bombardeios provocaram um rastro de destruição e fatalidades em diversas regiões. Em Samara, por exemplo, um armazém da varejista online Ozon e uma instalação industrial foram atingidos, resultando em vários feridos, conforme informou o governador Vyacheslav Fedorishchev. Este ataque, o primeiro contra a Ozon, segue semanas de ofensivas contra sua concorrente, a Wildberries, que a Ucrânia justificou como parte de uma estratégia para desestabilizar a infraestrutura econômica russa que sustenta o esforço de guerra.

Outros incidentes de impacto significativo foram registrados em outras localidades. Na região de Krasnodar, o governador Veniamin Kondratyev confirmou a morte de duas crianças e ferimentos em dois adultos na cidade portuária de Yeysk, às margens do Mar de Azov. As áreas fronteiriças com a Ucrânia também foram duramente atingidas: em Belgorod, duas pessoas perderam a vida e 13 ficaram feridas, enquanto em Bryansk, quatro indivíduos sofreram ferimentos. A província de Luhansk, no leste da Ucrânia, que está sob controle quase total da Rússia, também foi palco de ataques, com o governador Leonid Pasechnik, nomeado por Moscou, relatando o falecimento de dois civis, incluindo um jovem de 16 anos, e nove feridos. O Ministério da Defesa russo declarou ter interceptado um total de 457 drones ucranianos durante a noite, sublinhando a intensidade dos ataques.

A Contraofensiva Russa e o Sofrimento Ucraniano

A acusação russa ocorre poucos dias após a Ucrânia ter denunciado uma série devastadora de ataques por parte de Moscou, que também resultaram em numerosas vítimas civis e significativa destruição. Na tarde de sexta-feira (21), drones russos atingiram um movimentado shopping center em Kryvyi Rih, no leste ucraniano, ceifando a vida de 15 pessoas e deixando cerca de cem feridos. Em outro incidente no mesmo dia, a cidade de Tokarivka, no sul da Ucrânia, foi alvo de um ataque que matou quatro pessoas, sendo três delas crianças.

A capital ucraniana, Kiev, também foi palco de uma imensa ofensiva russa na madrugada de quinta-feira (20), que matou 15 pessoas e impactou gravemente a infraestrutura civil, atingindo uma escola, um hospital infantil, uma creche e pelo menos 30 edifícios residenciais. O Ministério da Defesa russo, ao confirmar o ataque à capital, alegou ter mirado em instalações produtoras de componentes para drones, um depósito militar e um centro de logística, apesar dos danos generalizados relatados por Kiev. O presidente ucraniano informou que a Rússia utilizou diferentes tipos de mísseis e 168 drones em sua ofensiva, com boa parte interceptada pelas forças armadas do país.

Apelos por Defesa e o Impasse Diplomático

Em resposta à brutalidade dos ataques russos, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, classificou os bombardeios como "absolutamente cínicos e desprezíveis" e "atos de terrorismo", reiterando a necessidade de uma reação global contundente e de pressão sobre o agressor. Zelensky fez um apelo urgente aos aliados, incluindo os países europeus e os Estados Unidos, por sistemas de defesa antiaérea Patriot, essenciais para interceptar mísseis balísticos, que ele considera a "maior ameaça". A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, respondeu publicamente, assegurando que a provisão de recursos antibalísticos à Ucrânia é uma "prioridade urgentíssima".

Enquanto o conflito se aprofunda e as baixas civis se acumulam em ambos os lados, as perspectivas de paz permanecem distantes. O Kremlin, ao ser questionado sobre possíveis negociações de paz, declarou não ter informações sobre uma suposta visita de negociadores americanos a Moscou, mencionada anteriormente pelo presidente ucraniano. Este cenário sublinha a crescente escalada militar e a estagnação nos esforços diplomáticos, mantendo a região em um ciclo contínuo de violência e sofrimento.

A intensificação dos ataques com drones, com acusações mútuas de vítimas civis e destruição de infraestrutura, revela a natureza implacável da guerra na Ucrânia. Em meio a esta espiral de violência, os apelos desesperados por maior capacidade de defesa por parte de Kiev e o endurecimento das posturas em Moscou e nas capitais ocidentais indicam que o caminho para uma solução pacífica continua tortuoso, com a população civil suportando o fardo mais pesado da prolongada hostilidade e da ausência de avanços diplomáticos substanciais.

Fonte: https://g1.globo.com

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