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Ameaça Persistente: Irã Perto da Bomba Atômica em Meio a Conflitos, Alertam EUA

G1

Mesmo após uma série de ataques e tensões na região, o Irã mantém a capacidade de produzir material suficiente para uma arma nuclear em um período de até um ano. Essa é a avaliação da inteligência dos Estados Unidos, obtida pela agência Reuters e divulgada nesta segunda-feira (4), que destaca a resiliência do programa nuclear iraniano diante das pressões internacionais e ações militares recentes.

Avaliações da Inteligência Americana e o Prazo Inalterado

As análises da inteligência americana indicam que o tempo necessário para Teerã adquirir material físsil para um dispositivo nuclear não sofreu alterações significativas em comparação com o ano anterior. Essa constatação, que remonta a avaliações estratégicas contínuas, reforça a preocupação de Washington, que considera opções mais assertivas para deter o avanço do programa. Embora o governo dos EUA tenha publicamente declarado que as operações militares recentes "destruíram instalações nucleares e enfraqueceram a base industrial de defesa do Irã", a inteligência reconhece que a linha do tempo fundamental para uma bomba não foi estendida.

As operações recentes, iniciadas em 28 de fevereiro, focaram principalmente em alvos militares convencionais, enquanto Israel teria atingido algumas instalações nucleares pontuais. Contudo, esses ataques não foram suficientes para alterar substancialmente o prazo estimado de um ano, indicando que a capacidade iraniana permanece em um patamar crítico.

Desafios para Conter o Programa: O Estoque de Urânio Enriquecido

Para frear de forma decisiva o programa nuclear do Irã, seria imperativo eliminar ou confiscar o estoque restante de urânio altamente enriquecido do país. Antes de uma série de ataques significativos em junho, a inteligência americana estimava que o Irã poderia produzir material para uma bomba em apenas três a seis meses. Após esses bombardeios, que destruíram ou danificaram as três principais usinas de enriquecimento em operação, o prazo foi ampliado para o atual intervalo de nove meses a um ano.

Um ponto de grande preocupação é o paradeiro de cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) não conseguiu confirmar. Há suspeitas de que parte desse material esteja armazenada em túneis subterrâneos na região de Isfahan. A suspensão das inspeções impede a verificação, e a AIEA alerta que o estoque total conhecido poderia ser suficiente para produzir até dez bombas, caso seja enriquecido a níveis ainda maiores. Nos bastidores, os EUA avaliam opções mais arriscadas, incluindo possíveis operações terrestres para recuperar esse urânio.

Fatores por Trás do Impacto Limitado dos Ataques

A persistência do prazo nuclear iraniano, apesar das hostilidades, pode ser explicada em parte pelo foco recente dos Estados Unidos em alvos militares não-nucleares. Analistas de inteligência apontam que há poucos alvos nucleares remanescentes que poderiam ser atingidos com segurança e eficácia após os ataques anteriores. Eric Brewer, ex-analista de inteligência do governo americano, ressalta que o material nuclear iraniano, até onde se sabe, permanece intacto e, provavelmente, armazenado em instalações subterrâneas profundas, fora do alcance das armas convencionais americanas.

A complexidade de medir com precisão o progresso nuclear do Irã é um desafio contínuo, mesmo para os mais avançados serviços de inteligência. A eficácia de ações como a morte de cientistas nucleares iranianos, atribuídas a Israel, também gera debates. Embora o ex-inspetor da ONU David Albright sugira que a capacidade técnica pode ser afetada, ele também observa que "conhecimento não se destrói com bombas".

A Negação Iraniana e as Implicações Regionais

O Irã continua a negar qualquer intenção de desenvolver armas nucleares. Segundo os EUA e a AIEA, o país interrompeu um programa de desenvolvimento de ogivas em 2003, embora Israel e alguns especialistas ainda levantem dúvidas sobre a manutenção de partes cruciais desse projeto. A meta de Washington permanece clara: garantir que "o Irã nunca pode ter uma arma nuclear", como reiterado por autoridades americanas.

A situação é agravada pelas tensões regionais, exemplificadas por incidentes como a recente alegação do Irã de ter impedido navios americanos de entrar no Estreito de Ormuz. Essa dinâmica complexa, somada à estagnação nas negociações para a retomada do acordo nuclear (como o texto "final" apresentado pela União Europeia em 2022), mantém a questão nuclear iraniana como um dos mais delicados e urgentes desafios geopolíticos da atualidade.

Em suma, as avaliações da inteligência dos EUA sublinham uma realidade preocupante: apesar das campanhas militares e das sanções, o Irã mantém uma proximidade alarmante com a capacidade de produzir material para uma arma nuclear. A remoção do urânio enriquecido é vista como a única medida eficaz para atrasar significativamente o programa, um cenário que aponta para um futuro de escalada de tensões e escolhas difíceis para a comunidade internacional na tentativa de conter a proliferação nuclear.

Fonte: https://g1.globo.com

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