O cenário da diplomacia entre Estados Unidos e Irã foi novamente palco de um anúncio significativo no último domingo (14), quando o ex-presidente Donald Trump declarou a concretização de um acordo de paz com a República Islâmica. Em uma publicação na rede Truth Social, Trump celebrou que o entendimento entre as duas nações estaria "agora concluído", acompanhado de uma ordem para o fim do bloqueio militar dos EUA na região do Estreito de Ormuz: "Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!", exclamou. Este anúncio, se concretizado, representaria um marco crucial após quase quatro meses de conflito.
Contudo, a celebração antecipada de Trump contrasta com a realidade da situação. A assinatura formal do acordo ainda não ocorreu, estando prevista para a próxima sexta-feira (19) na Suíça. Além disso, a cautela do lado iraniano é evidente: em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (15), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã admitiu que uma "profunda desconfiança" em relação aos Estados Unidos ainda persiste. Esse descompasso entre a retórica e a formalização não é inédito na gestão de Trump, que já havia proferido diversas declarações sobre a iminência de um acordo.
Um Padrão de Anúncios Antecipados
A declaração mais recente de Donald Trump sobre a "conclusão" da paz com o Irã segue um padrão recorrente de antecipação de resultados observados ao longo das semanas que precederam o anúncio de 14 de julho. Embora esta seja a manifestação mais promissora após um período de intensa tensão, ela se alinha a uma série de pronunciamentos do ex-presidente que sugeriam um desfecho rápido para a situação com o Irã, muitas vezes sem que as negociações chegassem a uma formalização imediata.
As Diversas Previsões de Trump sobre o Fim da Guerra
Ao longo dos meses de conflito, Trump fez várias afirmações que indicavam um fim próximo para as hostilidades, gerando expectativas que nem sempre se materializavam no curto prazo. Essas declarações, proferidas em diferentes plataformas e momentos, ilustram a complexidade e a volatilidade das negociações com Teerã.
Março: A Guerra 'Praticamente Concluída'
Em 9 de março, o então presidente expressou otimismo em um discurso e durante uma entrevista por telefone à CBS News, afirmando que a guerra contra o Irã estava "praticamente concluída" e terminaria "muito em breve". Ele justificava sua confiança na suposta falta de capacidade militar iraniana, declarando: "Eles não têm Marinha, não têm comunicações, não têm Força Aérea".
Abril: Pressa e Melhoria dos Acordos
Já em 20 de abril, através de uma publicação em sua rede social, Trump sugeriu que um acordo com o Irã emergiria "relativamente rápido" e seria "muito melhor" do que os pactos firmados por administrações anteriores. Na ocasião, ele também refutou rumores de que estaria sob pressão para fechar o acordo, insistindo: "Não estou sob pressão alguma, embora tudo vá acontecer relativamente rápido".
Maio: Decisões Iminentes e Proximidade de um Acordo
O mês de maio trouxe mais declarações de urgência. Em 23 de maio, Trump afirmou que o acordo com o Irã estava "praticamente todo negociado" e que uma decisão final seria tomada no dia seguinte. Uma semana depois, em 30 de maio, durante entrevista à Fox News, o ex-presidente reiterou que os negociadores americanos estavam "muito perto de um acordo muito bom" com o Irã para encerrar o conflito.
Junho: Cessar-Fogo e Cancelamento de Ofensivas
Em 1º de junho, Trump comunicou à ABC News a expectativa de chegar a um acordo na semana seguinte para estender o cessar-fogo e permitir a reabertura do Estreito de Ormuz. Mais tarde, em 11 de junho, após dias de ataques ao território iraniano e a ameaça de uma terceira ofensiva, ele anunciou o cancelamento da ação militar, justificando a decisão pela existência de um consenso sobre os "pontos finais" da proposta de paz entre as partes envolvidas.
Conclusão: Entre a Esperança e a Desconfiança
A recorrência de anúncios otimistas por parte de Donald Trump, seguidos de um período de espera pela materialização de acordos, tem sido uma característica marcante da sua abordagem com o Irã. Embora a recente declaração sobre a reabertura do Estreito de Ormuz e a "conclusão" de um pacto sinalizem um potencial avanço, a persistente desconfiança iraniana e a ausência de uma assinatura formal mantêm o cenário em estado de incerteza. A próxima sexta-feira, com a possível assinatura na Suíça, será crucial para determinar se, desta vez, as promessas de paz finalmente se traduzirão em realidade.
Fonte: https://g1.globo.com