O Nepal enfrenta uma das suas maiores crises humanitárias recentes, com o número de mortos pelas devastadoras enchentes subindo para 675. A tragédia, desencadeada por um deslizamento glacial e fortes chuvas, deixou um rastro de destruição em diversas regiões do país, com estimativas iniciais indicando que a reconstrução das áreas afetadas poderá custar entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões, o equivalente a R$ 20,8 bilhões a R$ 26 bilhões na cotação atual. Diante da magnitude dos estragos e da complexidade dos desafios, o governo nepalês busca um tipo específico de assistência internacional, priorizando expertise técnica para tarefas cruciais que vão além das capacidades locais.
Desafios Pós-Desastre: Recuperação de Corpos e Hospitais Sobrecarregados
À medida que as equipes de resgate avançam, novos corpos são constantemente recuperados em locais como Chitwan e Nawalparasi, nas planícies do Nepal, a aproximadamente 100 quilômetros do epicentro da catástrofe. A situação nos hospitais é crítica; muitos estão sobrecarregados com o volume de vítimas e enfrentam uma grave escassez de refrigeradores para o armazenamento adequado dos corpos. Este cenário agrava o desafio da identificação das vítimas e sublinha a urgência de apoio especializado para gerenciar as consequências humanas diretas do desastre.
Apoio Internacional: Uma Demanda por Conhecimento Específico
Contrariando ofertas de nações como Índia, China, Estados Unidos, Reino Unido e Japão para envio de equipes de busca e salvamento em geral, o Nepal expressou que seus próprios socorristas são capazes de conduzir as operações rotineiras. No entanto, o país fez um apelo por assistência estrangeira em áreas onde carece de conhecimento técnico e equipamentos adequados. O Ministro das Relações Exteriores, Shisir Khanal, destacou a necessidade premente de expertise para o resgate de pessoas possivelmente presas em túneis de usinas hidrelétricas, a recuperação de redes de comunicação e transporte onde pontes foram destruídas, e a complexa tarefa de identificação de corpos, que inclui testes de DNA e a ampliação da capacidade de armazenamento.
Infraestrutura em Ruínas e o Custo Monumental da Reconstrução
A devastação se estende por áreas próximas à fronteira com a China, com cidades inteiras comprometidas e uma infraestrutura vital severamente danificada. Autoridades nepalesas confirmam a destruição de escolas, hospitais, estradas e, notavelmente, cerca de duas dezenas de pontes, essenciais para o transporte e a comunicação. Usinas hidrelétricas também foram atingidas, comprometendo o fornecimento de energia. Frente a este cenário, o governo nepalês já solicitou à Índia e à China que trabalhem na reabertura antecipada de rotas de transporte e comunicação em regiões críticas. A reconstrução pós-desastre demandará um esforço colossal e, conforme declarado pelo Ministro das Finanças, a assistência internacional será indispensável para erguer novamente as áreas destruídas.
A Origem da Catástrofe: Um Deslizamento Glacial no Himalaia
A série de enchentes e deslizamentos foi precipitada pelo colapso de uma geleira ocorrido na última quarta-feira, dia 26. Esse evento catastrófico liberou uma enorme quantidade de rochas, gelo, lama e detritos, que desceram pelos sistemas fluviais do Himalaia, provocando as inundações repentinas e avassaladoras na região de fronteira com a China. A força da natureza, amplificada pelas fortes chuvas subsequentes, transformou rios em torrentes destrutivas, redesenhando a paisagem e impactando profundamente a vida das comunidades locais.
Enquanto o Nepal se dedica às operações de recuperação e à gestão da crise humanitária imediata, o foco já se volta para o longo e árduo caminho da reconstrução. A resposta coordenada, que mescla a capacidade de resgate local com a assistência técnica especializada da comunidade internacional, será crucial para que o país consiga se reerguer das cinzas desta calamidade sem precedentes, enfrentando tanto os desafios presentes quanto os futuros.
Fonte: https://g1.globo.com