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A Busca por Paz: Família Brasileira Encontra Refúgio e Segurança no Marrocos

G1

Em meio à efervescência de Marraquexe, uma cena cotidiana se reveste de profundo significado para a química Teresa Cristina Fonseca da Silva, de 44 anos. A facilidade de interagir com um vendedor ambulante, comprando framboesas no trânsito, ou ouvir um entusiasmado "Viva Neymar" de um desconhecido, reflete uma realidade que parecia distante no Brasil. Ao lado do marido, o engenheiro agrônomo Leonardus Vergutz, e dos filhos Davi e Gustavo, Teresa encontrou no Marrocos não apenas uma nova casa, mas a tão almejada sensação de segurança, um contraste marcante com a violência urbana que os levou a buscar horizontes internacionais.

De Viçosa a Marraquexe: A Busca Catalisada pelo Trauma

Antes de sua jornada para o Norte da África, a família residia em Viçosa, uma cidade com menos de 80 mil habitantes em Minas Gerais, onde Teresa e Leonardus atuavam como professores universitários – ela na Estadual de Minas Gerais e ele na Universidade Federal de Viçosa. A vida pacata, contudo, foi abruptamente interrompida por um evento traumático no fim de 2017. Enquanto se preparavam para um passeio, com o filho Davi, então com três anos, já acomodado na cadeirinha do carro, Leonardus foi rendido por um homem armado exigindo as chaves do veículo. Esse incidente, que Teresa descreve como "bem traumático", acendeu neles a urgência de buscar um período sabático fora do país, longe do medo constante que a violência impunha.

Uma Nova Vida Acadêmica e a Adaptação Cultural

A oportunidade de recomeço surgiu no segundo semestre de 2019, quando Leonardus, especialista em fertilizantes, conquistou uma posição como professor e pesquisador na Universidade Politécnica Mohammed VI (UM6P). Esta prestigiada instituição privada marroquina é mantida pelo Grupo OCP, o gigante Office Chérifien des Phosphates, líder global na produção e exportação de fosfato, um insumo vital para o agronegócio brasileiro. A mudança para Marraquexe, a quarta maior e uma das mais importantes cidades do Marrocos, não foi um amor à primeira vista para Teresa. Ela relata que, inicialmente, a paisagem árida, o tom predominante de terra e a sensação de pobreza a fizeram achar tudo "muito feio", tornando a adaptação um processo desafiador.

A Conquista da Segurança e os Contrastes com o Brasil

Com o tempo, a percepção de Teresa se transformou. O que parecia estranho e desafiador cedeu lugar a uma profunda sensação de alívio e segurança. Ela enfatiza que o medo de assaltos, tão presente no Brasil, não existe em sua nova realidade marroquina. "Aqui eu não tenho medo de parar no sinal e ser assaltada, de virem com uma arma. Apesar da pobreza, esse medo eu não tenho", afirma. Essa percepção individual da família reflete dados mais amplos; o Marrocos, com seus 37 milhões de habitantes e aproximadamente 400 brasileiros, é considerado um país com criminalidade moderada e alta segurança para pedestres, conforme a base de dados Numbeo. Contudo, as diferenças persistem, especialmente na paisagem: Teresa ainda sente falta do verde exuberante das florestas brasileiras, um contraste gritante com o cenário desértico do Marrocos. Embora indicadores como o Índice de Desenvolvimento Humano coloquem o Marrocos abaixo do Brasil (118º vs. 88º), a segurança pessoal se tornou o principal fator de bem-estar para a família Silva-Vergutz.

Raízes Marroquinas, Coração Brasileiro

O que era para ser um período sabático de um ou dois anos transformou-se em uma experiência mais duradoura. A família, que vive no Marrocos desde o final de 2019, agora se prepara para as férias de meio de ano, que incluem uma viagem de volta ao Brasil. Um evento que encapsula essa dualidade cultural é a estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 contra o time de Marrocos. Teresa, Leonardus, Davi e Gustavo, certamente vestidos de amarelo, terão seus corações divididos, celebrando a paixão pelo futebol e as duas pátrias que, de maneiras distintas, acolheram suas histórias e sonhos.

A jornada da família Silva-Vergutz de Viçosa a Marraquexe é um testemunho da busca incessante por qualidade de vida e paz. Embora a adaptação cultural tenha seus percalços e as diferenças sejam evidentes, a sensação de segurança conquistada no Marrocos ressignificou o conceito de lar para eles. A capacidade de viver sem o medo constante, de interagir livremente e de construir um futuro em um ambiente mais tranquilo, superou as expectativas iniciais e os consolidou como parte da crescente comunidade brasileira neste fascinante país do Norte da África, onde a tranquilidade da vida cotidiana se tornou o maior tesouro.

Fonte: https://g1.globo.com

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