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Colômbia em Luto: Terremoto Deixa Quase 300 Mortos e Miles de Desabrigados

G1

A Colômbia enfrenta uma de suas maiores catástrofes naturais da última década após um terremoto de magnitude 7,4 abalar o país na última segunda-feira. O balanço de vítimas e a dimensão da destruição continuam a crescer, com as autoridades confirmando um cenário devastador que exige uma resposta complexa e coordenada. Centenas de vidas foram perdidas, milhares estão feridas e dezenas de milhares de moradias foram impactadas, deixando um rastro de desespero e um imenso desafio humanitário.

Balanço da Tragédia e Crise Humanitária

Os números divulgados pela Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD) pintam um quadro sombrio da devastação. O número de mortos subiu para 294, enquanto 3.935 pessoas foram registradas como feridas. Além da perda de vidas, a infraestrutura habitacional sofreu um golpe maciço, com 14.493 casas completamente destruídas e outras 81.506 danificadas. A consequência direta é o deslocamento de milhares de colombianos, que agora vivem em acampamentos improvisados, aguardando por assistência e um futuro incerto. Segundo dados recentes, 379 pessoas permanecem desaparecidas, intensificando a angústia em várias comunidades.

Busca Desesperada por Sobreviventes

As equipes de resgate, compostas por bombeiros, socorristas e membros do Exército colombiano, trabalham incansavelmente na busca por sobreviventes sob os escombros. Em Cali, a terceira maior cidade do país, os esforços se concentram em um complexo de quatro torres de cinco andares cada, onde a incerteza sobre o número de pessoas ainda presas é grande. A chamada 'janela de 72 horas', período considerado crítico para encontrar sobreviventes, fechou-se na manhã de quinta-feira. Apesar da diminuição drástica nas esperanças de localizar alguém com vida – sem sinais recentes de vida humana nos locais de busca –, a determinação permanece. David Tamayo, chefe da UNGRD, reafirmou o compromisso: "Infelizmente, estamos chegando a um ponto em que a probabilidade de encontrar sobreviventes está diminuindo, mas nossa missão é continuar procurando e encontrar todas as pessoas que foram dadas como desaparecidas." O Exército desempenha um papel crucial nos trabalhos de resgate em cidades como Cali, Pereira e Manizales.

Resposta Governamental e Ajuda Internacional

A resposta do governo do presidente Abelardo de la Espriella à tragédia tem sido marcada por uma controversa decisão de restringir o acesso a socorristas internacionais. Apenas equipes de países considerados aliados receberam autorização para entrar no território colombiano, como é o caso de Israel, cujos especialistas atuam na área de Cali. Ofertas de ajuda de outras nações, incluindo o México, que disponibilizou suas equipes especializadas em resgates sísmicos, foram recusadas. Em contraste, a presidente da União Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou um pacote de dois milhões de euros (aproximadamente R$ 11,9 milhões) em apoio às operações de resgate e assistência humanitária, evidenciando o apoio financeiro da comunidade internacional. Diante da magnitude da catástrofe, o governo colombiano declarou situação de desastre nacional por 12 meses na quarta-feira (12), abrangendo doze estados: Antioquia, Caldas, Cauca, Chocó, Quindío, Cundinamarca, Risaralda, Huila, Valle del Cauca, Tolima, Putumayo e Norte de Santander, permitindo a mobilização de recursos e medidas emergenciais.

O Epicentro da Devastação

O terremoto de magnitude 7,4 foi o mais potente a atingir a Colômbia na última década, marcando um evento sísmico de grande impacto. Seu epicentro foi localizado na região de Chocó, no oeste do país, próxima à costa do Pacífico. A intensidade do abalo foi sentida fortemente em diversos estados, incluindo Valle del Cauca, Risaralda, Quindío e Caldas, onde a destruição e as vítimas foram mais severas. A abrangência geográfica do tremor e seus efeitos reverberaram por uma vasta área, colocando uma pressão imensa sobre os recursos e a capacidade de resposta do país. A recuperação dessas regiões, muitas delas já vulneráveis, representa um desafio monumental para os anos vindouros.

Enquanto as equipes de resgate persistem em sua missão, a Colômbia inicia uma longa e árdua jornada de luto, reconstrução e resiliência. A mobilização de recursos internos e o apoio internacional serão cruciais para que o país possa se reerguer da devastação, atendendo às necessidades urgentes dos milhares de afetados e trabalhando para restaurar a normalidade em suas comunidades. O desastre nacional declarado é apenas o primeiro passo em um processo complexo que exigirá solidariedade e esforço contínuo.

Fonte: https://g1.globo.com

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