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Colômbia: Guerrilheiros do CNEB Entregam Armas em Acordo Histórico para a ‘Paz Total’ de Petro

Em um desenvolvimento significativo para a política de paz colombiana, cerca de uma centena de guerrilheiros da <b>Coordinadora Nacional Ejército Bolivariano (CNEB)</b> depuseram suas armas na última quinta-feira, 18 de junho de 2026, em uma remota área de selva no departamento de Putumayo. O ato, ocorrido no município de Valle del Guamuez, representa um avanço crucial nas negociações do presidente de esquerda Gustavo Petro, que busca consolidar sua questionada estratégia de 'paz total' em meio a um cenário político complexo e uma eleição presidencial iminente.

Esta entrega de armamentos não é apenas um marco para o governo Petro, mas também um primeiro passo fundamental para que os rebeldes possam se integrar a uma zona especial, onde se espera a consolidação de acordos definitivos. O evento ocorre a poucos dias do segundo turno que definirá o próximo presidente da Colômbia, adicionando uma camada de urgência e incerteza sobre o futuro da iniciativa.

Um Avanço Inédito na Política de 'Paz Total'

A cerimônia de desarmamento da CNEB, com 99 rebeldes vestidos em uniformes camuflados, que entregaram seus fuzis em um grande contêiner decorado com a frase "Aposta na vida, cumpro a paz", é o maior avanço da política de 'paz total' de Gustavo Petro. O presidente, o primeiro governante de esquerda da Colômbia, tem empreendido esforços para negociar com todos os grupos armados do país, embora nem sempre com sucesso.

O CNEB, um grupo dissidente do acordo de paz de 2016 que desarmou as FARC, destaca-se como a única organização guerrilheira que tem progredido sem grandes entraves nas negociações com o governo. Armando Novoa, chefe da delegação de paz governamental, classificou a entrega das armas como "uma mensagem muito forte e muito poderosa para a sociedade colombiana nesta época em que há muito barulho de guerra", ressaltando a singularidade do gesto em um país com seis décadas de conflito armado, onde, historicamente, a entrega de armas pelas FARC ocorreu apenas um ano após a assinatura de seu acordo de paz.

A Nova Jornada dos Ex-Combatentes e o Desafio da Reintegração

Após a deposição dos armamentos, os ex-combatentes serão transportados de helicóptero de seus territórios remotos para uma zona especial no Vale do Guamuez. Este terreno, anteriormente utilizado para plantações de coca, servirá como seu novo lar por um período de dez meses. Durante esse tempo, eles aguardarão o avanço de seu desarmamento definitivo e a definição de sua situação jurídica, sob a proteção da unidade estatal de escoltas.

No acampamento, os guerrilheiros receberão kits de higiene e livros, e ficarão em casas equipadas com painéis solares, sinalizando um esforço para sua transição para a vida civil. Muitos expressaram grande otimismo e esperança: um rebelde, sob anonimato, revelou estar "muito feliz, mal consigo conter a alegria de saber que não vamos mais ficar longe da família". Outro, conhecido como Ferney, manifestou o desejo de "me preparar em alguma profissão para nunca mais voltar a praticar nada ilícito nesta vida", evidenciando a busca por um futuro pacífico e produtivo. É importante notar que Walter Mendoza, ex-FARC que voltou a pegar em armas em 2019 e líder do CNEB, não esteve presente no evento.

Entre Eleições e Tensões: O Futuro Incerto da Paz

O desarmamento do CNEB ocorre em um momento crítico para a Colômbia. No próximo domingo, os eleitores decidirão entre o senador Iván Cepeda, aliado de Petro e defensor da continuidade da iniciativa de paz, e o ultradireitista Abelardo de la Espriella, que propõe uma política de "mão de ferro" contra grupos ilegais e advoga pelo fim de qualquer negociação. O resultado da eleição, dias antes de Petro entregar o poder em 7 de agosto, será determinante para o destino dos acordos de paz, visto que o próximo presidente terá a prerrogativa de encerrar as mesas de negociação, o que implicaria a perda de benefícios como a suspensão dos mandados de prisão para os ex-combatentes.

A política de Petro de recusar a extradição de comandantes guerrilheiros envolvidos nos processos de paz tem sido fonte de descontentamento em Washington, onde o ex-presidente Donald Trump já manifestou apoio a De la Espriella nas eleições. Embora a CNEB seja um grupo relativamente menor, com uma estimativa de 2.000 a 2.500 integrantes, comparada ao Exército de Libertação Nacional (ELN) ou outras dissidências das FARC como a liderada por Iván Mordisco, sua importância estratégica reside no controle de territórios chave para a produção de drogas na fronteira com o Equador, em um país que é o maior produtor mundial de cocaína e que enfrenta a pior onda de violência da última década.

Implicações Internacionais e Perspectivas Nacionais

A postura de De la Espriella, alinhada à de Trump, sugere uma potencial mudança radical na abordagem do Estado colombiano em relação aos grupos armados e ao narcotráfico. A possível interrupção dos diálogos de paz e a adoção de medidas mais repressivas poderiam impactar não apenas o CNEB, mas o panorama geral da segurança e da estabilidade regional. A Colômbia, portanto, encontra-se em uma encruzilhada, onde um ato de fé na paz, como o desarmamento do CNEB, é confrontado com a incerteza política e a persistência de desafios enraizados em décadas de conflito.

A entrega das armas pelo CNEB, embora um raio de esperança, ilustra a complexidade e a fragilidade do caminho da paz na Colômbia. O futuro dos ex-combatentes, a continuidade das negociações e a própria credibilidade da 'paz total' de Petro dependem agora não só da vontade dos grupos armados, mas, crucialmente, do direcionamento político que o país escolherá nos próximos dias.

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