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Cuba, à Beira do Colapso Energético e Econômico, Retoma Diálogo com os EUA sob Pressão de Trump

G1

A ilha de Cuba, assolada por uma série de apagões generalizados e mergulhada na mais severa crise econômica em três décadas, viu-se compelida a retomar negociações com Washington. A situação de extrema vulnerabilidade é diretamente agravada por um bloqueio petrolífero intensificado pelos Estados Unidos, que se traduz em uma pressão sem precedentes sobre o governo cubano. As ameaças contundentes do ex-presidente Donald Trump de exercer controle sobre a nação caribenha, inclusive especulações sobre o destino de seus líderes, catalisaram essa decisão estratégica.

A Crise Energética e a Estratégia de Pressão dos EUA

Nos últimos dois anos, Cuba enfrentou quatro grandes apagões nacionais, com dez ocorrências semelhantes apenas desde fevereiro de 2024, impactando drasticamente a economia e o moral da população. A principal causa é a severa escassez de combustíveis, fundamental para as usinas termoelétricas que sustentam a matriz energética cubana. O fornecimento externo de petróleo foi praticamente zerado nos últimos três meses, segundo o governo cubano, enquanto a produção interna mal consegue cobrir 30% da demanda, um declínio que se arrasta há anos.

Essa escassez é um resultado direto das políticas de Washington. Donald Trump, em sua retórica recente, não apenas reiterou a possibilidade de assumir o controle da ilha, mas também impôs medidas concretas. Em janeiro, ele instou a liderança venezuelana a interromper completamente o envio de petróleo a Cuba, bloqueou rotas marítimas e ameaçou com sanções países que tentassem suprir a ilha. A prisão do ex-líder venezuelano Nicolás Maduro, no mesmo mês, não só serviu de aviso sobre a extensão das intenções de Trump, mas também privou Cuba de um de seus principais aliados e fornecedores cruciais de petróleo.

Um Histórico de Tensão e Motivações Políticas

A relação entre Cuba e os Estados Unidos tem sido complexa e pontuada por tensões desde a Revolução de 1959. A apenas 150 quilômetros da Flórida, a ilha comunista representou um desafio constante à influência americana na região, especialmente durante a Guerra Fria, quando foi vista como um ponto estratégico para potências como a União Soviética e a China. Embora o ex-presidente Barack Obama tenha tentado uma reaproximação, buscando reavivar os laços com Havana, seus esforços foram desfeitos por Trump em seu primeiro mandato, de 2017 a 2021.

Especialistas como Klemens Fischer, da Universidade de Colônia, Alemanha, apontam que a escalada da retórica de Trump em relação a Cuba pode ter raízes na política interna. Ele sugere que a postura firme poderia ser uma tentativa de desviar a atenção de outras questões externas, como no Irã, ou de projetar uma imagem de presidente forte, ao mesmo tempo em que evita um novo conflito armado. A diáspora cubana nos EUA, um bloco eleitoral significativo, especialmente na Flórida, também exerce influência considerável, com figuras proeminentes como o Secretário de Estado, Marco Rubio, advogando por mudanças profundas no regime da ilha.

A Pior Crise Econômica em Três Décadas

A escassez de energia é apenas um sintoma da profunda crise econômica que assola Cuba. O economista Elias Amor, residente na Espanha, destaca que a economia cubana encolheu anualmente em média 2,75% desde o início da pandemia em 2020, com uma retração projetada de 5% para 2025. Essa situação é comparada ao 'Período Especial' pós-colapso da União Soviética nos anos 1990, quando os salários reais despencaram 90% em apenas quatro anos.

Historicamente, o país conseguiu se recuperar de crises anteriores através de reformas temporárias e, mais tarde, com o apoio da Venezuela sob Hugo Chávez, que substituiu a União Soviética como principal patrocinador. No entanto, Amor alerta que a situação atual é mais grave. Embora a abertura gradual da economia nas últimas décadas tenha evitado um colapso tão drástico quanto o dos anos 90, as reformas implementadas por Raúl Castro e Miguel Díaz-Canel tiveram pouco impacto. Nem mesmo o setor de turismo, que já foi um motor de recuperação, é capaz de reverter a crise atual, pois, segundo o economista, as forças motrizes da economia cubana “pararam completamente”.

Negociações Forçadas e o Futuro Incerto

A combinação avassaladora de pressão interna – decorrente da escassez generalizada e do descontentamento popular – e a intransigência externa dos Estados Unidos levaram o regime cubano à mesa de negociações. Na semana passada, o presidente cubano confirmou que as conversas com Washington estavam prestes a ocorrer, sinalizando um ponto de virada na crise. A diáspora cubana, através de figuras influentes como Marco Rubio, mantém a expectativa de que o sistema cubano passará por uma 'mudança drástica', mas o caminho para essa transformação e o resultado das negociações permanecem incertos, com o país enfrentando um de seus momentos mais desafiadores.

Fonte: https://g1.globo.com

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