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Cultura como Vetor de Emancipação e Justiça Climática, Destaca Ministra Margareth Menezes

© Tomaz Silva/Agência Brasil

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, reafirmou a importância estratégica do investimento no setor cultural como ferramenta de qualificação e emancipação humana. A declaração foi feita durante sua participação na 6ª edição da Teia Nacional dos Pontos de Cultura, evento realizado em Aracruz, Espírito Santo, que reuniu representantes de povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhas e periféricas entre 19 e 24 de março. O encontro focou na relação intrínseca entre os saberes tradicionais e a busca por justiça climática, promovendo debates cruciais para a mitigação dos impactos das mudanças ambientais a partir das perspectivas culturais.

Cultura e Preservação Ambiental: Um Diálogo Urgente

A Teia Nacional dos Pontos de Cultura, sob o tema “Pontos de Cultura pela Justiça Climática”, evidenciou como os conhecimentos transmitidos através de gerações em comunidades tradicionais oferecem um modo de vida harmonioso com a preservação da biodiversidade. Segundo a ministra, a cultura serve como um poderoso instrumento para induzir uma mudança de comportamento humano em relação à natureza. Ela enfatizou a existência de inúmeras memórias e práticas ancestrais sobre como preservar o meio ambiente, contrastando com os exemplos de destruição, e a urgência de dar visibilidade a essas soluções já existentes, especialmente as oriundas dos povos originários e de terreiro, que atribuem à natureza a importância vital que ela possui.

O Potencial Transformador do Investimento Cultural

Margareth Menezes destacou que a cultura, ao ser intrinsecamente ligada à atividade humana, representa um investimento com capacidade de gerar transformação. Ela ressaltou que, além de qualificar e emancipar indivíduos, o fomento cultural impulsiona a economia, criando mais oportunidades de emprego e renda. Essa visão amplia o entendimento da cultura para além do campo artístico, posicionando-a como um motor de desenvolvimento social e econômico, capaz de promover a autonomia de comunidades e indivíduos por meio de suas expressões e fazeres.

Saberes Ancestrais como Pilar da Identidade e Sustentabilidade

A valorização das culturas dos povos originários e de matriz africana, amplamente representadas na Teia, foi um ponto central na fala da ministra. Ela salientou que esses grupos constituem a base da identidade cultural brasileira, guardando e transmitindo um vasto legado de conhecimentos de geração em geração. Esses saberes não apenas moldam nossa formação social, mas também oferecem práticas concretas de convivência sustentável com a natureza, visíveis na maneira de se vestir, alimentar e relacionar com o entorno, provendo exemplos cruciais para o enfrentamento da crise ambiental contemporânea.

Fortalecimento das Políticas para Culturas Tradicionais e Populares

Durante o evento, importantes avanços foram anunciados pelo governo, incluindo o primeiro encontro para a construção do Plano Nacional das Culturas Indígenas e a assinatura de atos normativos que visam beneficiar atores da cultura tradicional e popular. Essas ações refletem um compromisso em estabilizar e ampliar as políticas públicas direcionadas a essas manifestações culturais vivas e dinâmicas, garantindo maior proteção e fomentando um investimento mais robusto nesta base vital da produção cultural brasileira.

Plano Nacional das Culturas Indígenas: Construção Participativa

A elaboração do Plano Nacional das Culturas Indígenas está sendo concebida através de um processo de diálogo intenso e escuta ativa. A iniciativa, que envolve a criação de um grupo de trabalho em parceria com o Ministério dos Povos Originários, reconhece a diversidade cultural indígena no Brasil, com mais de 300 línguas ainda preservadas. A construção do plano será, portanto, um esforço coletivo e assertivo, pautado pela imperativa participação e contribuição direta dos próprios povos originários, assegurando que suas múltiplas perspectivas sejam incorporadas.

Proteção e Reconhecimento para Mestres e Mestras

A política de reconhecimento e valorização dos mestres e mestras da cultura popular e tradicional representa um marco fundamental. Há anos, existe uma luta pela profissionalização e estabelecimento de políticas específicas para esses guardiões da memória e da excelência cultural. Ao se referir a eles, a ministra destacou a importância de proteger esses detentores de conhecimentos únicos, cujo saber corre o risco de ser perdido se não for devidamente cuidado e incentivado, garantindo a continuidade e a riqueza da herança cultural do país.

Após um hiato de 12 anos, a realização da Teia Nacional dos Pontos de Cultura em 2024 simboliza um renascimento e uma reafirmação do papel central da cultura na agenda nacional. A mensagem da ministra Margareth Menezes ecoa a visão de que a cultura não é apenas um adorno, mas um fundamento essencial para a construção de uma sociedade mais justa, equitativa e ambientalmente responsável, promovendo o desenvolvimento humano em suas múltiplas dimensões e fortalecendo a resiliência das comunidades diante dos desafios do século XXI.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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