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Defesa de Jair Bolsonaro Pede Suspensão Urgente de Pena ao Supremo Tribunal Federal

© Reuters/Diego Herculano/Arquivo/Proibida reprodução

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro protocolou nesta quinta-feira (24) um pedido formal ao ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando a suspensão imediata do cumprimento da pena de 27 anos e três meses. A condenação, imposta por seu suposto papel na liderança de uma tentativa de golpe de Estado, está sendo contestada por meio de uma revisão criminal, e os advogados buscam deter a execução da sentença enquanto o mérito da nova análise jurídica não é julgado.

Contexto da Condenação e o Pedido de Revisão Criminal

Jair Bolsonaro foi condenado em setembro do ano passado pela Primeira Turma do STF e, posteriormente, detido em novembro. Em março deste ano, o ex-presidente obteve o benefício da prisão domiciliar humanitária, justificada por questões de saúde, e atualmente cumpre sua pena em sua residência localizada no bairro Jardim Botânico, em Brasília. O pleito atual da defesa insere-se no âmbito de um processo de revisão criminal, uma ação destinada a reexaminar sentenças já transitadas em julgado. Esse processo, referente à trama golpista, foi aberto em maio e teve sua relatoria distribuída ao ministro Nunes Marques, integrante da Segunda Turma da Corte, porém, ainda não avançou para julgamento.

Argumentos Centrais: A Competência do Plenário

O principal ponto levantado pelos advogados de Bolsonaro é a contestação da competência jurisdicional da Primeira Turma para julgar o caso. Eles argumentam que, devido à natureza dos crimes imputados, supostamente cometidos durante o exercício da Presidência da República, o julgamento deveria ter sido conduzido pelo Plenário completo do STF, composto por onze ministros, e não por um colegiado menor de apenas cinco. Uma das cadeiras do Plenário encontra-se vaga atualmente, após a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso.

A questão da competência do Plenário já havia sido levantada e reiteradamente rejeitada pela Primeira Turma ao longo do processo inicial. No entanto, a defesa persiste, buscando que esse tema crucial seja reavaliado pelos demais ministros da Corte. Para os defensores, a condução do julgamento por uma das turmas do Supremo configura um ato “inadmissível, ilegal e inconstitucional”, visto que a competência do Plenário para processar e julgar um Presidente da República integra um regime jurídico-constitucional específico, que ressalta a centralidade institucional do cargo e a excepcionalidade da jurisdição penal originária no ápice do Poder Judiciário.

O Risco de Dano Irreparável e a Necessidade de Suspensão

Em sua petição, a defesa enfatiza o potencial de “dano irreparável” caso a execução da pena continue durante a tramitação da revisão criminal. Os advogados sustentam que a privação indevida da liberdade é um prejuízo que não pode ser integralmente reparado. Mesmo que a revisão criminal venha a ser julgada procedente no futuro, o tempo de encarceramento já cumprido sob um acórdão que consideram “viciado” não poderá ser restituído em sua totalidade. É por essa razão que o pedido visa a suspensão imediata e integral da execução da pena, mantendo-a suspensa até que haja uma decisão definitiva sobre o mérito da revisão criminal.

Próximos Passos no STF

A decisão sobre a suspensão da pena de Jair Bolsonaro agora repousa nas mãos do ministro Nunes Marques. O pedido da defesa abre uma nova fase no embate jurídico, que pode ter implicações significativas para o ex-presidente e para a interpretação das normas de competência do Supremo Tribunal Federal em casos envolvendo altas autoridades. A expectativa é que o relator avalie a argumentação da defesa e decida sobre a pertinência e a urgência da medida cautelar solicitada antes que a revisão criminal possa prosseguir para uma análise aprofundada de seu mérito.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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