A Colômbia foi abalada por um terremoto de magnitude 7,4, o mais potente registrado na última década, que deixou um rastro de destruição e centenas de vítimas. O balanço mais recente indica mais de 160 mortos, quinhentos feridos e dezenas de desaparecidos, mergulhando o país em um estado de emergência nacional. Cidades como Cali, uma das mais atingidas, enfrentam um colapso hospitalar sem precedentes e foram submetidas a toques de recolher e militarização para conter o caos e permitir as operações de resgate.
O presidente Abelardo de la Espriella, empossado há apenas quatro dias, declarou estado de emergência em todo o território, prometendo uma ampla coordenação para as complexas operações de socorro que se desdobram em meio a um cenário desafiador. Socorristas e voluntários trabalham incessantemente contra o tempo na esperança de encontrar sobreviventes sob os escombros, enquanto a infraestrutura essencial do país sofre graves danos.
O Abalo Sísmico e as Consequências Imediatas
O forte tremor foi registrado às 7h34 no horário local, com seu epicentro localizado no município de San José del Palmar, no departamento de Chocó, a uma profundidade de 103 quilômetros, segundo dados dos serviços geológicos colombianos e americanos. Nas primeiras horas após o evento, cidades do oeste colombiano foram tomadas pelo pânico generalizado. Milhares de pessoas buscaram refúgio nas ruas, assistindo ao desabamento de edifícios e à manifestação de graves danos estruturais em outras construções, o que gerou uma sensação de incerteza e perigo iminente.
Cali em Estado Crítico: Hospitais no Limite
Cali, a terceira maior cidade da Colômbia, emergiu como um dos epicentros da crise humanitária. Com 26 mortos e 456 feridos confirmados apenas na cidade, o sistema de saúde local atingiu 100% de sua capacidade. A situação foi agravada pela evacuação forçada de quatro grandes unidades de saúde que sofreram danos estruturais significativos. Uma ala do Hospital Universitario del Valle Evaristo García (HUV), uma referência em alta complexidade, teve um colapso parcial, exigindo a realocação urgente de pacientes e serviços para tendas improvisadas no estacionamento e nas áreas verdes do complexo.
Outras instituições, como a Clínica Nuestra Cali, a Clínica Dessa e a Clínica Colombia, também reportaram avarias, comprometendo ainda mais a capacidade de atendimento. Diante da emergência, as autoridades municipais foram forçadas a suspender cirurgias, consultas ambulatoriais e outros atendimentos não urgentes, direcionando todos os recursos e equipes para o socorro às vítimas do terremoto.
Medidas de Ordem: Toques de Recolher e Militarização
Em resposta ao cenário de caos e à necessidade de garantir a segurança pública, a prefeitura de Cali decretou toque de recolher entre 20h de segunda-feira e 6h de terça, além da militarização da cidade. O prefeito Alejandro Eder justificou as medidas como essenciais para assegurar a livre circulação das equipes de emergência e permitir que os organismos de socorro concentrem seus esforços nas operações de busca e resgate. Ele alertou sobre ameaças de saques, pedindo à população que denuncie qualquer tentativa de violação da segurança.
A cidade de Pereira também impôs um toque de recolher, válido das 18h de segunda até as 5h de terça, com o objetivo de proteger o comércio local. Ações como essas visam restabelecer um mínimo de ordem e permitir que os trabalhos de resgate prossigam sem interrupções, enquanto as autoridades buscam concentrar recursos para atender a emergência.
Esforços de Resgate e Desafios Nacionais
A mobilização de socorristas e voluntários é intensa, com equipes removendo escombros manualmente e utilizando ferramentas básicas. Em muitos momentos, o trabalho é interrompido por pedidos de silêncio, na esperança de ouvir algum sinal de vida sob os destroços. Relatos como o do socorrista Nelson Moreno ilustram a dramaticidade da situação, com buscas por amigos soterrados e a necessidade urgente de equipamentos como lanternas e óculos de proteção.
Além das cidades, a infraestrutura nacional sofreu um duro golpe: 18 unidades de saúde e 52 instituições de ensino apresentaram danos estruturais. Seis aeroportos também registraram problemas, resultando na suspensão de suas operações comerciais. O departamento de Risaralda é um dos mais afetados em termos de fatalidades, com 60 mortes confirmadas e a superlotação de seus hospitais, além do colapso completo de 18 edifícios e danos em outros 60. A prefeitura de Cali, assim como a de Pereira, decretou estado de calamidade pública, buscando otimizar a alocação de recursos e esforços institucionais para mitigar os impactos da catástrofe.
A Colômbia enfrenta agora um complexo e doloroso processo de recuperação. Com um governo recém-empossado, a magnitude do desastre impõe um desafio colossal, exigindo não apenas a continuidade dos esforços de resgate e assistência imediata, mas também um plano abrangente de reconstrução e apoio às milhares de pessoas que tiveram suas vidas drasticamente alteradas pelo poder da natureza. A solidariedade e a resiliência da população serão fundamentais nos dias e meses que virão.
Fonte: https://g1.globo.com