O sonho inglês de trazer a Copa do Mundo 'de volta para casa' ganhou um capítulo emocionante neste domingo (5). Diante de um pulsante Estádio Azteca, na Cidade do México, os <b>Três Leões</b> demonstraram resiliência notável ao vencer a seleção anfitriã por 3 a 2 nas oitavas de final. A vitória não apenas garante a continuidade da jornada da Inglaterra no torneio, mas também aprofunda a frustração de uma nação mexicana que, mais uma vez, vê seu caminho interrompido precocemente em um Mundial.
Um Prelúdio de Tempestade e Tensão no Gigante de Concreto
A atmosfera pré-jogo já indicava que a partida seria incomum. O pontapé inicial foi postergado em uma hora, de 21h para 22h (horário de Brasília), devido a um forte temporal com raios que atingiu a Cidade do México. A Federação Internacional de Futebol (Fifa) acionou um protocolo de segurança, comum em jogos nos Estados Unidos, que direciona torcedores a áreas protegidas e atrasa o início da disputa. Mesmo com os jogadores liberados para o aquecimento sob uma chuva mais branda, a tensão era palpável.
Quando a bola finalmente rolou, o início foi marcado por mais transpiração do que inspiração. Logo nos primeiros segundos, o volante inglês Declan Rice recebeu um cartão amarelo, sinalizando a intensidade física do confronto. Nos dois terços iniciais da primeira etapa, as equipes se estudavam, com poucas chances claras. A cabeçada do atacante Raúl Jiménez, aos 14 minutos, defendida pelo goleiro Jordan Pickford, foi um dos poucos momentos de real perigo antes do espetáculo de gols que se seguiria.
Oito Minutos de Fúria e a Resposta Imediata
Os minutos finais do primeiro tempo transformaram completamente a dinâmica do jogo. Aos 36, em um contra-ataque fulminante que começou com Pickford na defesa, Bukayo Saka avançou pela direita, superou a marcação de Jesús Gallardo e cruzou com precisão para Jude Bellingham, que escorou para abrir o placar. Um minuto depois, em um lance de inteligência, o volante Elliot Anderson desarmou Gilberto Mora, a bola sobrou para Bellingham, que lançou Harry Kane. O chute cruzado do artilheiro encontrou novamente Bellingham para concluir e ampliar a vantagem, silenciando a torcida anfitriã.
O México, contudo, recusou-se a se entregar. Aos 42 minutos, após uma cobrança de falta na área, a bola resvalou no zagueiro Ezri Konsa e caiu nos pés do atacante Julián Quiñones, que chutou forte para diminuir o placar e recolocar os donos da casa na partida. Antes do intervalo, Raúl Jiménez ainda teve duas oportunidades claras de empate, sendo uma delas uma grande defesa de Pickford em cabeçada, mantendo a vantagem mínima para os ingleses.
Decisões do VAR, Cartão Vermelho e uma Vitória com Dez Homens
A segunda etapa começou com a mesma intensidade, e as emoções logo atingiram o ápice. Aos três minutos, Nico O'Reilly carimbou a trave esquerda, indicando a determinação mexicana em buscar o empate. Quatro minutos depois, um lance polêmico mudaria o panorama da partida: o lateral Jarell Quansah acertou a perna de Gallardo com a sola do pé. Após revisão do VAR, o árbitro Alireza Faghani reverteu a decisão inicial e expulsou o defensor inglês, deixando os Três Leões com um jogador a menos.
Mesmo em desvantagem numérica, a Inglaterra mostrou poder de reação. Aos 12 minutos, o goleiro mexicano Raúl Rangel derrubou Anthony Gordon na área, e Kane converteu o pênalti, marcando seu sexto gol na Copa e restabelecendo a vantagem de dois gols. A alegria, porém, durou pouco. Aos 20, foi a vez de Kane cometer uma penalidade, atingindo Brian Gutiérrez em disputa de bola dentro da área. Após nova intervenção do VAR, Jiménez cobrou e marcou, fechando o placar em 3 a 2 e instalando um cenário de ataque contra defesa até o apito final, com o México pressionando e a Inglaterra se segurando heroicamente.
Próximo Desafio e o Eterno Caminho de Frustração Mexicana
Com a suada vitória, a Inglaterra avança para as quartas de final, onde enfrentará a Noruega, que também neste domingo eliminou o Brasil. O confronto está marcado para o próximo sábado (11), às 18h (horário de Brasília), em Miami, nos Estados Unidos, prometendo mais um teste de fogo para a equipe que busca seu segundo título mundial, após a conquista de 1966 em casa.
Para o México, a eliminação representa mais um capítulo de um doloroso histórico em Copas do Mundo. Desde que sediou o torneio em 1986, a seleção não consegue superar a barreira das oitavas de final. Ausente em 1990, o 'Tri' foi eliminado nesta fase pela oitava vez nas últimas nove edições, somando-se à frustração de 2022, quando sequer alcançou a fase eliminatória no Catar. A apaixonada torcida mexicana, que lotou o Azteca, convive novamente com a amargura de um sonho interrompido.